Porto Alegre,

Publicada em 02 de Janeiro de 2026 às 16:56

Parque tecnológico de Pelotas cria política pioneira no Brasil

Atualmente, 65 empresas atuam no parque; Conselho Gestor tem planos para expansão do espaço, com foco na área da saúde

Atualmente, 65 empresas atuam no parque; Conselho Gestor tem planos para expansão do espaço, com foco na área da saúde

Michel Corvello/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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João Dienstmann
João Dienstmann Editor
O Pelotas Parque Tecnológico anunciou, em dezembro, a criação da sua própria Política de Inovação, considerada a primeira iniciativa local concreta de implementação após sanção da Lei Municipal de Inovação do município, sancionada em outubro. O instrumento consolida o parque como uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação e estabelece diretrizes para o fortalecimento do ecossistema de inovação na cidade e na Região Sul.
O Pelotas Parque Tecnológico anunciou, em dezembro, a criação da sua própria Política de Inovação, considerada a primeira iniciativa local concreta de implementação após sanção da Lei Municipal de Inovação do município, sancionada em outubro. O instrumento consolida o parque como uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação e estabelece diretrizes para o fortalecimento do ecossistema de inovação na cidade e na Região Sul.
A política alcança um feito inédito no cenário nacional ao se tornar o primeiro parque tecnológico do Brasil a contar com uma Política de Inovação própria, aprovada e vigente. Na prática, o documento criado pelo parque altera e qualifica o funcionamento institucional da instituição. O documento estabelece procedimentos para temas como propriedade intelectual, transferência de tecnologia, parcerias estratégicas, incubação de empresas e uso da infraestrutura.
Segundo Vinícius Campos, presidente do Conselho de Administração do Pelotas Parque Tecnológico, o primeiro impacto da criação da Política de Inovação é a segurança jurídica, tanto para a administração como para as empresas que operam no local - atualmente, 65 empresas atuam no Parque, sendo 25 instaladas nas áreas geridas pelo Parque. Segundo ele, a decisão por criar o documento também antecipa um movimento que, na visão de Vinícius, passará a ser obrigatório para locais cuja operação é semelhante. "Com o documento, o Pelotas Parque Tecnológico passa a ser um player junto com os investidores. Conseguimos também, dessa forma, participar de editais voltados à inovação para captação de recursos", conta o presidente.
Com a redação em vigor, o local passa a contar com um regramento específico para naming rights, mecanismo que permite que auditórios, salas e outros espaços do parque recebam o nome de empresas parceiras, por meio de contratos formalizados. Na prática, o modelo funciona como um instrumento institucional de captação de recursos, com contrapartidas financeiras ou não. Os recursos obtidos por este regramento serão destinados exclusivamente a investimentos em infraestrutura, apoio às empresas, formação de recursos humanos e desenvolvimento de projetos estratégicos, garantindo transparência e sustentabilidade institucional.
Além disso, um dos objetivos do Conselho Gestor, que é formado por 15 sócios-fundadores é viabilizar projetos de expansão do Parque. "Hoje, estamos com o espaço quase todo tomado, e com demanda para crescer", conta Vinícius. No primeiro semestre de 2026, um laboratório de diagnóstico genômico deve começar a funcionar no parque, algo inédito na região e que promete levar outras empresas da área da saúde para o Parque. "Temos um plano de criação de um hub de saúde, com startups e empresas do setor. Porém, para isso, precisamos espaço e estrutura, que podem ser viabilizadas com novos recursos", explica.
O presidente também fez uma análise sobre o setor de inovação na Metade Sul do Estado. Para ele, há um potencial ainda pouco explorado por gestores para o segmento, visto a concentração de universidades em Pelotas e Rio Grande, por exemplo. Para ele, o "timing" de aproveitar as oportunidades ainda é desprezado. "Temos uma economia ainda voltada ao setor primário, com o Porto em Rio Grande, mas diversas chances de criamos produtos e soluções passam pelos gestores e não são aproveitadas. Poderíamos, por exemplo, criar sementes em laboratório para a produção, mas ainda preferimos comprar de outros estados. Isso geraria um ciclo muito interessante na economia local", argumenta.
Para 2026, o Pelotas Parque Tecnológico deve produzir um estudo para entender qual é o impacto sobre as receitas tributárias que a prefeitura da cidade tem com as empresas atuantes no local. Porém, Vinícius Campos dá um exemplo próprio que mostra o potencial da inovação. "A minha empresa foi criada aqui e era a maior geradora de Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) do município. Isso dá a dimensão de como essas empresas podem trazer retorno financeiro ao município e criar alternativas para o desenvolvimento local", complementa o presidente.

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