De Pelotas, especial para o Cidades
A Catedral Metropolitana São Francisco de Paula, em Pelotas, concluiu em setembro uma etapa considerada central em seu processo de restauro: a substituição completa do assoalho. A intervenção envolveu 690 metros quadrados do templo e demandou a atuação de cerca de 30 profissionais especializados.
Segundo a arquiteta responsável pela obra, Simone Neutzling, a última intervenção significativa no piso havia ocorrido ainda na década de 1930. O desgaste provocado pelo tempo e pela umidade tornou necessária a renovação completa da estrutura. “Nós retiramos todas as madeiras, fizemos um novo contrapiso, uma nova impermeabilização e recolocamos essas madeiras na mesma tonalidade, no mesmo tipo de madeira que é a madeira original, nas mesmas dimensões e com o mesmo desenho que era originalmente na Catedral”, explicou.
Ver esta publicação no Instagram
As obras iniciaram-se em março, com financiamento viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC). Parte do trabalho já havia começado com apoio da comunidade, mas precisou ser interrompido antes da retomada neste ano. Com a captação de recursos via LIC, a etapa foi concluída em aproximadamente seis meses.
Durante o período de restauro, a Catedral permaneceu aberta ao público. Para viabilizar o andamento simultâneo da obra e das celebrações religiosas, o espaço foi dividido em duas áreas: de um lado, o canteiro de obras; do outro, a nave acessível aos fiéis.
Além da troca do assoalho, os trabalhos revelaram elementos históricos da edificação. Fragmentos arqueológicos, como tijolos maciços de versões anteriores da igreja, foram encontrados sob o piso. Para preservar essa memória, foi instalada uma janela de prospecção no chão da Catedral, permitindo que os visitantes possam visualizar parte dessa estrutura.
O padre Wilson Fernandes, pároco da Catedral, destacou o significado da entrega. “Desde a conclusão da última etapa, porque a igreja foi construída em várias etapas, nunca havia sido feito o restauro do assoalho. E entregar este restauro é entregar não só um patrimônio de Pelotas e de todos os pelotenses, mas também de todo o Brasil. Para nós, enquanto igreja, é motivo de festa, porque nós temos o espaço de culto e de celebração totalmente confortável para acolher todos aqueles que vêm celebrar”, disse.
O restauro do assoalho integra o projeto Etapa Final da Cobertura, desenvolvido pela Perene Patrimônio Cultural, com financiamento de R$ 2 milhões do Pró-Cultura RS, do governo do Estado. A iniciativa contempla ainda o restauro de trechos da cobertura voltados ao Colégio Gonzaga, a elaboração de um projeto de acessibilidade para o Salão São José, atividades de educação patrimonial e capacitação profissional em técnicas construtivas tradicionais.
Erguida a partir de 1813 e concluída em meados do século XX, a Catedral São Francisco de Paula é um dos principais ícones do patrimônio histórico e religioso do Rio Grande do Sul
Patricia Porciuncula/Especial/Cidades
Segundo a arquiteta Simone Neutzling, a preservação de bens tombados depende também da formação de mão de obra qualificada. “Este projeto prevê ações de capacitação, tanto para profissionais elaborarem projetos de restauração, como para trabalhadores atuarem diretamente na obra, resgatando técnicas antigas que precisam ser mantidas”, explicou.
As próximas etapas do restauro da Catedral incluem a recuperação da cúpula, já aprovada para captação de recursos via LIC, e intervenções nas fachadas externas. Além disso, a comunidade será chamada a colaborar com a restauração dos bancos. “Agora que o piso está restaurado, os bancos também precisam ser recuperados. Convocamos todos a somarem conosco para deixarmos esta casa, que é de todos, adequada para receber a comunidade”, disse o padre Wilson.
Erguida a partir de 1813 e concluída em meados do século XX, a Catedral São Francisco de Paula é um dos principais ícones do patrimônio histórico e religioso do Rio Grande do Sul. O templo abriga pinturas sacras de artistas como Aldo Locatelli e permanece como referência arquitetônica e cultural da região.