Direita vence, mas não tem maioria na Espanha

Esquerda teve resultado acima do esperado em votação no domingo

Por JC

Pedro Sánchez, líder do PSOE, antecipou as eleições na Espanha
Os resultados iniciais das eleições gerais da Espanha deste domingo indicam que não vai ser tão fácil para a direita tomar o poder como se esperava.
Com 96% das urnas apuradas, o Partido Popular (PP), de direita, confirmou o favoritismo e venceu as eleições. A sigla liderada por Alberto Nunes Feijóo, porém, não alcançou uma margem que garantisse a ela a maioria necessária para constituir governo. A legenda, até o final da tarde (horário de Brasília), tinha 136 cadeiras, contra 122 do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de esquerda, do primeiro-ministro Pedro Sánchez.
Mesmo com a vitória, o PP não alcançará o número mágico de 176 cadeiras, que garantiria a maioria absoluta do parlamento espanhol - mesmo unindo-se ao Vox, de extrema-direita, visto como aliado prioritário dos conservadores nas pesquisas anteriores ao pleito. A sigla de ultradireita, segundo informações do El País, ficou com 33 cadeiras. O conservador PP, de Alberto Feijóo, esperava contar com o Vox, conhecido por suas posições anti-imigração e anti-direitos LGBTQIA , para formar maioria no Congresso.
Por outro lado, o PSOE também não alcança maioria apenas com seus votos e os de seu tradicional aliado, o Sumar, coligação de esquerda que reúne seis partidos nacionais e outros 14 regionais, que atingiria 31 cadeiras, segundo as projeções da apuração. Assim, qualquer coalizão depende das siglas menores para formar um governo - em uma costura difícil e que pode, inclusive, resultar na instauração de um governo provisório e na convocação de uma nova eleição. Os fiéis da balança, portanto, podem ser siglas como ERC e Junts, cada uma com sete cadeiras, ou o Bildu, que atingiu seis lugares no parlamento.
A projeção mais provável é de que essas siglas se alinhem à coalizão esquerdista PSOE/Sumar, garantindo continuidade ao governo de Sánchez. O acordo seria movido por um desejo de evitar que o Vox e sua agenda de extrema-direita chegassem, mesmo indiretamente ao poder. Gabriel Rufián, líder do ERC (Esquerda Republicana da Catalunha), já anunciou que os sete assentos de sua legenda irão para a esquerda, e conclamou as outras siglas independentes a seguir o mesmo caminho.
Seja como for, os números contradizem as previsões das principais pesquisas eleitorais do país. Elas indicavam, em média, que o conservador PP (Partido Popular) teria 34% das intenções de votos, o esquerdista PSOE , 28%. Já o Vox e o Sumar estavam empatados em terceiro lugar, com 13% das intenções.
Candidatos das legendas de esquerda esperavam que os eleitores se mobilizassem neste domingo para impedir justamente esse cenário, encorajados ainda por uma aparente vitória em um debate televisivo esta semana, ao qual o líder do PP faltou.
No sistema parlamentarista da Espanha, não se vota em candidatos, mas em partidos. Estes, por sua vez, indicam os deputados para as 350 cadeiras que compõem o Legislativo. A sigla ou a coalizão que conquistar a maioria das cadeiras - ou 176 delas - se torna apta a escolher o próximo premiê.
É a primeira vez na história recente que os espanhóis votam durante o verão. Isso ocorreu porque, após o PSOE perder as eleições regionais em maio para o PP, o premiê Pedro Sánchez antecipou em quase quatro meses o pleito geral que estava programado para 10 de novembro. A ideia do PSOE era conter um desgaste maior frente ao crescimento da direita e diminuir a possibilidade de que o PP continuasse crescendo.
O país, onde o voto não é obrigatório, costuma enfrentar abstenções relevantes: em 2019, mais de um quarto (28,5%) das pessoas não compareceu, e em, 2016, cerca de um terço. (33,5%). (COM AGÊNCIAS)