Presidente do Peru pede 'calma e paz' nos protestos em Lima

Os protestos no Peru já deixaram 42 mortos em cinco semanas, segundo a Defensoria do Povo

Por AFP

(FILES) In this file photo taken on January 05, 2023 Peru's President Dina Boluarte speaks during a press conference after the culmination of a ministerial staff meeting at the Government Palace in Lima, a month after swearing-in as the new President. - Peruvian prosecutors said on January 10, 2023 they will investigate President Dina Boluarte for the alleged crimes of "genocide, aggravated homicide and serious injuries" during protests against her that have left at least 40 people dead in a month. (Photo by Cris BOURONCLE / AFP)
A presidente do Peru, Dina Boluarte, pediu nesta terça-feira (17) às centenas de manifestantes de diversas regiões do país que se dirigem a Lima para protestar contra o seu governo que o façam com calma e paz.
"Sabemos que querem tomar Lima nos dias 18 e 19, por tudo o que está saindo nas redes. Eu lhes chamo para vir a Lima, sim, mas em paz e em calma. Espero vocês na casa de governo para poder dialogar sobre as agendas sociais", disse Dina, que considera a agenda política proposta pelos manifestantes "inviável a partir do Executivo”.
A plataforma de reivindicações dos manifestantes é essencialmente política: renúncia da presidente, eleições imediatas e Assembleia Constituinte. O governo já rejeitou todas essas demandas.
Os primeiros a chegar a Lima foram camponeses da cidade de Andahuaylas, que viajaram em caminhões e carros nesta madrugada e se concentravam na praça Manco Cápac. Em Cusco, dezenas de camponeses em ônibus e caminhões partiram na noite de segunda-feira para a capital, localizada a 1.100 km. Movimentos similares foram registrados na região de Puno.
Os bloqueios de rodovias continuavam pautando o ritmo dos protestos. Nesta terça-feira, amanheceram interditados por piquetes 94 trechos de rodovias em oito das 25 regiões, três regiões a menos do que no último fim de semana. Forças de ordem liberaram nesta madrugada um trecho da rodovia Pan-Americana Norte, que liga a capital a essas regiões.
Em Arequipa, moradores bloqueavam com pedras e troncos a Pan-Americana Sul, que chega a Tacna, na fronteira com o Chile. Segundo o diretor do Conselho Nacional do Transporte Terrestre, Martín Ojeda, com esses novos bloqueios, 80% da frota de ônibus se encontrava paralisada.
"É preciso chamar à reflexão esses senhores, que, por motivos justos, saem e protestam pacificamente, em grande maioria. Contudo, bloquear rodovias, não permitir a entrada de caminhões que levam gás e combustível já deixa de ser um protesto pacífico", opinou a presidente peruana. Os protestos já deixaram 42 mortos em cinco semanas, segundo a Defensoria do Povo.