Janeiro Branco mobiliza a sociedade sobre a importância da saúde mental

O movimento social tem como principal objetivo também, chamar a atenção das instituições e autoridades, buscando um maior respeito e preocupação à saúde mental de todos

Por Estfany Soares

Saúde mental, nos tempos atuais, é luxo
Com o objetivo de mobilizar e informar a sociedade em relação a saúde mental, desconstruindo estigmas e preconceitos, o Janeiro Branco foi criado no ano de 2014. O movimento social tem como principal objetivo também chamar a atenção das instituições e autoridades, buscando um maior respeito e preocupação à saúde mental de todos.
Segundo a psicóloga Caroline da Luz Pereira, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, um dos motivos dos desafios do acesso à saúde mental é a origem elitista da psicologia. “A campanha Janeiro Branco serve para trazer luz ao assunto e incentivar que as pessoas compreendam que saúde mental é importante”, avalia a especialista.
Segundo a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), a procura por atendimentos psicológicos cresceu entre beneficiários de planos entre 2019 e 2021. Nesse período, auge da pandemia de Covid-19, o número de atendimentos relacionados à saúde mental cresceu cerca de 27%. Há também uma parceria maior entre as empresas e os planos de saúde, que oferecem tratamento psicológico. Problemas com saúde mental podem ser um dos principais fatores para afastamento do trabalho e conflitos, o que acaba gerando prejuízo para as empresas. Assim, atualmente debates sobre saúde mental, estão mais presentes em ambientes corporativos.
O médico psiquatra Lucas Zaccaron Bertan explica que a pandemia foi um dos principais agravantes da demanda pelos atendimentos. Quando infectado, o vírus tem a capacidade de atravessar o sistema central e “entrar dentro do nosso cérebro”, assim causando algum transtorno psicológico. “Além disso, tem também a experiência da infecção, alguma perda de uma pessoa próxima, mudanças de rotinas, problemas econômicos e sociais. Isso levou as pessoas buscarem mais atendimentos na saúde mental nos últimos tempos”, explica.
Bertan destaca também os meios de acesso para a população, sendo pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com o CAPS, unidades de saúde e emergências. E, para as pessoas com convênio e planos de saúde, existe a possibilidade de começar os cuidados com a saúde mental também com tratamento multidisciplinar: psiquiátrico, psicológico, assistência social e internação, dependendo das necessidades do paciente.
No entanto, procurar ajuda ainda é um obstáculo para muitas pessoas. “Psicofobia é o termo utilizado para quem tem dificuldade de procurar atendimento psicológico”, explica o psiquiatra. Algumas das causas são os estigmas e a falta de informação. “Não entender como funciona um tratamento psiquiátrico é um dos principais deles, achando que a medicação vai viciar, ou vai ficar dopada, vai ser impedida de trabalhar e se relacionar com outras pessoas. Na verdade é ao contrário”, afirma Bertan.
A psicóloga Caroline ainda explica a importância que a psicologia não se apresente somente como uma forma de cuidado individual e clínica, quando na verdade é preciso falar sobre o que pode-se fazer pela saúde mental no coletivo. “A campanha Janeiro Branco é válida para voltarmos nossa atenção a um assunto tão estigmatizado e negligenciado, mas ainda temos muito o que caminhar acerca do acesso aos serviços de saúde e em políticas públicas que promovam saúde mental para todos e todas”, afirma.