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Desilusão com o marido e morte precoce
O papel fundamental de Leopoldina no processo de Independência brasileira acabou por ficar ofuscado pelos problemas na vida pessoal e matrimonial que ela teve. Quando retornou de São Paulo após dar o famoso grito às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro trouxe consigo algo além da independência brasileira de Portugal. Ele trouxe uma paixão.
E foi essa paixão uma das principais razões para que Leopoldina entrasse em um estado de profunda prostração que, quatro anos depois, a levaria à morte precoce, um mês antes de completar 29 anos de idade.
A viagem de Pedro teve como destino inicial a cidade de Santos, no litoral paulista. E foi lá que ele conheceu Domitila de Castro Canto e Melo, que se tornou sua amante e a quem, futuramente, o imperador concederia o título de Marquesa de Santos.
Domitila de Castro, a marquesa de Santos, foi culpada pela população pela morte de Leopoldina (Wikipedia/Reprodução/JC)
A traição de Dom Pedro I era pública e toda a sociedade da nova corte saia e comentava sobre o caso com Domitila, a quem o imperador passou a dispensar toda sua atenção, honrarias e presentes, além de, também, passar a ser figura frequente na alta roda, influenciando, inclusive, decisões do monarca.
Leopoldina, abandonada pelo marido a quem devotou tanta dedicação, se afundava em dívidas, tendo de recorrer seguidamente ao seu pai, o Imperador da Áustria, para quitá-las. Quando de sua morte, em 1826, o Congresso brasileiro teve, inclusive, de votar uma dotação orçamentária extra para que seus credores fossem pagos.
Seus gastos se davam com os seus empregados pessoais e também com a caridade que fazia. Sem receber a mesada do marido estipulada no contrato de casamento, Leopoldina se falida e amargurada.
Disso para a decadência de sua saúde foi um pulo. Até hoje não se sabe com absoluta certeza qual foi a casal da morte da imperatriz, ocorrida pouco depois das 10h do dia 11 de dezembro de 1826. Sabe-se que, nove dias antes, em 2 de dezembro, Leopoldina abortou o feto de um menino fruto de sua nona gravidez.
Boatos na época falavam quem o imperador a teria agredido com um chute na barriga após ela não comparecer à cerimônia de beija-mão que antecedeu sua partida para o Sul do brasil para acompanhar os desdobramentos da Guerra de Cisplatina. Domitila lá estava, mas Leopoldina se recolheu em seu quarto sob alegação de estar com febre. Dom Pedro teria ido aos aposentos da esposa e a forçado a descer. Com as insistentes negativas, o imperador a teria agredido.
A morte de Leopoldina abalou profundamente o povo do Rio de Janeiro, que lhe prestou profundo luto e comoção. A casa da marquesa de Santos, apontada como culpada pelo desgosto que causou a morte da imperatriz, foi atacada. Para a opinião pública, a imperatriz morrera de desgosto, e o marido e a amante dele eram os principais culpados.
Mausoléu de Leopoldina, localizado sob o Monumento à Independência, em São Paulo (Wikipedia/Reprodução/JC)
“Após o último suspiro de d. Leopoldina, os ministros e os funcionários da corte expediram ordens quanto ao seu funeral. Todas as fortalezas e navios de guerra içaram suas bandeiras a meio mastro, os canhões de terra e mar disparavam a cada dez minutos e os tribunais foram fechados por oito dias”, aponta Rezzutti.
Dom Pedro I estava no município gaúcho de Rio Grande quando, no dia 20 de dezembro, recebeu os primeiros comunicados acerca do difícil estado de saúde da esposa, que foram enviados do Rio no dia 7. Foi apenas no dia 25 – 14 dias após o falecimento –, quando já estava na cidade de Torres, retornando para a capital do império, que o imperador recebeu as cartas comunicando a morte de Leopoldina
Para saber mais
- D. Leopoldina: a história não contada - A mulher que arquitetou a Independência do Brasil
Autor: Paulo Rezzutti - Editora Leya, 464 páginas