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A viagem que mudou o destino do Brasil e de Leopoldina
Em seis de agosto, Dom Pedro assinou o Manifesto às Nações Amigas. No texto – que, inclusive, pode ter sido corredigido por Leopoldina - no qual convocava as nações amigas a tratar diretamente com o Rio de Janeiro e não mais com Lisboa.
No dia 14, teve início a viagem do príncipe para São Paulo. Viagem essa que seria decisiva para o futuro do Brasil e, também, de Leopoldina.
Naquela data, o príncipe partiu para São Paulo, deixando a esposa como regente. Acompanhado por uma comitiva pequena, Pedro chegou a São Paulo em 24 de agosto. No Rio, Leopoldina era responsável pelas questões administrativas e burocráticas do reino. Em uma carta ao marido, disse que, após despachar por seis horas com os ministros, ficara mais cansada do que se fosse a São Paulo a cavalo. “Deus, queria que voltasses em breve, meu gênio não é para tudo isto”, escreveu.
As tensões aumentavam e a princesa, já então uma defensora da causa da libertação, presidiu uma reunião do Conselho de Estado no dia 2 de setembro, no Rio de Janeiro. Na discussão, propôs-se que fosse enviada uma correspondência para o príncipe em viagem dizendo-lhe que proclamasse a independência diante das irredutíveis pressões vindas de Lisboa com vistas a rebaixar o Brasil novamente à condição de colônia.
Junto com a carta com as deliberações da reunião, uma outra missiva, assinada apenas por Leopoldina, foi enviada para o príncipe que estava em São Paulo. Nela, a princesa deixava claro o tamanho e a importância do seu envolvimento nas tratativas políticas que resultaram na independência brasileira.
“Pedro, o Brasil está como um vulcão. Até no paço há revolucionários. Até oficiais das tropas são revolucionários. As Cortes Portuguesas ordenam vossa partida imediata, ameaçam-vos e humilham-vos. O Conselho do Estado aconselhava-vos para ficar. Meu coração de mulher e de esposa prevê desgraças, se partirmos agora para Lisboa. Sabemos bem o que tem sofrido nossos pais. O rei e a rainha de Portugal não são mais reis, não governam mais, são governados pelo despotismo das Cortes que perseguem e humilham os soberanos a quem devem respeito. Chamberlain vos contará tudo o que sucede em Lisboa. O Brasil será em vossas mãos um grande país. O Brasil vos quer para seu monarca. Com o vosso apoio ou sem o vosso apoio ele fará a sua separação. O pomo está maduro, colhei-o já, senão apodrece. Ainda é tempo de ouvirdes o conselho de um sábio que conheceu todas as cortes da Europa, que, além de vosso ministro fiel, é o maior de vossos amigos. Ouvi o conselho do vosso ministro, se não quiserdes ouvir o de vossa amiga. Pedro, o momento é o mais importante de vossa vida. Já dissestes aqui o que ireis fazer em São Paulo. Fazei, pois. Tereis o apoio do Brasil inteiro e, contra a vontade do povo brasileiro, os soldados portugueses que aqui estão nada podem fazer. Leopoldina.”
De posse das cartas, cinco dias depois, Pedro tomou a atitude que alterou os rumos da história.