Capítulo 4: Rua Evaristo da Veiga

Por Juliano Tatsch

Via que recebe o nome do poeta e jornalista liga as avenidas Ipiranga e Bento Gonçalves
Quem vive, trabalha, caminha, circula ou simplesmente passa vez que outra por uma discreta rua encravada no meio do bairro Partenon, em Porto Alegre, não tem ideia de quem é o homem que dá nome àquela via - a não ser que pare para ler o que escrito em pequenas letras nas placas que ficam na esquina da rua com as avenidas Ipiranga e Bento Gonçalves.
Evaristo da Veiga é um desconhecido. Nem na escola se fala dele. Na história dos 200 anos da independência brasileira, o poeta e jornalista é deixado de lado e, quando seu nome é citado, é “en passant”
A sua obra, porém, a letra do Hino da Independência, é bastante conhecida, ainda que, antigamente, fosse mais celebrada (esse jornalista, por exemplo, lembra perfeitamente de quando era aluno do Ensino Fundamental em escola pública nos anos 1990 e, durante o mês de setembro, toda a escola ia para o pátio antes de iniciar a aula e acompanhava o hasteamento da bandeira ao som da música criada por Dom Pedro I e da letra composta por Veiga).
Composto por 11 estrofes, a letra escrita por Veiga é longa. Dificilmente alguém há de se recordar de algo além das duas primeiras estrofes:
Já podeis da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil
Já raiou a liberdade,
Já raiou a liberdade,
No horizonte do Brasil.
 
Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
Conforme registros, a letra teria sido escrita em 16 de agosto de 1822, sob o título de Hino Constitucional Brasiliense. A composição se popularizou e passou a ser cantada pelas tropas, com duas músicas diferentes, uma de autoria do maestro Marcos Portugal e a outra obra do próprio príncipe regente Pedro.
Como era de se esperar, ao príncipe foi creditada a autoria da letra pois, afinal de contas, se a música era dele, os versos também deveriam ser. Evaristo, deixou por isso mesmo, não quis competir com o filho do rei. Em 1833, no entanto, contradizendo ao Visconde de Cairu que havia escrito em um artigo que a autoria da letra de “brava gente” era do ex-monarca, Veiga reivindicou a autoria. Atualmente, os originais do hino escrito por Evaristo da Veiga estão na Biblioteca Nacional.