Na palma da mão e a um toque de distância no bolso, o celular se consolidou como uma central de soluções para a rotina de milhões de pessoas. O Brasil já é o quarto maior mercado global em tempo dedicado a aplicativos e ocupa o top 3 em downloads, com mais de 9,3 bilhões de baixas anuais, de acordo com o relatório State of Mobile, da consultoria data.ai. Se para a maioria o smartphone é sinônimo de consumo, entretenimento e redes sociais, no Rio Grande do Sul a tecnologia ganha espaço como uma ferramenta para descomplicar tarefas do cotidiano, aproximar pessoas e impulsionar novos negócios.
Um exemplo dessa dinâmica vem das ruas da Capital. Para sair do sinal, onde atualmente vende batidas de maracujá, o jovem Mohamed Nacif, de 20 anos, criou o Vant (@vant.af), um aplicativo de gestão financeira para vendedores de rua. Lançada em julho, a plataforma já soma mais de 100 assinantes e aposta na gamificação e na Inteligência Artificial para descomplicar a rotina de quem ganha a vida no asfalto.
"O vendedor, na informalidade, recebe por dia, ele precisa ter uma gestão. A ideia é que eu possa crescer junto com o aplicativo. Meu objetivo é sair da rua, e grande parte da galera que vende lá também quer isso", detalha o empreendedor, que é natural de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense, mas radicado no Rio Grande do Sul desde os 5 anos.
Mohamed concilia as vendas com o trabalho de influenciador nas redes sociais, onde tem mais de 18 mil seguidores e viralizou ao gravar sua rotina. Ele procura bater R$ 1 mil líquidos como meta diária durante as quatro horas em que fica nos semáforos da avenida Ipiranga com a rua Dr. Salvador França, em Porto Alegre.
"É totalmente possível de alcançar, consigo bater tranquilo. O ticket do produto ajuda bastante: como o shake é R$ 35,00, o público de alto padrão paga tranquilo", comenta. O produto lhe custa apenas R$ 6,50, o que resulta em alta margem de lucro.
"O vendedor, na informalidade, recebe por dia, ele precisa ter uma gestão. A ideia é que eu possa crescer junto com o aplicativo. Meu objetivo é sair da rua, e grande parte da galera que vende lá também quer isso", detalha o empreendedor, que é natural de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense, mas radicado no Rio Grande do Sul desde os 5 anos.
Mohamed concilia as vendas com o trabalho de influenciador nas redes sociais, onde tem mais de 18 mil seguidores e viralizou ao gravar sua rotina. Ele procura bater R$ 1 mil líquidos como meta diária durante as quatro horas em que fica nos semáforos da avenida Ipiranga com a rua Dr. Salvador França, em Porto Alegre.
"É totalmente possível de alcançar, consigo bater tranquilo. O ticket do produto ajuda bastante: como o shake é R$ 35,00, o público de alto padrão paga tranquilo", comenta. O produto lhe custa apenas R$ 6,50, o que resulta em alta margem de lucro.
Gestão no bolso
Nessa correria, o que ajuda são as funcionalidades do app, capaz de anotar o número de produtos e registrar vendas, abordagens e gorjetas. A Vant foi desenvolvida com o Claude por meio de vibe coding, técnica em que a pessoa descreve o que quer em linguagem natural e uma Inteligência Artificial escreve o código.
O plano mais em conta custa R$ 29,90 por mês, e o grande diferencial, segundo Mohamed, é o modo de foco, que, além de motivar, vai medindo o desempenho do ambulante de hora em hora.
"Quando você divide a meta, fica muito mais fácil: ver que precisa fazer R$ 250,00 por hora assusta muito menos do que olhar para R$ 1 mil", exemplifica. O app também mostra a taxa de conversão em tempo real e indica se o ponto ainda vale a pena.
"Quando você divide a meta, fica muito mais fácil: ver que precisa fazer R$ 250,00 por hora assusta muito menos do que olhar para R$ 1 mil", exemplifica. O app também mostra a taxa de conversão em tempo real e indica se o ponto ainda vale a pena.
Outra ferramenta é o Caça-Sinal, que mapeia e avalia semáforos e os filtra para indicar por quanto tempo cada um fica aberto e qual é o fluxo de veículos transitando.
Junto a isso, o aplicativo traz a funcionalidade de previsão do clima, baseada em dados de institutos meteorológicos, bem como a centralização das contas bancárias para organizar extratos, faturas e boletos, calculando a quantia diária exata que o vendedor precisa reservar até a data de vencimento das contas do mês.
Ranking ao vivo e comunidade
O estímulo para não desanimar nas ruas também vem de um pódio ao vivo. O sistema premia os líderes de vendas e permite que cada ambulante acompanhe o ritmo dos concorrentes em tempo real.
"A parada da gamificação anima muito o pessoal. No app, você consegue ver se o cara que tá na sua frente no ranking tá vendendo naquele exato momento. O cara já pensa: ‘vou pra rua para passar ele!’. E aí ele vai para cima até bater a meta", aponta.
Além do ranking, foi criada uma comunidade no WhatsApp para servir de apoio e de espaço para troca de experiências entre os ambulantes.
"Esse senso de comunidade é bom para caramba. O pessoal até briga de vez em quando, porque um desconfia do resultado do outro, mas é um ambiente saudável que faz o pessoal se sentir motivado a ir pra rua", brinca Mohamed.
"A parada da gamificação anima muito o pessoal. No app, você consegue ver se o cara que tá na sua frente no ranking tá vendendo naquele exato momento. O cara já pensa: ‘vou pra rua para passar ele!’. E aí ele vai para cima até bater a meta", aponta.
Além do ranking, foi criada uma comunidade no WhatsApp para servir de apoio e de espaço para troca de experiências entre os ambulantes.
"Esse senso de comunidade é bom para caramba. O pessoal até briga de vez em quando, porque um desconfia do resultado do outro, mas é um ambiente saudável que faz o pessoal se sentir motivado a ir pra rua", brinca Mohamed.
O banco do vendedor de rua
O principal alvo de Mohamed é transformar a Vant em um banco digital e passar a concorrer com a popular InfinitePay, instituição financeira usada por quem está começando no empreendedorismo.
"Como hoje qualquer um pode recriar um app igual, a ideia é a gente se tornar um banco no futuro. Em vez de ficar competindo no mercado de código, queremos competir no mercado de transação bancária e concessão de crédito, criando o banco do vendedor de rua", projeta o empreendedor, que pretende viabilizar o produto com marketing orgânico.
"A gente quer ser uma empresa que vai mostrar a realidade do vendedor de rua, sem ser algo engessado. Não preciso gravar um vídeo em um estúdio com fundo preto falando da empresa. Eu posso vir pra rua e gravar: o cara vai ficar muito mais instigado se ver que é a mesma realidade que ele vive no dia a dia", defende.
"Como hoje qualquer um pode recriar um app igual, a ideia é a gente se tornar um banco no futuro. Em vez de ficar competindo no mercado de código, queremos competir no mercado de transação bancária e concessão de crédito, criando o banco do vendedor de rua", projeta o empreendedor, que pretende viabilizar o produto com marketing orgânico.
"A gente quer ser uma empresa que vai mostrar a realidade do vendedor de rua, sem ser algo engessado. Não preciso gravar um vídeo em um estúdio com fundo preto falando da empresa. Eu posso vir pra rua e gravar: o cara vai ficar muito mais instigado se ver que é a mesma realidade que ele vive no dia a dia", defende.
App de corrida do interior desafia os gigantes da mobilidade
A MobyGo opera em mais de 25 cidades, cobra uma taxa menor que Uber e 99 e mira 100 franquias até 2027
Após anos de experiência com gestão de aplicativos de corrida, o empreendedor Leandro Oliveira, de Passo Fundo, observou que, apesar de gigantes e consenso nas capitais, Uber e 99 não ganham espaço no interior. Por isso, adquiriu, no segundo semestre deste ano, a rede MobyGo, aplicativo brasileiro de mobilidade urbana criado em 2018 e que opera por meio de um sistema de franquias em mais de 25 cidades pelo Brasil.
O sistema registra mais de 30 mil corridas mensais e, segundo o novo proprietário, repassa taxas menores aos motoristas — por volta de 17% —, que consequentemente lucram mais.
"A gente oferece um preço bom para o passageiro e uma taxa bem pequena para o motorista, justamente para atrair o público e fazer com que o motorista trabalhe satisfeito. É uma taxa bem simbólica no mercado, porque, se você pega os grandes concorrentes, eles chegam a cobrar até 40% numa corrida", explica Leandro, que, no final de outubro, venceu a concessão para operar nos aeroportos Lauro Kortz, em Passo Fundo, e Sepé Tiaraju, em Santo Ângelo, adquiridos desde julho pela ON8, empresa do ECB Group que investiu R$ 102,23 milhões nos terminais.
"A gente vai ter um bolsão para a MobyGo nos aeroportos, com motoristas fixos, trajando camisa polo", projeta o empresário, que também instalará totens digitais nos locais.
Modelo de franquias
A empresa se sustenta em um modelo de franquias descentralizado, em que o franqueado obtém licença para operar na cidade. A taxa para municípios do interior é de R$ 18 mil, enquanto nas capitais o valor investido é de R$ 35 mil. Leandro diz que é possível gerenciar a operação até mesmo estando em outra localidade, já que a matriz oferece suporte de TI e atendimento para demandas 24 horas.
Para ser viável, o modelo de negócio da marca funciona com uma taxa mínima mensal que, se ultrapassada, passa a cobrar R$ 0,65 em royalties por corrida.
"A gente dá todo o suporte sobre a plataforma, então essa taxa mínima serve para manter a franquia no ar, dar manutenção e atualizações. Nossa intenção não é cobrar um valor muito alto, porque, lá na frente, ele ganhando, eu ganho também: o sucesso dele é o meu sucesso", afirma Leandro, que dispõe de 330 motoristas somente somando Passo Fundo e Marau, na Região Norte, com mais de 20 mil usuários ativos.
Foco nos desertos de mobilidade urbana
O foco da expansão segue sendo municípios entre 35 mil e 100 mil habitantes, e o motivo, de acordo com ele, é o deserto da mobilidade urbana privada.
"A gente foca em interiores, porque é muito mais fácil de se instalar, pois quase não funciona Uber. Vale mais a pena brigar com um concorrente local do que com os grandes aplicativos do mercado", entende o empreendedor.
Além do transporte tradicional de passageiros, a plataforma aposta na diversificação de serviços para atender demandas específicas do interior. Entre os destaques estão o MobDelas — modalidade com corridas exclusivas entre mulheres e verificação via CPF —, o MobPets, voltado ao transporte de animais de estimação, e serviços de tele-entrega MobEntrega e Flash.
Hoje, a MobyGo ultrapassa as fronteiras do Rio Grande do Sul e atua também em Santa Catarina, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Bahia. A meta de Leandro é chegar a 100 franquias até 2027, dominando o mercado do interior ao eliminar barreiras tecnológicas e oferecer uma estrutura pronta de gestão para o novo investidor.
Startup gaúcha usa o "estilo Tinder" para aproximar candidatos e vagas operacionais
Criado em Campo Bom, o Grimpei conecta empresas e candidatos a vagas de emprego operacionais, com respostas por áudio e uso gratuito para quem busca trabalho
"Para contratar engenheiro ou gerente, tem Gupy, LinkedIn, mas onde é que eu contrato a costureira, o soldador?", provoca André Fernando Ferreira, fundador do Grimpei (@grimpei.app), startup de impacto social que conecta empresas e profissionais atrás de vagas operacionais. Criado em 2025, em Campo Bom, o aplicativo é um spin-off da Loftytec — empresa de softwares e inteligência industrial que ele comanda ao lado da esposa, Renata Lopes de Souza.
André comenta que a ideia surgiu ao perceber um descompasso no mercado de trabalho. Enquanto o segmento corporativo se digitalizava com ferramentas de recrutamento avançadas, o recorte da mão de obra operacional continuava preso a métodos arcaicos, com ambas as partes tendo que recorrer a jornais, panfletos ou até mesmo a carros de som pela cidade.
André comenta que a ideia surgiu ao perceber um descompasso no mercado de trabalho. Enquanto o segmento corporativo se digitalizava com ferramentas de recrutamento avançadas, o recorte da mão de obra operacional continuava preso a métodos arcaicos, com ambas as partes tendo que recorrer a jornais, panfletos ou até mesmo a carros de som pela cidade.
Match sem digitar
"Não faz sentido a pessoa querer procurar um emprego novo e não saber que tem uma vaga a duas, três quadras da casa dela", defende André, que busca resolver essa dor com uma interface intuitiva — estilo Tinder —, na qual a navegação é baseada em gestos para dar match entre o perfil do candidato e as oportunidades disponíveis.
A simplicidade da ferramenta atende ao foco social da startup, voltado a reduzir as barreiras de acesso ao mercado de trabalho para candidatos que enfrentam dificuldades com o letramento digital. Em vez de digitar, o candidato pode gravar respostas em áudio, que são transcritas em texto para o recrutador. "Para o RH, fica no formato padrão que ele precisa, mas para a pessoa fica de uma forma facilitada", destaca André, ressaltando que, para o candidato, o aplicativo é e sempre será gratuito.
"Quando as primeiras pessoas foram contratadas, deu um calorzinho no coração ver que estamos melhorando a vida de cada uma delas", diz orgulhoso.
A simplicidade da ferramenta atende ao foco social da startup, voltado a reduzir as barreiras de acesso ao mercado de trabalho para candidatos que enfrentam dificuldades com o letramento digital. Em vez de digitar, o candidato pode gravar respostas em áudio, que são transcritas em texto para o recrutador. "Para o RH, fica no formato padrão que ele precisa, mas para a pessoa fica de uma forma facilitada", destaca André, ressaltando que, para o candidato, o aplicativo é e sempre será gratuito.
"Quando as primeiras pessoas foram contratadas, deu um calorzinho no coração ver que estamos melhorando a vida de cada uma delas", diz orgulhoso.
O empreendedor comenta que o Grimpei precisa de austeridade, e por isso oferece diferentes modalidades para médias e grandes empresas, como Arezzo e Piccadilly. Para quem deseja testar, custa R$ 129,90 por vaga publicada, com texto, fotos e vídeo exibidos no feed do candidato mais o agendamento de entrevistas. Já para quem contrata sempre, o investimento é a partir de R$ 300,00 mensais, sendo possível lançar posições ilimitadas, gerir as métricas de candidatos com dashboard, chat e agenda integrados, além de prioridade no suporte.
Apesar de jovem, o aplicativo já vem sendo reconhecido no cenário gaúcho. Ainda em 2025, o Grimpei ficou em primeiro lugar no BRDE Labs RS e foi finalista do StartupLab Fecomércio 2025. A entidade que representa as empresas do comércio de bens, serviços e turismo do Estado fechou uma parceria com a startup para distribuir a plataforma com desconto aos associados e, em contrapartida, apoiar na divulgação da ferramenta. "A nossa ideia é cobrir todo o Rio Grande do Sul até 2026. Isso agiliza bastante a parte comercial e impulsiona a nossa expansão pelo Estado", acredita. Depois de se consolidar no Estado, a meta de André é crescer gradualmente: o plano é mirar primeiro Santa Catarina e Paraná, para depois alcançar abrangência nacional. No futuro, André não descarta movimentações mais arrojadas, como a aquisição do aplicativo por um grupo maior.
"Temos a ideia de, no futuro, talvez ser comprados por uma empresa grande, mas se isso não acontecer, tudo bem. A nossa intenção é tocar o negócio e ser o mais próspero possível", projeta.
Essa estratégia de expansão se apoia no contato direto com a realidade do mercado de trabalho e na validação do produto no dia a dia, como aconteceu neste ano no Gramado Summit.
"Uma senhora da limpeza veio até o nosso estande e nos falou que não era justo o filho procurar emprego sentado no sofá pelo telefone enquanto ela levava currículo de porta em porta. Queremos evitar justamente essa desigualdade", argumenta.
Essa estratégia de expansão se apoia no contato direto com a realidade do mercado de trabalho e na validação do produto no dia a dia, como aconteceu neste ano no Gramado Summit.
"Uma senhora da limpeza veio até o nosso estande e nos falou que não era justo o filho procurar emprego sentado no sofá pelo telefone enquanto ela levava currículo de porta em porta. Queremos evitar justamente essa desigualdade", argumenta.

