Promovendo a união entre mercado e academia o Tecnopuc, Parque Científico e Tecnológico da Pucrs, promove desde o impulsionamento de talentos até o desenvolvimento de negócios. Partindo das experiências práticas e conexões, o Tecnopuc Experience 2026, evento que começou na última terça-feira (20) e encerra hoje, é um dos movimentos responsáveis por intermediar a conexão entre pesquisa, inovação, investimento e comunidade, visando, principalmente, moldar o futuro.
Para Daniela Carrion, coordenadora de relacionamento do Tecnopuc, são eventos como esse que oportunizam a inovação. "Ter essa possibilidade de beber direto da fonte, que é onde estão nascendo essas tecnologias, pode impulsionar muito qualquer negócio. Acredito que esse é o grande diferencial que o Tecnopuc faz nas trajetórias desses empreendedores", comenta.
Desde a ideação até o desenvolvimento, os empreendimentos que participam do Tecnopuc Experience 2026 são responsáveis por traçar estratégias inovadoras e, que buscam justamente, fazer a diferença no futuro.
Uma das atrações da programação de hoje do evento é a Little Box, que surge do vínculo entre psicologia e tecnologia. A startup com foco em Inteligência Artificial centrada no ser humano, human-centered AI, utiliza os princípios de IA responsável para garantir princípios como autonomia, governança, confiança e segurança às organizações, ao mesmo tempo que atua em prol do fomento à participação feminina na tecnologia.
Para Sibele Faller, CEO e fundadora da empresa, o objetivo principal está em aplicar a tecnologia centrada nas pessoas. "Diante de uma das maiores transformações da história da humanidade, que é a Inteligência Artificial, acredito que precisamos mais do que nunca das ciências humanas", compartilha.
Empreendedora há mais de 14 anos, Sibele idealizou a Little Box em contexto de transição de carreira, após a venda de suas cotas como fundadora de uma empresa da área de riscos psicossociais. "O nascimento da empresa tem uma conexão muito bonita com o início da minha trajetória, porque voltei a trabalhar partindo de uma inquietação que sempre me acompanhou, que é sobre como podemos utilizar o conhecimento e a tecnologia para melhorar a vida das pessoas."
Desde a ideação até o desenvolvimento, os empreendimentos que participam do Tecnopuc Experience 2026 são responsáveis por traçar estratégias inovadoras e, que buscam justamente, fazer a diferença no futuro.
Uma das atrações da programação de hoje do evento é a Little Box, que surge do vínculo entre psicologia e tecnologia. A startup com foco em Inteligência Artificial centrada no ser humano, human-centered AI, utiliza os princípios de IA responsável para garantir princípios como autonomia, governança, confiança e segurança às organizações, ao mesmo tempo que atua em prol do fomento à participação feminina na tecnologia.
Para Sibele Faller, CEO e fundadora da empresa, o objetivo principal está em aplicar a tecnologia centrada nas pessoas. "Diante de uma das maiores transformações da história da humanidade, que é a Inteligência Artificial, acredito que precisamos mais do que nunca das ciências humanas", compartilha.
Empreendedora há mais de 14 anos, Sibele idealizou a Little Box em contexto de transição de carreira, após a venda de suas cotas como fundadora de uma empresa da área de riscos psicossociais. "O nascimento da empresa tem uma conexão muito bonita com o início da minha trajetória, porque voltei a trabalhar partindo de uma inquietação que sempre me acompanhou, que é sobre como podemos utilizar o conhecimento e a tecnologia para melhorar a vida das pessoas."
Em 2026, ela estabeleceu a nova organização e, junto aos sócios Rodrigo Leal e Cristiano Fernandes, opera a iniciativa em modelo majoritariamente remoto, uma equipe pequena e diversificada. "Temos pessoas em São Paulo, Pelotas e Santa Catarina", comenta.
Soluções éticas e inteligentes
Atuando em diferentes frentes, a Little Box aposta na conexão entre IA responsável e pessoas. Segundo Sibele, entre os serviços prestados, destaca-se o NPS Inteligente. A métrica comumente utilizada para medir o grau de satisfação de clientes é integrada à IA para conseguir resultados mais aprofundados.
"Para as empresas, é algo muito bom e para os clientes também, porque a empresa, provavelmente, tem uma margem para conseguir reverter a insatisfação", detalha.
Entre outros produtos desenvolvidos pela Little Box, a empreendedora cita os agentes conversacionais voltados a campanhas e pesquisas, que resultam muitas vezes em dados aprofundados sobre o contexto organizacional, assim como treinamentos voltados ao uso responsável da Inteligência Artificial.
"Em um case, nós criamos um agente para mapear as necessidades dos associados, alcançando um recorde de participação e gerando dados inéditos para o planejamento estratégico da instituição", conta.
IA responsável
Além de uma tônica que movimenta o conceito da empresa, a Inteligência Artificial com ética e responsabilidade perpassa os processos realizados pela Little Box. Para a empreendedora, investir nessa proposta é uma escolha feita perante a falta de percepção geral da necessidade de supervisão humana nos processos.
"Se todo mundo está focado apenas em desenvolver e espalhar IA, sem uma visão crítica sobre seu potencial destrutivo, vazamento de dados ou impacto na saúde mental, alguém precisa atuar na linha da responsabilidade e da governança", explica.
Segundo ela, os próprios produtos e serviços ofertados buscam aprimorar esse letramento para as organizações. "A IA não é neutra, ela possui vieses", destaca Sibele, acrescentando que já existem desenvolvimentos específicos para incorporar na IA princípios como equidade, não discriminação e minimização de dados.
"Se todo mundo está focado apenas em desenvolver e espalhar IA, sem uma visão crítica sobre seu potencial destrutivo, vazamento de dados ou impacto na saúde mental, alguém precisa atuar na linha da responsabilidade e da governança", explica.
Segundo ela, os próprios produtos e serviços ofertados buscam aprimorar esse letramento para as organizações. "A IA não é neutra, ela possui vieses", destaca Sibele, acrescentando que já existem desenvolvimentos específicos para incorporar na IA princípios como equidade, não discriminação e minimização de dados.
IA para elas
Vivenciando cotidianamente os impactos de atuar na tecnologia, a empreendedora busca, agora, promover o letramento tecnológico, a criação de redes e o protagonismo feminino nas decisões que moldam a Inteligência Artificial.
Foi a partir da percepção de baixa representatividade feminina no setor que, em um diálogo informal, a empreendedora, junto a outras empresárias, idealizou o movimento IA para elas.
"Lançamos o projeto para conectar, valorizar e fortalecer a presença feminina nesse campo", diz.
Proporcionando encontros mensais para discutir o tema, a participação no movimento já impactou a realidade da fundadora da Little Box no seu próprio empreendimento. "Percebi que as habilidades pessoais vão ser valorizadas. É sobre pensamento analítico, um senso crítico, a criatividade, a alfabetização tecnológica, que é uma coisa que a gente pode correr atrás", conta.
De governos a PMEs: negócio amplia proteção contra riscos climáticos
A Hopeful desenvolveu software com IA que automatiza planos de contingência
Em 2017, quando a gestão de riscos no contexto das mudanças climáticas quase não atraía atenção de investidores, o pesquisador em epidemiologia e resiliência em desastres Abner de Freitas fundou a Hopeful, um negócio focado em planos de contingência e proteção territorial. Após seis anos mantendo a estrutura sem faturar nada, a procura pelos serviços disparou quando inundações atingiram o Rio Grande do Sul a partir de 2023, episódio que impulsionou a busca de governos e indústrias por planos de prevenção.
"As nossas venture capitals no Brasil não investem capital de risco. Elas querem empresas que já estejam tracionadas, validadas e que queiram só escalar. O caso da Hopeful é um exemplo de Deep Tech, porque começou como uma atividade acadêmica. As pessoas achavam legal, mas ninguém colocava dinheiro", confidencia Abner, que levou a trajetória da Hopful para o palco do Tecnopuc Experience ontem, no painel Cidadania e justiça diante da crise climática.
Além do desinteresse por parte dos investidores, Abner atribui a dificuldade no segmento por disputar o mercado com Organizações Não Governamentais que possuem regime tributário mais favorável.
"ONGs têm aos montes, mas como negócio privado. Não ter concorrente também é um baita desafio. O que nos distingue no mercado é a nossa experiência internacional com mais de 15 países", argumenta o empreendedor.
Os maiores clientes da Hopeful são governos, indústrias e grandes corporações, além de entidades como a Fiergs. Abner coordenou planos de contingência em Porto Alegre, Santa Maria e Santiago, e atualmente está na linha de frente do Programa Caxias do Sul Resiliente. Hoje, a empresa mira um produto de baixo custo para proteger também os pequenos e médios negócios.
Plano de contingência com IA
A resposta foi o desenvolvimento da Hopeful Max, software guiado por Inteligência Artificial para automatizar planos de contingência territorial. "Num desastre, a água não entra só em um estabelecimento, entra num quarteirão, num bairro. Quanto mais empresas e pessoas naquela comunidade utilizarem a ferramenta, maior é o benefício. Se eu precisar de um caminhão durante uma inundação e meu vizinho tem esse recurso disponível no sistema, o mapa de socorro se integra em tempo real", explica.
A lógica do sistema segue a premissa do fundador. "Quem acha que vai proteger tudo num desastre, não protege nada", diz. Segundo ele, em momentos de crise, em que há pouco tempo para agir, é indispensável separar a "célula de sobrevivência" de uma organização das áreas de menor prioridade.
Paralelamente às consultorias técnicas e às tecnologias, a Hopeful investe na disseminação da cultura de prevenção. A startup realiza oficinas, seminários e encontros presenciais em universidades e instituições, com o público-alvo de estudantes, gestores públicos e lideranças comunitárias. A empresa também oferece aulas e cursos on-line gratuitos na Hopeful TV, no YouTube.
Era dos desastres
Se, por um lado, as soluções técnicas avançaram, por outro, a conduta da sociedade não acompanhou esse ritmo, de acordo com a avaliação do especialista.
"Achava que o baixo engajamento era por falta de experiência, mas tratamos 2024 como um meteoro que só cai a cada 150 mil anos. A vivência da dor não nos levou à mudança de hábito, e isso é assustador", desabafa Abner.
Nesse cenário, ele enxerga oportunidade para negócios assim como a Hopeful, uma vez que a recorrência de eventos climáticos extremos torna-se uma variável permanente, capaz de influenciar nos custos e riscos de uma operação.
"A gente entrou numa era dos desastres. O que ocorreu em 2023, 2024 e 2025 vai se repetir, e as empresas que não estruturarem sua gestão de continuidade simplesmente não vão se sustentar no mercado", entende.
Nutricionistas gaúchas criam startup para reduzir o tempo de internação
Palestrante do painel Empreendedorismo na área da saúde, no primeiro dia do Tecnopuc Experience 2026, nesta terça-feira, a nutricionista e professora da Pucrs Etielle Pereira Sonaglio apresentou a trajetória da Nitra (@nitranut), startup de inteligência nutricional hospitalar que fundou ao lado da colega de profissão Larissa Feix.
A origem da Nitra está num gargalo que as duas conheciam de perto. Os hospitais brasileiros operam com uma média de uma nutricionista para cada 30 leitos, segundo a Resolução nº 600/2018 do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). Na prática, essa proporção concentra o trabalho das equipes no monitoramento individualizado e na checagem manual de prontuários.
A startup desenvolveu um dashboard de inteligência nutricional que monitora pacientes 24 horas. A tecnologia analisa a massa muscular e emite alertas automáticos sobre deficiências de nutrientes, sintomas e inconsistências de prescrição médica. O objetivo é evitar complicações clínicas e acelerar altas hospitalares. "A partir das dificuldades que eu e a Larissa vivenciávamos no dia a dia das nossas experiências hospitalares, entendíamos que não adiantava a gente ficar reclamando dos problemas de rotina. Queríamos participar da construção de uma solução", explica.
Sem uma veia tecnológica no início da operação, as fundadoras buscaram o ecossistema de inovação para estruturar o negócio. A Nitra foi acelerada no Tecnopuc Garage, criou seu primeiro protótipo na Agência Experimental de Engenharia de Software (AGES), da Pucrs, e conquistou o primeiro lugar no HCPA Starts, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
"Nós buscamos os programas de aceleração que nos ajudaram a organizar essa ideia, a aprender sobre o empreendedorismo, sobre essas competências complementares às nossas, que nós não tínhamos tanta experiência", revela.
Para viabilizar o software, a Nitra firmou parceria estratégica com a NoHarm.ai —sistema que usa Inteligência Artificial auxiliando a Farmácia Clínica na tomada de decisão —, que assumiu toda a infraestrutura de TI do sistema. "Éramos duas nutricionistas sem um desenvolvedor. Hoje, toda a nossa parte de software tem o suporte deles", aponta Etielle. Atualmente, a startup está em fase de prova de conceito (POC) para implementação em dois grandes hospitais de Porto Alegre.
Gratuidade para o SUS
A Nitra prevê um modelo de negócios de subsídio cruzado, para que todos tenham acesso ao produto. "Queremos que toda ferramenta instalada em um hospital público seja gratuita para os pacientes do leito SUS, sendo somente paga pelos leitos privados. É uma proposta que tem um cunho de impactar de maneira positiva e ampla os pacientes do SUS no nosso país", defende Etielle. "Nosso objetivo sempre foi colocar a nutrição no lugar que ela deve ter dentro do processo de recuperação de um paciente", completa.
O portfólio das empreendedoras expandiu com a criação da NutriCheck, desenvolvida em parceria com o médico Rafael Seitenfus, do Hospital Santa Rita, complexo oncológico da Santa Casa de Porto Alegre. A NutriCheck é um chatbot com IA para triagem e preparo nutricional pré-operatório.
A ferramenta obteve a terceira colocação geral no programa Centelha, sendo a primeira colocada no setor de saúde. "É um empreendedorismo muito respaldado na ciência, para que a gente não seja somente empreendedoras, mas tenha uma empresa que preza pela qualidade do que entrega do ponto de vista clínico e científico, e não apenas como uma solução tecnológica por si", aponta Etielle.

