O Viaduto Otávio Rocha, conhecido popularmente como Viaduto da Borges, foi concebido para conectar as zonas Leste e Sul à região central de Porto Alegre, que até então ficava isolada pelo chamado morrinho. Idealizada no início do século XX, a obra só foi viabilizada em 1932, 18 anos após a primeira proposta. Desde então, a estrutura passou a cumprir uma função que vai além da mobilidade urbana, tornando-se parte da paisagem, da história e da vida cultural da Capital.
Após uma revitalização que se estendeu por mais de três anos, o viaduto voltou a ganhar movimento em 2026 com a presença de novos negócios. Atualmente, 29 espaços comerciais ocupam a estrutura, reunindo estabelecimentos de diferentes segmentos, como gastronomia, bares, loja de vinhos, acessórios e produtos produzidos por artistas locais. O espaço também busca fortalecer a produção cultural de Porto Alegre. Em eventos especiais, artistas, empreendedores e clientes ocupam as calçadas da avenida Borges de Medeiros e a tradicional escadaria do viaduto, ampliando a circulação de pessoas pelo Centro Histórico.
Embora parte das lojas já esteja em funcionamento, a inauguração oficial do Viaduto Otávio Rocha foi adiada para 10 de outubro, quando será realizada a cerimônia oficial como parte da programação da Oktoberfest 2026. A partir da data, os negócios instalados no local deverão funcionar das 10h às 22h.
Loja colaborativa reúne artistas locais
Localizada no Passeio Primavera, na loja 28, a Casa Jambu (@casajambu.poa) reúne mais de 30 artistas. De acordo com uma das pessoas à frente do projeto, Bruna Kuhn, a iniciativa nasceu no Brique da Redenção, onde os mesmos profissionais expõem e comercializam seus trabalhos autorais. "Nosso coletivo nasceu na Redenção, e a ideia é que essa loja funcione de maneira rotativa", explica a empreendedora, afirmando que todo o mês a loja receberá produtos e artistas novos.
Quadros, peças em cerâmica, placas decorativas em metal, ilustrações, arte em vinil, entre tantos outros itens decorativos formam o acervo do local. Além disso, a loja recebe pequenos eventos com artistas convidados, que compartilham com o público um pouco do seu trabalho.
Sobre a escolha do lugar para dar start no projeto coletivo, Bruna acredita que ocupar um espaço central e de fácil acesso ao público contribui na inserção da arte no cotidiano das pessoas. "Achamos que seria interessante. Seria uma oportunidade de trazer vida para o viaduto, além de ser um lugar onde muitas pessoas circulam. Essa é a ideia da Casa Jambu, trazer a arte para o cotidiano das pessoas, mostrar que é possível essa aproximação."
Operação para toda hora: da cafeteria ao wine bar
A Arcos Coffee to Wine (@arcospoa), que fica na loja 26, tem a proposta de atender o público em diferentes momentos do dia. Para os passeios diurnos, o estabelecimento oferece serviço de cafeteria. À noite, o local opera como wine bar, com rótulos gaúchos e uma carta de drinks.
Fábio Rhode é um dos sócios do local e já acumula experiência no segmento. "Tudo começou porque eu trabalhava no restaurante do meu sócio, o Ponto Zero, no Rio Branco", explica. O empreendedor conta que, quando foi aberto o edital para ocupar o espaço, o interesse surgiu imediatamente. Na época, ele propôs ao proprietário do restaurante onde trabalhava que se inscrevessem no edital. "A ideia era fazer um puxadinho do Ponto Zero e colocar alguns produtos a mais", explica Fábio.
Para uma operação que funciona ao longo de todo o dia, foi necessário incorporar um mix diversificado de produtos ao menu. Sanduíches, quiches, bolos e tortas, entre outras opções, compõem o cardápio. Entre os destaques está o pão de queijo na chapa, feito com queijo colonial e que pode ser recheado com salame ou cogumelos. A opção parte de R$ 10,00.
Para quem quer curtir um happy hour, o local oferece opções para compartilhar e acompanhar as bebidas, como tábuas de queijos e charcutaria, além de burratas. "Trabalhamos bastante com produtores locais, dos vinhos aos produtos de charcutaria", destaca.
Bar que celebra religiões de matriz africana abre segundo espaço
Referenciando a cultura afro-brasileira com elementos da culinária gaúcha, o Povoada Gastrobar (@povoadacentro) opera há quatro anos na Cidade Baixa. As empreendedoras à frente da marca escolheram o Viaduto Otávio Rocha para ampliar a operação.
Ocupando a loja 7 da estrutura, o novo ponto segue a mesma pegada do primeiro espaço, homenageando as religiões de matriz africana. “Quando surgiu a oportunidade da gente instalar o Povoada aqui no Centro, principalmente nesse lugar tão importante para a nossa cidade, não pensamos duas vezes. Acreditamos que aqui, a partir do viaduto, é onde começa a Cidade Baixa. Sendo assim, é um segmento do nosso trabalho que já realizamos lá”, afirma Clauciane Santos, uma das sócias.
O Povoada foi um dos primeiros bares a abrir no local, há quase dois meses. O cardápio conta com pratos e releituras do que já é servido no primeiro bar. “A gente trabalha com uma linha de boteco, mas com produtos daqui do Sul. Então, por exemplo, temos croquete de costela, bolinho de salsichão, o charque acebolado”, comenta Clauciane, acrescentando que os vinhos trabalhados pela casa são gaúchos. “Mas não só de vinícolas da Serra, porque todo o Estado produz vinhos, inclusive a fronteira, a Campanha. Nossas cachaças também são daqui, algumas infusionadas por nós”, declara.
Drinks, cervejas e antepastos também fazem parte do cardápio, que tem como destaque o croquete de costela.
“Está sendo muito legal. Os vizinhos estão muito receptivos, e estava todo mundo ansioso com a abertura, porque todo mundo tem uma história com o viaduto.”
Ocupando a loja 7 da estrutura, o novo ponto segue a mesma pegada do primeiro espaço, homenageando as religiões de matriz africana. “Quando surgiu a oportunidade da gente instalar o Povoada aqui no Centro, principalmente nesse lugar tão importante para a nossa cidade, não pensamos duas vezes. Acreditamos que aqui, a partir do viaduto, é onde começa a Cidade Baixa. Sendo assim, é um segmento do nosso trabalho que já realizamos lá”, afirma Clauciane Santos, uma das sócias.
O Povoada foi um dos primeiros bares a abrir no local, há quase dois meses. O cardápio conta com pratos e releituras do que já é servido no primeiro bar. “A gente trabalha com uma linha de boteco, mas com produtos daqui do Sul. Então, por exemplo, temos croquete de costela, bolinho de salsichão, o charque acebolado”, comenta Clauciane, acrescentando que os vinhos trabalhados pela casa são gaúchos. “Mas não só de vinícolas da Serra, porque todo o Estado produz vinhos, inclusive a fronteira, a Campanha. Nossas cachaças também são daqui, algumas infusionadas por nós”, declara.
Drinks, cervejas e antepastos também fazem parte do cardápio, que tem como destaque o croquete de costela.
“Está sendo muito legal. Os vizinhos estão muito receptivos, e estava todo mundo ansioso com a abertura, porque todo mundo tem uma história com o viaduto.”
Loja reúne arte, moda e bar em um único espaço
Pensando em aproveitar ao máximo o novo público do viaduto, o Vão (@vaoartedrinks) aposta em um formato híbrido, mesclando o conceito de loja colaborativa com um bar. Localizada na loja 18 do viaduto, o ambiente abriga trabalhos de 17 artistas contemporâneos, reunindo fotógrafos, ceramistas, artistas gráficos de várias partes do País.
O empreendimento é responsabilidade de Tato Borges e sua esposa Any Malesky, que atuam como produtores de eventos e do ecossistema digital. O desafio de estruturar a iniciativa em um local tão compacto demandou um planejamento atento do casal. "Visualizamos e pensamos bem em tudo que pudesse caber nesses 10 metros quadrados", detalha o empreendedor.
Para complementar a vivência de quem aprecia as obras, o balcão disponibiliza petiscos, cervejas, vinhos e drinks, com o intuito de atrair uma audiência ampla. "Com tanto artista, tinha que ter alguma coisa para beber. E aí montamos um bar também para acompanhar isso".
Morador da região, Tato avalia os primeiros 15 dias de portas abertas destacando o retorno positivo de quem passa pelo local. O produtor comemora a revitalização do espaço e o perfil dos novos frequentadores.
"Moro aqui no Centro já há um bom tempo e está bem diferente. Já é um outro público. Temos recebido um público muito cativo, é uma galera interessada, afim de consumir arte. O viaduto ficou tanto tempo fechado e agora, com esse clima mais florido, está outro jeito", reflete.
O empreendimento é responsabilidade de Tato Borges e sua esposa Any Malesky, que atuam como produtores de eventos e do ecossistema digital. O desafio de estruturar a iniciativa em um local tão compacto demandou um planejamento atento do casal. "Visualizamos e pensamos bem em tudo que pudesse caber nesses 10 metros quadrados", detalha o empreendedor.
Para complementar a vivência de quem aprecia as obras, o balcão disponibiliza petiscos, cervejas, vinhos e drinks, com o intuito de atrair uma audiência ampla. "Com tanto artista, tinha que ter alguma coisa para beber. E aí montamos um bar também para acompanhar isso".
Morador da região, Tato avalia os primeiros 15 dias de portas abertas destacando o retorno positivo de quem passa pelo local. O produtor comemora a revitalização do espaço e o perfil dos novos frequentadores.
"Moro aqui no Centro já há um bom tempo e está bem diferente. Já é um outro público. Temos recebido um público muito cativo, é uma galera interessada, afim de consumir arte. O viaduto ficou tanto tempo fechado e agora, com esse clima mais florido, está outro jeito", reflete.
Espaço une música e cultura no coração da cidade
O bar Compasso (compasso.poa) surge com o objetivo de movimentar a cena artística da região central, com funcionamento diário. Localizado na loja 26 do viaduto, o empreendimento aposta em uma agenda cultural frequente, garantindo shows ao vivo pelo menos três vezes na semana e transitando por ritmos variados. Um dos destaques é o evento de jazz às terças-feiras, que, segundo o empreendedor, rapidamente cativou sua clientela e já se consolidou na programação do bar.
Um dos sócios do negócio é David Cunha, que ressalta a importância de ocupar e revitalizar esse ponto histórico. "Agora estamos vendo vida aqui. Não é só um bar que está abrindo. São quase 30 lojas aqui embaixo do viaduto. Tem uma diversidade muito grande de empreendimentos, tem loja de discos, tem galeria de arte, cafeteria e bares, também vai ter comida. É uma das coisas mais importantes, culturalmente falando, acontecendo na cidade no momento. São muitas lojas, muita gente envolvida em lugar tão central, histórico, bonito, lindo e maravilhoso”.
Na parte gastronômica, as opções de bebida variam entre cervejas, vinhos e uma seleção de 10 sabores de cachaça. Para comer, as requisitadas empanadas argentinas dividem as mesas com pizzas e porções de carne de panela. Como a previsão de contrato é iniciar as atividades matinais às 10h, em breve o cardápio ganhará expansões. "A gente quer botar uma maquininha de café. Com certeza novidades virão por aí, coisas para a gente movimentar o dia também", garante David.
Sanduíches para quem quer viver a cidade
Criado para acompanhar o ritmo acelerado do ambiente urbano, o Pila (@pila.poa) busca entregar praticidade a qualquer hora do dia. O foco do estabelecimento são sanduíches de minibaguetes montados na hora, elaborados com ingredientes regionais e frios. Além das refeições, o espaço conta com sucos, chope, drinks próprios e café passado.
A empreendedora por trás da operação é Carolina Kader. Ela reforça que o endereço foi pensado para abraçar as dinâmicas de quem transita pela região, seja no trajeto da rotina profissional ou nos momentos de lazer. "O Pila é comida para quem vive a cidade. Então, se a pessoa está passando rapidinho de manhã pelo Centro, de tarde ou de noite, depois do rolê, passa aqui e pega um sanduba", resume a empreendedora.
O nome do local carrega uma forte identidade regional, já que a palavra faz referência à gíria que os gaúchos usam para chamar o dinheiro. Essa brincadeira se estende à nomenclatura das receitas da casa, cujos valores giram, segundo a empreendedora, em torno dos "vinte e poucos pila". Dessa forma, o menu estampa alternativas intituladas como Troco, Barão e Cruzeiro. Toda a confecção é artesanal, centralizada em Porto Alegre, e estruturada para atender o público em paradas rápidas de carro ou envio por aplicativo.
A empreendedora por trás da operação é Carolina Kader. Ela reforça que o endereço foi pensado para abraçar as dinâmicas de quem transita pela região, seja no trajeto da rotina profissional ou nos momentos de lazer. "O Pila é comida para quem vive a cidade. Então, se a pessoa está passando rapidinho de manhã pelo Centro, de tarde ou de noite, depois do rolê, passa aqui e pega um sanduba", resume a empreendedora.
O nome do local carrega uma forte identidade regional, já que a palavra faz referência à gíria que os gaúchos usam para chamar o dinheiro. Essa brincadeira se estende à nomenclatura das receitas da casa, cujos valores giram, segundo a empreendedora, em torno dos "vinte e poucos pila". Dessa forma, o menu estampa alternativas intituladas como Troco, Barão e Cruzeiro. Toda a confecção é artesanal, centralizada em Porto Alegre, e estruturada para atender o público em paradas rápidas de carro ou envio por aplicativo.

