Há negócios que usam a marca de 10 anos como ponto de partida para um novo momento. É o caso da Roleta Russa, marca de cervejas artesanais criada há 11 anos dentro da Cervejaria Imigração, em Campo Bom, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Nascida da aposta em um estilo que ainda ganhava espaço no Brasil, a empresa construiu sua trajetória em torno das cervejas artesanais lupuladas e, hoje, segundo Otávio Leon Ermel, diretor e fundador da marca, a Roleta Russa está entre as maiores produtoras desse segmento no País.
A criação da marca partiu de uma percepção dos empreendedores sobre o comportamento do mercado internacional. "Sempre fomos apaixonados por cervejas lupuladas. Baseando-se em uma tendência que se consolidou em outros países, como Inglaterra e Estados Unidos, nós sabíamos que chegaria esse momento no nosso País", comenta Otávio.
Desde então, a operação passou por uma expansão que exigiu mudanças dentro da própria empresa. A fábrica, que começou com 500 m², cresceu ao longo dos anos, acompanhando a evolução comercial da marca. Segundo o empreendedor, atualmente os produtos chegam a praticamente todos os estados brasileiros, além de trabalhos pontuais no mercado asiático.
Crescimento e desafios do mercado
A ampliação da produção e da distribuição exigiu investimentos em processos de controle, além de treinamento e qualificação das equipes. Para Otávio, quanto maior a operação, maior também é o impacto de eventuais erros. "Acredito que o desafio acaba sendo uma sequência: crescer comercialmente, crescer industrialmente, treinar e qualificar as equipes. Sempre com o foco de entregarmos produtos de qualidade, pois quanto mais cresce, mais precisa investir em controles, pois errar pode custar caro quando se é maior", identifica.
A distribuição nacional também adicionou complexidade à operação. Além dos custos logísticos, a empresa precisa lidar com regras tributárias diferentes entre os estados. O varejo, por sua vez, tornou-se um dos principais canais da marca. "Representa grande parte do faturamento, pois após a pandemia este mercado cresceu muito, como consequência do hábito das pessoas consumirem em casa", explica.
Com a primeira década concluída, a preocupação agora é acompanhar a mudança nos hábitos de consumo sem abandonar a característica que deu origem ao negócio. A empresa passou a desenvolver versões que atendem a públicos e ocasiões diferentes, como cervejas lupuladas sem álcool, sem glúten e com zero carboidratos e zero açúcar.
A diversificação também chegou a outras categorias. Recentemente, a marca começou a desenvolver drinks em versões de combos com whisky, vodka e gin. A estratégia é ampliar as possibilidades de consumo e acompanhar novas tendências, mantendo a essência de produtos.
A tecnologia é outra frente de investimento para os próximos anos. "Estamos sempre em busca de tendências e novas tecnologias, recentemente adquirimos um equipamento dinamarquês para a remoção do álcool. Uma tecnologia que retira o álcool do produto pronto preservando o aroma e sabor após a remoção", destaca Otávio.
Para ele, crescer depois dos primeiros 10 anos depende menos de ser fiel a um modelo e mais de entender as mudanças do consumidor. O empreendedor ainda indica ações que podem contribuir com o crescimento contínuo, após a consolidação do negócio. "Tenham uma boa equipe, discutam sobre problemas, soluções e objetivos, o time faz toda a diferença. Invista no seu negócio e entenda as necessidades dos clientes, pois é o consumo gerado por ele que vai determinar a continuidade da sua empresa", aconselha.

