Com foco na necessidade de crianças que se enquadram no Transtorno do Espectro Autista, a Autigames estabeleceu-se como uma plataforma gamificada de metodologia terapêutica. Operando desde 2025, a empresa, que tem como base o Instituto Caldeira, em Porto Alegre, conta com jogos e ferramentas que buscam auxiliar na aquisição de habilidades e no acompanhamento da atividade de crianças usuárias.
A psicóloga Paola Rocco e o CEO da empresa LongView Tecnologia, Fernando Palmeiro, estão entre os cinco sócios da organização.
Segundo a dupla, o projeto foi motivado pela demanda, principalmente de pais de crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista), por jogos digitais que tivessem viés mecânico e terapêutico capaz de auxiliar os filhos.
"Era muito mais uma pegada de dopamina, realmente de jogo mesmo, do que para ajudar a criança no processo", explica Fernando, sobre o panorama do mercado de jogos voltados ao público.
Segundo Paola, a Autigames foi lançada com o propósito principal de ajudar na aquisição de habilidades. "A gente viu realmente se ela [a plataforma] poderia trazer aquilo que a gente entendia, de ajudar crianças a adquirir habilidades", explica.
LEIA TAMBÉM > Deep techs gaúchas unem ciência e tecnologia para solucionar problemas do setor da saúde
Jogos e desenvolvimento
O primeiro jogo lançado foi o Mapa das Emoções, que auxilia no treinamento de habilidades sociais através de vinhetas com histórias dos personagens.
"São situações que as crianças vivenciaram, porque elas sabem como é que aconteceu e por que elas sentiram aquilo que o personagem está sentindo", conta Paola, acrescentando que as histórias desses personagens foram inspiradas em casos de pacientes reais, modificados para compor o jogo.
Junto ao Mapa das Emoções, a Autigames conta com o Laboratório da Calma, voltado para regulação emocional e o Que Cara é Essa?, jogo de memória, no momento em homologação, que utiliza emojis e expressões faciais para ajudar o jogador a associar emoções a situações específicas.
Ecossistema de ferramentas
Além dos jogos, a plataforma possui ferramentas de suporte, propondo um ecossistema que possibilita o desenvolvimento da criança e o acompanhamento por parte dos pais, psicólogos e professores.
"Começamos com a ideia de que seria um jogo, mas hoje a gente entende que isso é uma plataforma", diz Fernando, acrescentando que a plataforma pode ser utilizada, hoje em dia, com crianças com outros tipos de neurodivergência.
Ele explica que a Autigames permite que os responsáveis criem a conta pessoal do usuário e compartilhem com os psicólogos e professores que também utilizem o sistema, inclusive com uma ferramenta de diário que contém as informações sobre o cotidiano da criança à frente do perfil.
"Aquele perfil é sincronizado nesses três tipos de contas, e a gente consegue compartilhar informações do dia a dia daquela criança", explica.
Entre as ferramentas existentes na plataforma, os sócios destacam o "álbum de comunicação", em que o usuário pode montar um álbum de figurinhas com seus sentimentos e imagens, podendo se comunicar ativamente.
"Pareando muito com o cartão de comunicação para crianças não verbais. Então, hoje, a Autigames pode ser jogada e, de fato manipulada, entre família, consultório e profissionais da área de educação com crianças, principalmente autistas do quadro não verbal", explica Paola, enfatizando a extensão da usabilidade da plataforma.
Já o Como estou me sentindo foi idealizado como uma ferramenta que possibilita a criação de avatares representantes de sentimentos, somados a estratégias de regulação.
"Se a criança está com raiva, tem um avatarzinho com fundo vermelho, caracterizando o sentimento de raiva. O que eu posso fazer quando estou com raiva? A criança também pode digitar o que ela realmente pode fazer", explica Fernando sobre o funcionamento da ferramenta.
Ele ressalta que o uso da plataforma não deve ser tratado como algo individual e sem acompanhamento, mas justamente da forma oposta. "É uma plataforma que precisa ser trabalhada por etapas. O profissional que acessa e a família que interage na plataforma precisa conhecer e ser instrumentalizada nela."
Assinaturas
Paola destaca que o projeto não iniciou pela necessidade financeira, e sim como um meio de impacto social. Por conta disso, mesmo que exista a mensalidade para o uso do aplicativo, ela enfatiza a necessidade de manter o preço atrativo.
"Não queremos fazer algo extremamente caro, e sim, fazer algo que realmente caiba no bolso das pessoas, porque a gente sabe que essa ferramenta pode gerar um benefício pela criança imensurável", detalha.
Atualmente, para uso familiar, a plataforma custa R$ 19,90 por mês, possibilitando a criação de até cinco perfis, ou seja, cinco crianças usuárias.
O profissional de saúde pode assinar pelo valor de R$ 150,00 por mês, até 10 pacientes, R$ 250,00, até 20 pacientes, e R$ 350,00 por mês para mais de 20 pacientes.
Como lançamento próximo, Fernando destaca o início do funcionamento da conta para professores, que deve custar R$ 24,90, por mês , incluindo até 10 alunos.
"Professor é uma das classes profissionais que mais trabalham de uma forma dinâmica, flexível e criativa com as crianças."
A Autigames pode ser instalada através das plataformas Google Play e AppStore.

