Júlia Fernandes

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Repórter

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Cultura

DJ Nyack homenageia os 50 anos de carreira de Djavan em show em Porto Alegre

Projeto Djavaneio leva ao público uma viagem através dos 50 anos de carreira de Djavan
A capital gaúcha recebeu na noite do último domingo, no prédio do Clube do Comércio, uma imersão na obra de um dos maiores nomes da música brasileira. Com um long set de cinco horas, o DJ Nyack apresentou em Porto Alegre a Djavaneio - A Festa, projeto dedicado exclusivamente ao repertório de Djavan. A passagem pela cidade marcou mais um show da turnê, que já havia passado por apresentações no Rio de Janeiro e em Curitiba.
A capital gaúcha recebeu na noite do último domingo, no prédio do Clube do Comércio, uma imersão na obra de um dos maiores nomes da música brasileira. Com um long set de cinco horas, o DJ Nyack apresentou em Porto Alegre a Djavaneio - A Festa, projeto dedicado exclusivamente ao repertório de Djavan. A passagem pela cidade marcou mais um show da turnê, que já havia passado por apresentações no Rio de Janeiro e em Curitiba.
Mais do que uma festa, o projeto propõe um mergulho em cinco décadas de carreira de Djavan, reunindo sucessos consagrados e faixas menos conhecidas do grande público. Para Nyack, a ideia nasceu da admiração pela obra do artista e da vontade de apresentar diferentes camadas de sua produção musical.
Em entrevista exclusiva ao Jornal do Comércio, o DJ contou que alimentava esse projeto havia alguns anos e que a extensa discografia de Djavan permitia construir uma experiência diferente das tradicionais festas de música brasileira. 
"Eu sou muito fã do Djavan, muito fã. Eu tive essa ideia há alguns anos de fazer uma festa voltada para a obra dele, porque são 50 anos de carreira, mais de 20 discos. Tem várias nuances, vários lados de Djavan que muita gente ainda não conhece", afirmou. Segundo ele, as cinco horas de apresentação possibilitaram percorrer tanto os grandes clássicos quanto canções que costumam ser valorizadas pelos admiradores mais atentos do cantor. "É como se fosse uma imersão. A gente navega mesmo no universo de Djavan", explicou Nyack.
Embora músicas como Lilás e Samurai costumem provocar as maiores reações do público, Nyack afirmou que os momentos mais especiais para ele acontecem quando são incluídas faixas consideradas "lado B". Segundo o artista, é gratificante perceber a surpresa de quem não esperava ouvir determinadas canções durante a apresentação.
Sintetizar mais de 50 anos de carreira em um único set, no entanto, exigia escolhas. Nyack destacou que cada apresentação é construída de forma diferente, respeitando a energia do público e o contexto de cada cidade. Ainda assim, avaliou que cinco horas são suficientes para apresentar um panorama consistente da importância de Djavan para a música brasileira e para a cultura do País. Falta muita música, óbvio, mas dá para mostrar muito do que o Djavan representa para a música brasileira e para a cultura preta do Brasil", explicou o artista.
Porto Alegre ocupava um lugar especial nesse percurso. O DJ lembrou que a primeira viagem de avião que fez na carreira teve como destino a capital gaúcha, em 2007, para acompanhar o rapper Emicida em um show. Desde então, afirmou ter desenvolvido uma relação de carinho com a cidade e com o público local.
"Para mim era importante trazer Djavaneio para cá porque, em todos os lugares em que toquei em Porto Alegre, fui muito bem recebido. Eu gosto muito da energia do público daqui. Achei que Porto Alegre precisava estar nesse mapa da turnê”, declarou. 
Outro aspecto destacado pelo artista foi a escolha do local da apresentação, realizada na região central da cidade. Nyack afirmou que a realização do evento em um espaço histórico só foi possível pela parceria com a produtora Stay Black. Segundo ele, por se tratar de uma festa independente, dependia de parceiros em quem confiasse para levar o projeto a diferentes cidades. 
Ao comentar a escolha do espaço, acrescentou que ocupar a região central também representava uma forma de ampliar o acesso do público e descentralizar a circulação de eventos culturais para além do eixo Rio-São Paulo.
Essa descentralização, segundo ele, fazia parte da própria proposta da turnê. Nyack lembrou que, apesar de ser paulista, ainda não havia realizado o projeto em São Paulo. Depois da estreia no Rio de Janeiro, o show passou por Curitiba e Porto Alegre, com novas datas previstas em Fortaleza e Brasília.

Um encontro entre música, memória e ocupação cultural

A iniciativa de trazer a Djavaneio para Porto Alegre partiu da parceria entre algumas produtoras locais, entre elas, a Octa Entretenimento e a Stay Black. Para os produtores Nards, à frente da Octa, e Bart, produtora executiva da Stay Black, a homenagem a Djavan ultrapassava o universo da música e representava uma oportunidade de oferecer uma experiência cultural inédita para a cidade.
"Djavan é um dos maiores artistas da música brasileira hoje. O projeto em si também é muito lindo, muito especial. Porto Alegre merecia receber isso", afirmou Bart. Nards avaliou que a proposta transcende estilos musicais específicos, reunindo diferentes públicos em torno da obra do cantor.
“O Djavan está acima do samba, entre outros ritmos. Ele conseguiu transcender isso. Quando colocamos o evento na rua e vimos que quase todos os ingressos tinham sido vendidos, entendemos que a cidade estava esperando uma experiência como essa”, afirmou o produtor. 

Cultura negra ocupando espaços

Os produtores contaram que havia uma expectativa sobre a recepção do evento, justamente por fugir dos formatos mais comuns da cena local. Segundo eles, a rápida procura pelos ingressos confirmou que existia espaço para iniciativas desse perfil.
Para a organização, outro elemento central foi a escolha de realizar a festa no Centro Histórico de Porto Alegre. Eles defenderam que a ocupação de espaços tradicionais da cidade por eventos produzidos e protagonizados por pessoas negras também carregava um significado simbólico.
Segundo eles, ocupar esse tipo de espaço também faz parte do trabalho desenvolvido pelos coletivos negros da cidade. "Chegamos aos clubes”, brincou Nards fazendo referência ao período em que a população negra era proibida de circular em clubes sociais e esportivos. “A gente sempre busca isso: ocupação. Uma ocupação pacífica dos espaços. Mais uma vez estamos rompendo barreiras. O povo preto começa a ocupar e mostrar que pode realizar um evento de qualidade, com um artista de qualidade homenageando outro artista de qualidade. Todos pretos”, celebrou  o produtor. 
Para Bart, iniciativas como essa também reforçam o sentimento de pertencimento. "É proporcionar esse conforto para a galera saber que merece estar nos lugares que está frequentando."