Negócios

Sem fila e com mais autonomia: autoatendimento é aposta de negócios gaúchos

Com autosserviço e gestão por aplicativo, máquinas ampliam presença no varejo
O jeito de consumir se transformou, e o varejo, cada vez mais digital, mudou junto. Cada vez mais presente no dia a dia, o autoatendimento vem conquistando espaço e facilitando a vida dos clientes, garantindo mais autonomia e menos tempo em filas.
O jeito de consumir se transformou, e o varejo, cada vez mais digital, mudou junto. Cada vez mais presente no dia a dia, o autoatendimento vem conquistando espaço e facilitando a vida dos clientes, garantindo mais autonomia e menos tempo em filas.
No Brasil, essa tendência tem caído no gosto da clientela. A expectativa, segundo dados da Grand View Research, é que o setor movimente cerca de US$ 34,6 milhões em 2026 e, para 2033, a projeção é ainda maior: US$ 88,9 milhões, refletindo o avanço das tecnologias e a preferência dos consumidores por soluções mais rápidas, mesmo que haja um esforço maior envolvido. 
E é nessa onda que empreendedores gaúchos querem surfar. Já imaginou ter uma geladeira com chope gelado e artesanal nas dependências do seu condomínio? Essa é a aposta da Veterana Cerveja Artesanal (@veteranacervejaartesanal), que completa 12 anos em 2026. Vinicius Cordeiro, sócio por trás da empreitada, conta com a parceria da Chopptech (@chopptech_oficial), empresa responsável por um modelo inovador de máquinas de chope autosserviço, tocada por um amigo com quem trabalhou no passado.
"Ele estava precisando de um parceiro para tocar, e rolou, porque eu já tinha toda a logística da cerveja", conta. O sistema e o produto estão patenteados pelo parceiro, enquanto a Veterana deu uma nova roupagem à máquina de autoatendimento.

Presença em condomínios

Presente em sete condomínios espalhados pela Região Metropolitana, nas cidades de Canoas, Nova Santa Rita, Porto Alegre e Viamão, a chopeira autônoma fica em evidência aos moradores por um detalhe estratégico: é sempre posicionada perto do salão de festas. A ideia foi pensada para quem consome à noite, até como uma forma de after, para beber sem precisar sair de casa.
No total, são 11 geladeiras, as outras quatro estão passando por melhorias. Uma delas é a maior da frota, que, diferente da tradicional, que possui uma ou duas torneiras, essa tem quatro, e é tão grande que necessita de um guindaste para ser transportada e instalada.

A geladeira comporta até 100 litros de chope, e o cliente possui total liberdade de pegar a quantidade que desejar. No dispenser acoplado à máquina, são disponibilizados copos de 400 ml, mas a servida opcional.

"Tem gente que traz jarra de casa, enche e leva. Tu podes tirar a quantidade que quiseres", explica. O preço é cobrado a cada 100ml, e custa R$ 1,69.

Modelo de negócio sem custo

O custo de fabricação de cada máquina gira em torno de R$ 20 mil, enquanto o custo para o condomínio parceiro é zero.

Em contrapartida, considerando a exposição da máquina no espaço comum e as vendas geradas, a Veterana repassa uma comissão de 3% ao condomínio.

Monitoramento remoto

A operação funciona por meio de dois aplicativos integrados: um destinado ao cliente, para realizar a compra, e outro voltado à gestão operacional das máquinas.

No aplicativo de monitoramento, os proprietários conseguem acompanhar em tempo real o nível exato de chope restante em cada equipamento, recebendo alertas automáticos quando sobram apenas 7 litros, por exemplo.

O sistema também permite abrir as torneiras remotamente para procedimentos técnicos, como esgotamento para limpeza e manutenção, facilitando a operação diária.

Por estar instalada em locais de fácil acesso aos moradores, Vinicius reforça o compromisso com a não comercialização de bebida alcoólica para menores de idade.

Para isso, utiliza a tecnologia da parceira Irispay, plataforma especializada em otimizar o fluxo de bares com autosserviço de chope. O sistema realiza a verificação dos documentos dos usuários diretamente no aplicativo, garantindo que apenas maiores de idade possam consumir.

"Ele tem todo um sistema que autoriza realmente com várias camadas de segurança", esclarece Vinicius.

Divisor de águas

Otimista com o futuro do negócio, o empreendedor afirma que a procura disparou após um vídeo publicado nas redes sociais viralizar nacionalmente.

"Teve mais de 300 pessoas perguntando sobre a máquina. Tem pessoa em Aracaju, no Sergipe, que pediu, em Garopaba, Santa Catarina", conta o empresário, sobre as tratativas em andamento.

Para viabilizar a expansão para outros estados, o planejamento da empresa é vender o equipamento diretamente aos interessados. A recomendação da Veterana é que o novo operador estabeleça parceria com alguma marca regional de chope para realizar o abastecimento local.

"Em uma semana, a gente ensina para a pessoa e ela opera sozinho, não tem dor de cabeça", enfatiza o proprietário, que enxerga seu negócio altamente escalável.

Velha não, Veterana

Ser itinerante e inovador faz parte do DNA da Veterana. Em 2014, a empresa trouxe o conceito do que afirma ser o primeiro Beer Truck do Rio Grande do Sul, instalado em uma Kombi.

O começo de tudo, no entanto, surgiu na própria casa, com várias experimentações cervejeiras na época de ouro da cerveja artesanal, fruto do entusiasmo que o fundador trouxe após morar um ano na Irlanda.

Nos primeiros anos, a produção era cigana — feita de forma terceirizada em outras fábricas. Ao longo da trajetória, a marca também operou um bar na Cidade Baixa, encerrado durante a pandemia, além de estabelecer sua própria fábrica em um galpão no 4º Distrito de Porto Alegre.

Mudar foi necessário

Em razão da enchente de maio de 2024, o espaço da fábrica foi completamente devastado. O maquinário e toda a estrutura permaneceram 23 dias debaixo d'água, forçando a interrupção das atividades do local, que também abrigava um tap room aberto ao público.

Hoje, a empresa já recuperou sua produção e segue operando normalmente, embora o espaço físico tenha passado por adaptações importantes.

"Antes era um bar, mas, com a enchente, tivemos que reinventar o negócio para poder sobreviver naquele ambiente", reflete o proprietário.

Atualmente, o bar da fábrica funciona exclusivamente para eventos. Já o atendimento presencial ao público acontece diariamente, das 16h às 22h, no pátio do Asun da Plínio, com o Veterana Komtainer (@veteranakomtainer), na avenida Plínio Brasil Milano, nº 1609, no bairro Bela Vista.

Empresa de Porto Alegre se consolida no País com vending machines

A RS Vending atua no País com o comércio e a operação de vending machines, representando 3 das maiores importadoras do mercado
Com foco na comercialização e operação de máquinas de venda, mais conhecidas como vending machines, a RS Vending opera desde 2020 no Sul do Brasil, consolidando-se como um dos grandes nomes desse mercado no País. São atendimentos para mais de 50 negócios com características totalmente diferentes em um mercado que, segundo o empreendedor à frente da empresa, Daniel de Castro, ainda tem grande potencial de crescimento.
Trabalhando por mais de 15 anos como piloto, Daniel vislumbrou pela primeira vez a oportunidade de negócio em uma experiência fora do País na cidade de Rosário, onde o hotel que ele estava hospedado possuía apenas vending machines para o oferecimento de produtos e comida. "Olhei aquilo e pensei 'vou estudar sobre isso para levar para o Brasil'", conta.
Após um período de estudos, Daniel estruturou o negócio em 2019 e fundou oficialmente a empresa em 2020, começando com apenas três máquinas em pontos específicos de Porto Alegre. Inicialmente, a RS Vending só oferecia o serviço de operação das máquinas, mas, por volta de 2022, a empresa expandiu para a representação de importadoras, transformando-se também em uma fornecedora desses equipamentos.
Segundo Daniel, o empreendimento se destaca por ter potencial de atendimento para diferentes frentes de negócios, possuindo desde máquinas adquiridas para a venda de calçados até máquinas destinadas à venda de alimentos congelados. "Um dos fatores é a mão de obra escassa e cara no Brasil, as pessoas estão reinventando os seus negócios através de máquinas", explica.
Atuação no mercado
Atualmente, a RS Vending opera em três principais frentes de serviço, sendo a venda de máquinas o principal, com a marca representando as três maiores importadoras de máquinas de vending machine do Brasil.
A operação é a frente de atuação que iniciou as atividades da RS Vending, estando o serviço disponível até os dias de hoje. A organização conta com um depósito na Zona Norte e uma equipe que gere a reposição de produtos em locais como academias e aeroportos. "A gente tem uma equipe que monitora tudo que está sendo vendido em cada máquina. Então, a gente sabe quando precisa repor", detalha.
Existe também uma terceira modalidade em que a marca opera, que são as parcerias na área dos contratos. Clientes da empresa que compraram máquinas com a RS Vending operam nesses pontos, pagando uma percentagem à empresa.
Processo de implementação
O processo de implementação de uma vending machine também conta com outras etapas, segundo o empreendedor, como o transporte e a aquisição de um sistema de pagamentos.
"Nós temos seis transportadoras parceiras que fazem o frete para o Brasil inteiro com um valor bem reduzido para os nossos clientes. Também existe a compra do sistema de pagamento que a pessoa vai implementar na máquina. E esse sistema inclui o gerenciador de estoque." É através de sistemas como este que o controle de vendas e a reposição de estoques são gerenciados.
Modelos e personalização
A RS Vending trabalha com uma equipe de quatro pessoas, com sede em Porto Alegre, mas realiza a maior parte dos atendimentos online. Daniel detalha que são em torno de 30 modelos de máquinas existentes e adaptáveis, conforme a necessidade. Um exemplo dessa versatilidade são as máquinas de cartas de Pokémon, um grande fenômeno que exige uma adaptação das molas para comportar o tamanho dos produtos. 
"O cliente diz que ele quer vender cartas de Pokémon, por exemplo, a gente só faz o ajuste das molas. Troca as molas para que ao invés de servirem para salgadinho, refrigerante, funcionem para produtos fininhos para que ele tenha o máximo de produtos ali", explica. 
Ao todo, a empresa trabalha com máquinas para venda de roupas, cosméticos, alimentos, congelados, café, entre outros.
Compondo os modelos mais adquiridos pelos clientes, ele cita a Combo 10X, atualmente custando de R$ 14,9 mil, que conta com 10 molas para a disposição dos produtos. Existem também máquinas mais simples que partem do valor de R$ 11,9 mil.
A empresa também oferece um serviço de personalização, permitindo que as máquinas sejam adesivadas e ajustadas conforme o tamanho e tipo de produto que o cliente deseja comercializar.
Como ideias para o futuro da RS Vending, Daniel almeja o aumento desse mercado no País, e potencializa essa idealização através de estratégias para ajudar os empreendedores a iniciarem no caminho de aquisição e operação de máquinas. O próximo projeto consiste em um curso gratuito no YouTube apresentando esses passos. "Quero despertar no brasileiro a vontade de empreender através de vending machines."
O contato inicial para atendimento com a RS Vending pode ser realizado via Instagram (@rs_vending) ou por WhatsApp, através do telefone (51) 98181-5473.

Marca de macarons da Serra Gaúcha quer ter 30 máquinas de autoatendimento espalhadas pelo Brasil

As vending machines são o modelo de franquia mais em conta da Le Petit Macarons; máquina ocupa apenas 3m² e não precisa de atendente
Desde a abertura da primeira loja em Bento Gonçalves, há 12 anos, o casal Valquíria de Marco e Roger Righi Coelho transformou a aposta em um produto único em uma rede consolidada, a Le Petit Macarons (@lepetitmacarons). Agora, além de prepararem o desembarque nos Estados Unidos e manterem conversas avançadas para chegar a Portugal, eles apostam numa nova forma de vender o tradicional doce francês: as vending machines.
Atualmente, a marca possui 25 lojas distribuídas em sete estados — Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás —, sendo cinco próprias e 20 franquias, com forte planejamento para entrar no Nordeste, região que ainda não exploraram. Vale destacar que, no último ano, a rede já havia registrado um crescimento de 16% no faturamento ao expandir seus canais de venda.

Uma nova forma de vender

As vending machines são a mais nova e a maior aposta do casal. A ideia surgiu da necessidade estratégica de alcançar locais que ainda não eram atendidos pelas lojas físicas, embora o desafio seja acostumar o público brasileiro a esse novo hábito de consumo.
"Conseguimos garantir que a experiência do consumidor é idêntica à de uma loja física, já que o conceito sofisticado das embalagens e a qualidade artesanal dos doces é rigorosamente mantida", comenta Roger. Nas máquinas, o cliente encontra os doces em caixas fechadas de três ou seis unidades, divididas nas coleções Frutados, Chocolates e da Chef.
O grande diferencial do modelo é a otimização de espaço e de mão de obra. As máquinas ocupam uma área de 3 m² e possuem um serviço de autoatendimento com software integrado que avisa em tempo real quando é necessário repor os macarons, não sendo necessário contratar funcionários para atendimento presencial.
Graças a essas sacadas, Roger diz que o franqueado consegue programar uma rota semanal tranquila e uma única pessoa é capaz de cuidar do abastecimento e da manutenção de cerca de até dez vending, que também é o modelo de franquia que menos demanda investimento. Para abrir a operação de autoatendimento, o custo inicial é de R$ 70 mil e já inclui a taxa de franquia, embora exija mais R$ 10 mil de capital de giro. O faturamento médio mensal pode chegar a R$ 30 mil, com um lucro médio de 20% e prazo de 12 meses para o investimento se pagar.
Atualmente, existem duas unidades em São Paulo — no Shopping Metrô Tucuruvi e no Shopping Internacional de Guarulhos, esta última em processos finais de instalação  — e uma em Caruaru, em Pernambuco. A rede está em negociação avançada para mais sete locais a curto prazo, e planeja desbravar novos ambientes de alta circulação, como condomínios, prédios corporativos, hospitais, clínicas e universidades. A meta da Le Petit Macarons é fechar o ano de 2026 com um total de 30 vending machines ativas em todo o País.

Desembarque internacional

O próximo grande passo da marca é a abertura, ainda neste ano, da primeira loja em Orlando, nos Estados Unidos, após oito meses de testes de mercado. Segundo Roger, o público americano se surpreendeu com a qualidade. "Quando digo para pessoas lá nos Estados Unidos 'olha, nós vendemos macarons', elas respondem 'ah, eu conheço'. Então eu digo 'tudo bem, mas experimente o nosso'. E elas acham a qualidade completamente diferente", observa.
A estratégia inicial para driblar os custos será exportar os doces congelados do Rio Grande do Sul via transporte aéreo. A operação é viável, de acordo com Roger, graças aos incentivos fiscais. "Para mandar produto para os Estados Unidos, a gente não paga imposto. Não pagando imposto, pagamos o frete e ainda sobra dinheiro", revela o empresário. A fábrica que possuem em Bento Gonçalves produz cerca de 15 mil macarons por dia, mas é capaz de muito mais. Atualmente, ela opera com 40% de ociosidade estratégica, e dará conta da demanda até que a rede justifique a abertura de uma indústria em solo americano ou europeu, em Portugal.

Aposta contra as estatísticas

O sucesso dos múltiplos modelos contrasta com uma desconfiança inicial em Bento Gonçalves. Roger lembra que o casal recebeu inúmeras críticas na época. "Todo mundo dizia para nós 'vocês vão botar uma loja com produto único, isso não vai vender. Em seis meses estarão quebrados. Têm que colocar pão de queijo, coxinha, colocar misto quente'", recorda.
A receita perfeita custou a Valquíria um ano e meio de testes e ingredientes descartados para dominar a técnica francesa. A virada de chave ocorreu com um pedido de 1,2 mil macarons para um evento corporativo. "A Valquíria, na época, era corretora de imóveis. Ela pediu dispensa na empresa e ficou três dias e três noites produzindo para a gente conseguir entregar", conta Roger, que atuava no setor moveleiro e já possuía expertise com franchising.

Os queridinhos do público

Hoje, com uma unidade vendida a R$ 10,50, o catálogo conta com 33 sabores. Para manter a inovação, a marca substitui anualmente os dois de menor saída por novidades. No entanto, o topo das vendas permanece inabalável em todos os CEPs, tendo o Crème Brûlée como líder isolado, seguido pelo de pistache, caramelo com flor de sal, Nutella e brigadeiro de avelã.