Negócios

Empreendedores apostam em serviços especializados para o mercado pet

De novos negócios a grandes players, empresas de diferentes portes atendem à crescente demanda por produtos e serviços voltados para pets
O setor pet brasileiro vem demonstrando uma vitalidade expressiva ao longo da última década. Segundo levantamento do Sebrae, a abertura de micro e pequenas empresas voltadas a animais de estimação cresceu 22% entre 2023 e 2025, somando 41,6 mil novos empreendimentos no período. O mercado, que já movimenta cerca de R$ 77 bilhões, de acordo com a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), consolida o cuidado com pets como um dos segmentos mais dinâmicos da economia nacional.
O setor pet brasileiro vem demonstrando uma vitalidade expressiva ao longo da última década. Segundo levantamento do Sebrae, a abertura de micro e pequenas empresas voltadas a animais de estimação cresceu 22% entre 2023 e 2025, somando 41,6 mil novos empreendimentos no período. O mercado, que já movimenta cerca de R$ 77 bilhões, de acordo com a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), consolida o cuidado com pets como um dos segmentos mais dinâmicos da economia nacional.
Nesse cenário de expansão do mercado pet brasileiro, quem passa pela rua Giordano Bruno, no bairro Rio Branco, provavelmente já teve a atenção fisgada pelo portão laranja que leva ao fundo de um terreno onde funciona, desde setembro de 2024, o Quintal Pet Shop (@quintal.petshop), espaço que reúne um parquinho gratuito para tutores brincarem com seus cães, serviços de banho e tosa individuais pensados para reduzir o estresse dos bichanos e uma loja completa com produtos.

Quem torna tudo isso possível é a farmacêutica de formação Leticia Kapper e o administrador Guilherme Meyer Oliveira. Casados, o prelúdio do que mais tarde viabilizaria o negócio aconteceu com a chegada de uma nova integrante da família: a Shanti — ou Shan, para os mais próximos.

A cadela de grande porte os adotou em maio de 2023, quando se encontravam há mais de 11 mil quilômetros de distância de Porto Alegre, em Israel, onde viveram por cinco anos. O casal retornou ao Brasil após os ataques do Hamas em 7 de outubro daquele ano, marco do agravamento do conflito na região, trazendo na bagagem referências que, mais tarde, ajudariam a moldar o Quintal.

Inspiração nos cachorródromos israelenses

Até chegar o dia da adoção, a conexão com o universo pet vinha, inicialmente, de Guilherme. Fora de suas áreas de formação, Leticia exerceu em sua estadia no país atendimento ao cliente e gestão de equipe, enquanto o marido encontrou trabalho em uma pet shop, onde ascendeu: iniciou no trabalho braçal e chegou até o cargo de gerente da loja. "Trabalhava só carregando peso, pois não falava a língua", lembra.

Devido ao tamanho da Shanti, eles perceberam que ela precisava gastar bastante energia, o que os levou a experimentar um conceito da cultura local que os inspiraria no futuro: os cachorródromos espalhados por praças da cidade.

"Tinha um perto de casa que a gente sempre levava ela. A gente conhecia as pessoas, sabia os horários e tinha até grupo para combinar encontros entre os tutores", recorda Leticia.

Foi a partir disso, que surgiu a ideia do parquinho gratuito no negócio. "A gente queria formar uma comunidade mesmo, pensada para que as pessoas trouxessem seus cachorros sem compromisso. Daí tu conheces a loja, tem potencial de virar meu cliente, mas sem precisar pagar nada, é voltado para a vizinhança do bairro", esclarece. No local, são disponibilizados bolinhas e demais brinquedos para os cães brincarem soltos.

Atendimento consultivo

Com o divisor de águas causado pela companheira de estimação, os dois mergulharam de vez no universo pet e passaram a se interessar e pesquisar cada vez mais pelo assunto. Mas o gatilho para abrir a pet shop foi justamente tentar comprar comida para Shanti.

O casal procurava uma ração de peixe que ela já comia em Israel, mas não foram atendidos da melhor maneira em lojas brasileiras. "Chegamos aqui e não tinha a comida que a nossa cachorra comia", recorda Guilherme, do episódio que vieram com somente três dias de ração garantidos.

O sentimento empregado levou à criação de um atendimento consultivo, focado em ajudar o cliente. "Ficou ainda mais forte essa coisa de ter uma pet shop que as pessoas entrassem e tirassem a dúvida, e a gente conseguisse conversar sobre", elucida a empreendedora.
Por esse motivo, desde então, a cachorra tem um papel fundamental na rotina do negócio. Ficou encarregada de ser a testadora oficial dos alimentos e mordedores que chegam até a pet shop.

"Se tu olhas as nossas redes sociais, tem vários vídeos da Shanti experimentando coisas da loja. A galera gosta muito disso, até para não comprar no escuro", aponta Letícia.

Os petiscos e mordedores naturais fazem sucesso, tendo como produto mais exclusivo — que trouxeram como referência do exterior — o queijo de yak, feito com leite de búfalo do Himalaia, o qual esgotou rapidamente na loja. Já os petiscos são desidratados e usam carne, como pulmão bovino, ovino ou suíno.
"É proteína pura, não tem nenhum aditivo ou qualquer componente que faça mal para eles, e é bem mais saboroso", avalia.

Segundo Letícia, cada produto é testado individualmente, já que o gosto e a durabilidade variam conforme o porte e o comportamento do cachorro. 

A venda de itens como esse corrobora para a prática do enriquecimento ambiental, como explica Leticia. "O cachorro que mora no apartamento não tem as coisas que ele tem na natureza. Ele não caça, não caminha, não cheira, não se joga na água. O propósito é trazer essas coisas que são instintivas para ele, mas no ambiente que ele está morando."
Os produtos sazonais também ganham destaque conforme a época do ano. Com a chegada do frio, a procura por roupinhas, cobertores e camas mais confortáveis para os animais torna o giro da loja interessante, conforme Leticia.

Um dog de cada vez

O banho individualizado é uma das maiores apostas do Quintal. Após fazer um curso de banho e tosa, a farmacêutica rejeitou o modelo tradicional das pet shops — onde vários cães são lavados ao mesmo tempo e ficam presos em gaiolas — e oferece um banho por vez: o cachorro entra, toma banho, é seco e finalizado antes que o próximo seja atendido. "Pet shops tradicionais fazem 60 banhos por dia, a gente faz 200 no mês. Isso para preservar a qualidade e não estressar o pet", assume Guilherme.

Em cerca de um ano e meio de operação, o casal tem todos os serviços planilhados: foram realizados mais de 2,5 mil banhos e mais de 400 tosas.

Proximidade com a clientela

Outro ponto que o casal faz questão de destacar é o atendimento próximo dos clientes, característica que, segundo eles, surgiu justamente da experiência negativa que tiveram ao procurar produtos para a Shanti quando chegaram ao Brasil. "A gente faz um baita esforço para lembrar o nome do cachorro, o que que gosta de comer, o que que gosta de brincar", conta Guilherme.

O crescimento da clientela, porém, começou a tornar esse acompanhamento mais difícil de ser feito manualmente. "Quando a gente abriu, eram 10 cachorros que a gente fazia isso, agora são 50, semana que vem vai ser 100. A gente começa a se perder e, querendo ou não, é muito sério esquecer disso, já que a pessoa está contando com a gente, que iremos lembrar", afirma Guilherme.

Aplicativo vai registrar preferências dos cães

Foi justamente dessa necessidade de manter o atendimento próximo e personalizado que surgiu a ideia do aplicativo próprio, em fase de desenvolvimento pelo casal.

O Furly para Quintal vai registrar preferências específicas de cada pet, como o tipo de finalização desejada pelos tutores — seja com bandanas, lacinhos e brilho ou sem adereços —, além do comportamento durante os atendimentos e alertas sobre vencimento de antipulgas.
"Vai nos ajudar nessa gestão interna e aprimorar e entregar exatamente o que o cliente precisa, além de também gerir a nossa agenda", compreende o empreendedor.

Endereço e horário de funcionamento

O Quintal Pet Shop está localizado na rua Giordano Bruno, nº 82, no bairro Rio Branco. O atendimento ocorre das 9h às 19h, de segunda a sábado. 

Empresa oferece passeios para cães sob metodologia própria na Capital

A iniciativa promove passeios para cachorros realizados por universitários em busca de renda extra
Da vontade de fazer renda extra e da convergência com necessidades de tutores de pets surgiu a Cusko Passeadores de Cães (@cusko.passeadores). A iniciativa, que promove passeios para cachorros, opera nos moldes atuais desde as enchentes de 2024, totalizando mais de 1 mil passeios realizados por mais de 40 passeadores formados sob metodologia própria.
Henrique Proença, 28 anos, é o nome à frente do negócio. Como estratégia de conseguir renda extra, o estudante de fisioterapia iniciou no ramo de passeios de cães como passeador autônomo, completando mais de quatro anos em atividade. 
A virada de chave para o empreendimento ocorreu a partir das enchentes de 2024, quando ele atuou na linha de frente, principalmente em abrigos de animais. Por conta do momento difícil que o Estado passava, ele perdeu boa parte das oportunidades de serviço e clientes. "Precisei me reerguer na enchente, resgatando cachorros e conquistando novos clientes", conta.
Foi a partir da divulgação do seu trabalho e atuação nessa linha de frente que muitos amigos universitários se interessaram em ajudá-lo a retomar o negócio no ramo de passeios. As demandas foram divididas entre diferentes pessoas, fazendo com que ele percebesse uma oportunidade de transformar a atividade em algo maior, indo contra o formato competitivo e individualista que percebia quando iniciou o serviço.
"Quando busquei apoio de outros profissionais, fosse para oferecer meus serviços como passeador ou simplesmente para entender melhor como funcionava o setor, recebi muitos 'nãos'. Percebi que o mercado me enxergava mais como um concorrente do que como alguém interessado em aprender e contribuir", detalha.

Modelo orgânico

Para Henrique, foi justamente a dualidade de dois tipos de necessidades que guiou o modelo de negócios da Cusko.
De um lado, pessoas que possuem cães, mas passam grande parte do dia fora de casa, trabalhando, estudando ou cumprindo com suas obrigações. Esse grupo se beneficia a partir de muitos estudantes universitários em busca de uma fonte de renda extra compatível com suas rotinas acadêmicas. Segundo Henrique, cerca de 80% dos passeadores que trabalham com a Cusko são compostos por esse público de jovens estudantes. Atualmente, essa parceria é firmada em modelo de prestação de serviços.
"Quem gosta de passear na Cusko vai divulgar a Cusko para outras pessoas. É muito orgânico", conta. Ele explica que os passeadores aumentam, principalmente, conforme as demandas por localidade, em um modelo em que o empreendedor implementou um banco de interessados em realizar passeios.
Os prestadores de serviço selecionados pela organização são capacitados com um curso desenvolvido a partir de uma metodologia própria, idealizada conforme a experiência de Henrique ao longo de muito tempo no ramo.
"Por conta do curso, a gente consegue padronizar mais o serviço, tendo mais tranquilidade. Os passeadores ganharam a camiseta oficial da Cusko, a guia de passeios, a coleira, a cordinha de passeio, que tem 5 metros", detalha.
Depois do teste de diversas metodologias, a formação dos passeadores está estruturada dentro de uma plataforma de gestão de cursos, com oferecimento gratuito aos passeadores escolhidos. Henrique explica que o treinamento interno prioriza a padronização da experiência do cliente através dos processos, contemplando cachorros de todos os portes e raças.
Os passeios são acompanhados com compartilhamento de localização em tempo real por GPS, existindo o número máximo de três cães por passeador. O empreendedor salienta que sempre que possível o tutor conta com o mesmo passeador no atendimento, aumentando vínculo e confiança.
Os passeios são acompanhados com compartilhamento de localização em tempo real por GPS, existindo o número máximo de três cães por passeador. | Cusko Passeadores de Cães
Os passeios são acompanhados com compartilhamento de localização em tempo real por GPS, existindo o número máximo de três cães por passeador. Cusko Passeadores de Cães
"Temos cinco passeadores no momento e estamos em constante expansão. A gente está falando de uma equipe que já teve 40 pessoas treinadas", detalha. 

Estratégias de Crescimento

Após um longo período de operações, em 2025 a Cusko interrompeu seus serviços por seis meses. Henrique conta que o momento teve ligação direta com os estudos e com a dificuldade de conciliar a vida universitária com um empreendimento. "Nessa pausa que a gente fez, todos os dias a gente recebia mensagens de clientes, passeadores, querendo participar do curso, querendo entender a função dos parceiros", detalha. O empreendedor explica que a empresa voltou mais estruturada e com estratégias de crescimento. 
A marca já teve experiências fora do meio local da Capital e do Estado. "A gente conseguiu atingir pessoas de fora, o que deixou a empresa mais visível no mercado." No momento, a empresa busca por um sócio estratégico que possa contribuir para uma expansão em mais cidades. "Onde tem estudantes e tutores, tem potencial para a Cusko", conta.

Serviços e contato

Os pacotes de passeio podem variar de acordo com a necessidade do cliente, mas partem de opções mensais, que variam de R$ 35,00 a R$ 55,00 por passeios com cachorros de todas as idades, raças e portes.
A contratação dos serviços da Cusko e o contato para novos passeadores são realizados via WhatsApp, pelo número (51) 99640-1510. 

Farmácias São João entra na corrida do mercado pet com linha própria

Com itens que vão de ração a hidratante para patinhas e focinho, a nova linha da gigante farmacêutica aposta na praticidade e no consumo por conveniência
Grandes players do mercado também estão entrando com tudo no ramo pet. Em março deste ano, a Rede de Farmácias São João lançou uma linha dedicada ao cuidado dos animais de estimação. Nomeada como São João Pet, a coleção abrange diversos itens e foi idealizada a partir da observação de uma nova conduta dos clientes, que demandavam produtos desse segmento.
“Enxergamos um forte crescimento do mercado pet e da mudança no comportamento do consumidor, que passou a considerar os animais de estimação como membros da família”, explica Marco Machry, diretor de compras do grupo farmacêutico.
Ao identificar essa oportunidade, Marco esclarece que o lançamento, além de fortalecer a marca, nasceu com o intuito de oferecer produtos com qualidade, preços mais justos e que, claro, atendessem às necessidades da clientela. O mix inicial criado pela farmácia inclui ração para gatos adultos e castrados, 1 kg por R$ 22,90, além de opções para cachorros filhotes, de raças pequenas, médias e grandes, pelo valor de R$ 19,90.

Para ter um pet cheiroso

A São João Pet também incorporou itens essenciais para facilitar o dia a dia dos tutores no que se refere à manutenção da limpeza diária e ao controle de odores. Custando R$ 24,90, a areia higiênica, de 4 kg, é o item mais vendido da linha até então, seguido do tapete higiênico, disponível em versões com sete e 30 unidades, respectivamente, por R$ 24,90 e R$ 69,90.
Além desses itens, a partir de R$ 19,90 é possível adquirir produtos voltados ao banho e à estética de cães e gatos, categoria que possui a maior variedade da linha São João Pet. Entre os produtos estão colônia, hidratante para patinhas e focinho, condicionador, shampoo 2 em 1 e banho a seco, alternativa que dispensa o uso de água e enxágue, oferecendo praticidade no dia a dia ou em situações emergenciais.

Tudo num lugar só

Como observa Marco, o canal farma vem ampliando seu papel como um ponto de conveniência, aberto a novas mercadorias, como a categoria pet, que acompanha essa transformação.
“Iniciamos o projeto com os produtos mais procurados pelos nossos consumidores, atendendo às principais necessidades dos tutores”, esclarece Marco. O diretor afirma, ainda, que a linha estuda novos itens e poderá ser ampliada conforme a demanda.
Segundo Marco, a expectativa em relação ao segmento pet é bastante positiva, aliada à comodidade esperada pelo cliente ao entrar em uma loja do varejo.
“Os consumidores querem resolver diversas necessidades em um único estabelecimento”, percebe Marco, que, de olho em outras redes, constata o potencial de crescimento desse conceito de conveniência.