Jamil Aiquel e Júlia Fernandes
O Fórum do Mercado e Indústria Digital (FIND) 2026, idealizado pela AnaMid (Associação Nacional do Mercado e Indústria Digital), aconteceu na últaima semana em Porto Alegre discutindo o caos e a magia da Inteligência Artificial. Neste ano, o evento recebeu mais de 1,1 mil inscritos, um aumento de 20% em relação à edição anterior. “Isso prova que a nossa leitura de mercado e o que queremos com esse evento está muito claro e condizente com o que está acontecendo”, comentou Alexandra Zanella, vice-presidente da AnaMid.
Além dos palcos, um espaço foi dedicado a expositores que apresentaram soluções e novidades. A agência Escala trouxe um novo produto baseado em dados e Inteligência Artificial. “Estamos apresentando o Lidero, um raio-x de growth baseado em sete dimensões estratégicas, com dados auditáveis e benchmarking de mercado”, explicou Roberta Selistre, sócia-diretora da empresa. Para ela, o diferencial do FIND está na curadoria. “São profissionais referência no Brasil, trazendo exemplos concretos de aplicabilidade desse novo marketing impulsionado pela IA.”
A plataforma de e-commerce Magazord também marcou presença. Segundo Rafael Souza, gerente da empresa, o evento dialoga diretamente com o momento da companhia. “Estamos muito à frente na implementação de Inteligência Artificial. Participar aqui é contribuir com o ecossistema e entender como podemos evoluir junto com o mercado.” Ele reforça a importância da troca de conhecimento. “Quanto mais conteúdo a gente gera e compartilha, mais desenvolvemos o mercado como um todo.”
Confira alguns insights do Find:
1. Hugo Rodrigues, sócio da WMcCann
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Ao revisitar a história da publicidade, o executivo falou sobre a evolução do setor, da era criativa dos anos 1980 à ascensão da tecnologia, e defendeu a relevância das agências. “As agências não vão morrer, mas vão ter que aprender a dividir o bolo”, afirmou. O palestrante reforçou ainda a importância da disciplina na construção de resultados. “A disciplina faz a diferença independentemente da área que a gente está”, pontuou.
Ao abordar o impacto da tecnologia, Rodrigues alertou para o bombardeio constante de informações e tendências. “Todo dia surge uma fórmula mágica. A gente se sente perdido, como se estivesse ficando para trás”, afirmou. Para ilustrar, citou movimentos recentes que não se consolidaram, como o metaverso. “Por que você sofre quando erra? O Mark Zuckerberg errou”, comentou.
Rodrigues defendeu que marcas e profissionais precisam reimaginar a forma de vender. “Todos nós estamos vendendo o tempo todo”, disse. Ele citou exemplos práticos para mostrar que não existe uma única fórmula, mas sim múltiplas abordagens que devem considerar contexto e público.
2. Rafael Sbarai, director of Product Marketing & Business Innovation da Cazé TV
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Sbarai foi categórico ao falar sobre o paradoxo trazido pelas novas ferramentas tecnológicas. Ele explicou que, se por um lado a IA facilita a produção de grandes volumes de texto, por outro, ela gera um crescente esgotamento mental no ambiente de trabalho. A facilidade na geração de relatórios impecáveis na aparência, mas rasos em significado, tem sobrecarregado os profissionais, que perdem tempo decifrando e-mails longos que, no fim, atrasam a tomada de decisão.
"A IA ajuda em algum grau a resolver o problema do ato de escrever, mas ela começa a criar um problema de ler", alertou.
"A IA cria textos longos, relatórios impecáveis, mensagens muito interessantes, mas que no fim você olha e ela não diz absolutamente nada. Pior, a gente não está revisando, passamos adiante, e ficamos em um loop eterno em que as coisas não saem do lugar e a produtividade, obviamente, cai", complementou Sbarai.
o diretor da Cazé TV argumentou que o futuro do trabalho vai exigir muito mais profundidade do que generalismo. Para extrair o melhor da tecnologia, os profissionais precisarão ser especialistas na arte de fazer boas perguntas, fornecendo o contexto necessário, com dados e experiências próprias, para guiar a IA de forma eficiente. Sbarai recomendou ainda práticas específicas em sua rotina, como o uso de comandos de áudio para formular raciocínios mais elaborados junto às plataformas de IA e a insistência em solicitar segundas versões de prompts para refinar a precisão dos resultados.
"Todo mundo está buscando automação de tarefas, mas a capacidade de pensamento, ela segue ainda sendo uma vantagem competitiva", concluiu Sbarai.
3. Monique Ticianelli, Partner Manager do TikTok
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A palestrante tratou de desmistificar a velha ideia de que a rede social é apenas um "aplicativo de dancinha". Ela explicou que a plataforma já inicia a experiência do usuário operada por inteligência artificial, que mapeia interesses de forma contínua para entregar vídeos focados na retenção da atenção. Ao explicar como a ferramenta atua na entrega de assuntos que o usuário muitas vezes nem sabia que gostava, ela destacou o caráter democrático da rede.
“Se eu pegar o celular de cada um de vocês, vai ter uma 'For You' diferente. Cada um de vocês se interessa por uma coisa. Isso acontece porque é personalizado pelo nosso algoritmo para que vocês possam ter mais visibilidade do que vocês querem. Tudo é extremamente democrático dentro do TikTok. E os nossos anúncios também são assim”, destacou Monique.
A executiva detalhou o funcionamento do TikTok Shop. Ela destaca que o recurso de e-commerce da plataforma opera com um algoritmo próprio e tem como foco a performance de vendas, conectando a descoberta de novos produtos à agilidade na compra de forma imersiva através das lives.
Ao compartilhar sua experiência pessoal na rotina corporativa, ela garantiu que não tem medo de ser substituída, mas sim enxerga a tecnologia como uma aliada fundamental na otimização de suas tarefas
"Algumas pessoas têm um pouquinho de medo que inteligência artificial substitua o trabalho delas. Eu, particularmente, não acredito nisso. A IA está aqui para me ajudar. Ela vai me poupar todo aquele tempo que eu teria para procurar em todos os documentos, procurar por sentenças, procurar por qualquer outra coisa que seja. Então, a inteligência artificial perante todas que eu utilizo hoje vai me trazer mais tempo de trabalho, tempo de vida e até mesmo tempo para viver minhas coisas”, concluiu.

