Fundador da rede de restaurantes Di Paolo, o empreendedor Paulo Geremia, inaugurou em março a Paulo Geremia Vino & Cucina, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. O negócio, que une uma vinícola e um espaço gastronômico, é fruto da sociedade entre Geremia e Paulo Bruschi. O foco será a experiência harmonizada com os rótulos da vinícola e os pratos elaborados a partir da consultoria do chef Rodrigo Bellora.
Entre a aquisição da propriedade onde fica a vinícola, a construção do prédio e do restaurante, estrutura, máquinas e compra de uvas, foram R$ 12 milhões investidos. Implantado em outubro de 2025 com consultoria do enólogo Silvano Michelon, o vinhedo de dois hectares reúne cerca de 8 mil mudas, sendo 5 mil de Chardonnay e 3 mil de Merlot cultivadas dentro dos critérios técnicos exigidos pelo Vale dos Vinhedos.
Com a produção inicial de 15 mil litros de vinho, a Paulo Geremia Vino & Cucina terá capacidade para produzir 23 mil litros a partir de 2027. O restaurante da vinícola conta com 160 lugares, entre espaços internos e externos. A casa funcionará com almoço de terça a domingo e jantar de terça a sábado, com atendimento das 11h às 22h.
Situado na primeira região do País a conquistar a Denominação de Origem para vinhos finos, o empreendimento nasceu a partir de uma realidade vivenciada por Geremia desde a infância. "Assim como meus pais, sempre trabalhei na roça. Tínhamos uma cultura muito diversificada, além dos parreirais, onde se produzia muitas uvas, algo em torno de 80 mil quilos ao ano", conta o empreendedor, afirmando que, na época, a matéria prima era vendida para cooperativas e tinha como destino final a vinícola Aurora. "Vivenciei muito aquele sistema antigo, onde se fazia o vinho, depois o próprio vinagre", explica.
O empreendedor destaca que tudo era ainda realizado de maneira artesanal, e que a energia elétrica e a tecnologia eram realidades distantes na produção. Com o passar dos anos, Geremia se consolidou no segmento gastronômico, a partir da criação do Di Paolo há mais de 30 anos. Com isso, o vinho seguiu presente na realidade do empresário, mas distante dos parreirais. "Há uns oito anos, eu estava em uma consultoria de carreira e me disseram 'tu tens que trabalhar com alguma coisa com terra, com natureza, algo que te realize', acredito que pela minha origem e pela origem do meu primeiro negócio", comenta.
Quando veio a decisão de qual segmento investir, Geremia não tinha dúvidas. "Já tínhamos uns vinhedos plantados, então a ideia de elaborar vinhos me alegraria muito. Acredito que o vinho tem uma característica diferente do que qualquer bebida que tu fabricas", comenta o empreendedor, sobre sua paixão pela bebida. "O vinho se elabora, tem um negócio de alma, de vida. São vários micro-organismos que se transformam durante o processo de fermentação, envelhecimento a fim de buscar o melhor equilíbrio entre eles", detalha.
Antes de levantar o prédio onde ocorre toda a operação, foi realizada uma perfuração de sete metros abaixo do solo para criar um espaço subterrâneo, com o clima ideal para o processo de envelhecimento dos vinhos. "Depois começamos a subir o prédio e fazer o restaurante em cima. A nossa cozinha tem como principal característica a harmonização com os vinhos", declara Geremia.
Com mais de 3 mil m² distribuídos em cinco andares, a vinícola foi projetada pela arquiteta Letícia Zanesco. Todos os processos produtivos são abertos à visitação, do recebimento das uvas por gravidade à cantina, tanques de fermentação, câmara fria, cave de barricas e estoque.
Primeiras safras
De acordo com o empreendedor, o negócio já conta com duas safras elaboradas em parceria com a Vinícola Valmarino, de Pinto Bandeira, responsável pelo vinho da casa da rede Di Paolo. "Já temos vinhos da marca Paulo Geremia envelhecendo na Valmarino, com toda a expertise que eles têm", comenta. Além de comercializar os rótulos no novo estabelecimento, eles estarão disponíveis nas casas Di Paolo e no e-commerce da marca.
Sobre estar localizado em uma região onde a produção de vinhos é tão pujante, Geremia entende que há ainda muito espaço no segmento. "O Brasil produz muito pouco vinho pela capacidade que tem." Geremia ainda destaca que a nova marca será favorecida pela imagem já consolidada da Di Paolo. "Acredito que teremos uma facilidade na comercialização a médio prazo, já que não vamos depender unicamente desse negócio", explica, afirmando que o contexto é positivo, pois não há necessidade de acelerar o processo de envelhecimento, já que existem recursos para respeitar o tempo do vinho.

