Entre tradição e reinvenção, negócios gaúchos redescobrem a cozinha italiana para crescer, revisitando receitas e conceitos com propostas contemporâneas. Em Porto Alegre, esse movimento também ganha forma em histórias que unem herança familiar e inovação. Localizado no bairro Bom Fim, o Vincenzo Spaghetteria, restaurante de culinária italiana, completou 11 anos em março. O negócio, comandado pelo chef Douglas Soares Musela e sua família, homenageia o avô do empreendedor, Vincenzo Musella, nascido em Nápoles, no sul da Itália, e responsável pela tradição da cozinha italiana na família. “Por uma coincidência, abrimos no dia do aniversário dele, 17 de março”, comenta Douglas. A data marca também um novo momento do empreendimento, que lançou um novo cardápio com proposta de renovar a identidade ao restaurante.
A história da Vincenzo Spaghetteria é ligada às raízes familiares e à paixão pela gastronomia. O negócio nasceu de uma conversa informal durante um jantar entre a família do empreendedor. Douglas e sua irmã, Mariel Musella, entenderam que era momento de investir em um negócio. Como a família sempre teve forte ligação com a comida e com o ato de receber pessoas, decidiram abrir um restaurante para servir as receitas que já faziam em casa. “Somos aquele tipo de pessoa que almoça já falando da janta, sempre pensando na próxima refeição”, comenta Douglas.
Na época, o empreendedor tinha apenas 18 anos e estava se formando no Ensino Médio. Segundo ele, a maturidade aconteceu dentro da cozinha, aprendendo tanto a parte artística quanto a gestão administrativa e de pessoas ao longo do tempo. “Eu era bem inexperiente, mas tive muita ajuda dos meus pais. Além disso, eu e minha irmã sempre tivemos vontade de empreender. Foi um período de muito autoconhecimento, porque aprendi muito aqui. Sempre falo que virei adulto aqui dentro”, destaca.
Sem experiência prévia no segmento gastronômico, o restaurante começou com um cardápio enxuto de apenas 10 pratos, dos quais três foram servidos na semana de inauguração. Anos depois, a Vincenzo Spaghetteria já contava com 68 pratos e consolidou um público fiel, majoritariamente composto por pessoas mais velhas, com foco em receitas clássicas e tradicionais italianas.
“A cozinha quem me escolheu. Minhã irmã ficou mais com a parte de gestão, administração, e sobrou para mim a parte criativa e artística da parada, que é o que mais me atrai”, explica o chef, contando que a maturidade o fez entender a complexidade do negócio como um todo, olhando para administração, gestão de pessoas, liderança, custo e lucratividade.
Virada de chave
O novo momento da Vincenzo foca na transição de um menu tradicional para uma proposta contemporânea e autoral, reduzindo drasticamente o número de pratos para priorizar a sazonalidade e ingredientes regionais. Além da gastronomia, o projeto busca atrair um público mais jovem por meio de preços mais acessíveis, coquetelaria autoral e eventos com chefs convidados. O cardápio anterior contava com opções a partir de R$ 110,00, enquanto o atual oferece antepastos por R$ 40,00 e pratos principais que partem de R$ 70,00.
O menu foi reduzido de 68 para 31 pratos, com foco em ingredientes sazonais e regionais do Rio Grande do Sul, além de explorar a assinatura de Douglas como chef profissional, sem perder o respeito à tradição. “Por uma facilidade, por já ter mais experiência no ramo, optamos por diminuir o cardápio. É um momento para nos reinventar, para explorar a tradição e trazer um pouco da nossa assinatura também”, detalha. Outra novidade é a mudança do menu a cada três meses, acompanhando as estações do ano e a disponibilidade de ingredientes frescos.
Neste novo menu, Douglas busca uma fusão entre a tradição italiana e a regionalidade do Rio Grande do Sul, utilizando produtos locais como o azeite Potenza e queijos da Canto Queijaria. O restaurante também passa a contar com pratos especiais do dia. “Como cozinheiro, é ótimo ter a possibilidade de trabalhar com novos pratos, novas ideias e criatividade a partir de ingredientes que encontramos no dia na feira”, exemplifica.
Nas próximas semanas, ocorrerá a instalação de um parklet em frente ao estabelecimento. A ideia, segundo o empreendedor, é usar o espaço externo e criar uma cultura de happy hour no restaurante. “Estamos construindo uma carta de drinks autoral pra casa, além das pizzas fritas, que incorporam esse menu especial do happy hour.” Ainda tentando atender o público mais jovem, a Vincenzo irá explorar mais os vinhos especiais e naturais, com uma carta rotativa e mais opções em taça, para os clientes que desejam experimentar diferentes rótulos.
Ainda olhando para a experiência dos clientes e para a parte criativa do negócio, a cada dois meses, o restaurante passará a receber chefs de fora para criar menus especiais em um único dia, promovendo fusões gastronômicas. “Recentemente, recebemos para um evento o chef Thiago Maeda, de São Paulo, e foi incrível”, conta Douglas.
No fim, a estratégia visa atrair um público que busca gastronomia criativa, sem perder o respeito aos clientes antigos que acompanham a trajetória de 11 anos da casa. “A principal dificuldade dessa transição, com certeza, é manter a tradição construída ao longo dos anos e, ao mesmo tempo, conseguir adquirir uma nova identidade olhando para os novos clientes. Sempre falo para quem vem aqui ‘confia na gente, porque os novos pratos também vão ser bons’”, diz.
Destaques do novo cardápio
Entre os mais de 30 pratos disponíveis no novo cardápio, o chef destaca alguns. O Atum Saltimbocca é uma releitura do clássico italiano, originalmente feito com vitelo, que no menu da Vincenzo será preparado com atum fresco, presunto de Parma, manteiga e vinho branco.
O espaguete com creme de couve-flor e cebola crisp é descrito por Douglas como simples ao mesmo tempo que complexo, com adição de queijo pampiano. “O pessoal normalmente não põe tanta atenção, porque pensa ‘é só um creme de couve-flor’, mas é um prato super surpreendente”, destaca.
Tendo um empreendedor e um chef mais jovem, o restaurante se tornou uma escola para outros profissionais. “Muitos dos meus amigos passaram por aqui. A gente sempre trabalhou com pessoas bem jovens, que começaram aqui e hoje estão comandando outros restaurantes”, conta. “É uma jornada maluca. Essa não é minha segunda casa, é a minha primeira casa, porque eu passo mais tempo aqui do que em qualquer outro lugar”, completa.

Vinícola com espaço gastronômico recebe aporte de R$ 12 milhões
A Paulo Geremia Vino & Cucina une vinícola e espaço gastronômico em Bento Gonçalves
Fundador da rede de restaurantes Di Paolo, o empreendedor Paulo Geremia, inaugurou em março a Paulo Geremia Vino & Cucina, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. O negócio, que une uma vinícola e um espaço gastronômico, é fruto da sociedade entre Geremia e Paulo Bruschi. O foco será a experiência harmonizada com os rótulos da vinícola e os pratos elaborados a partir da consultoria do chef Rodrigo Bellora.
Entre a aquisição da propriedade onde fica a vinícola, a construção do prédio e do restaurante, estrutura, máquinas e compra de uvas, foram R$ 12 milhões investidos. Implantado em outubro de 2025 com consultoria do enólogo Silvano Michelon, o vinhedo de dois hectares reúne cerca de 8 mil mudas, sendo 5 mil de Chardonnay e 3 mil de Merlot cultivadas dentro dos critérios técnicos exigidos pelo Vale dos Vinhedos.
Com a produção inicial de 15 mil litros de vinho, a Paulo Geremia Vino & Cucina terá capacidade para produzir 23 mil litros a partir de 2027. O restaurante da vinícola conta com 160 lugares, entre espaços internos e externos. A casa funcionará com almoço de terça a domingo e jantar de terça a sábado, com atendimento das 11h às 22h.
Situado na primeira região do País a conquistar a Denominação de Origem para vinhos finos, o empreendimento nasceu a partir de uma realidade vivenciada por Geremia desde a infância. "Assim como meus pais, sempre trabalhei na roça. Tínhamos uma cultura muito diversificada, além dos parreirais, onde se produzia muitas uvas, algo em torno de 80 mil quilos ao ano", conta o empreendedor, afirmando que, na época, a matéria prima era vendida para cooperativas e tinha como destino final a vinícola Aurora. "Vivenciei muito aquele sistema antigo, onde se fazia o vinho, depois o próprio vinagre", explica.
O empreendedor destaca que tudo era ainda realizado de maneira artesanal, e que a energia elétrica e a tecnologia eram realidades distantes na produção. Com o passar dos anos, Geremia se consolidou no segmento gastronômico, a partir da criação do Di Paolo há mais de 30 anos. Com isso, o vinho seguiu presente na realidade do empresário, mas distante dos parreirais. "Há uns oito anos, eu estava em uma consultoria de carreira e me disseram 'tu tens que trabalhar com alguma coisa com terra, com natureza, algo que te realize', acredito que pela minha origem e pela origem do meu primeiro negócio", comenta.
Quando veio a decisão de qual segmento investir, Geremia não tinha dúvidas. "Já tínhamos uns vinhedos plantados, então a ideia de elaborar vinhos me alegraria muito. Acredito que o vinho tem uma característica diferente do que qualquer bebida que tu fabricas", comenta o empreendedor, sobre sua paixão pela bebida. "O vinho se elabora, tem um negócio de alma, de vida. São vários micro-organismos que se transformam durante o processo de fermentação, envelhecimento a fim de buscar o melhor equilíbrio entre eles", detalha.
Antes de levantar o prédio onde ocorre toda a operação, foi realizada uma perfuração de sete metros abaixo do solo para criar um espaço subterrâneo, com o clima ideal para o processo de envelhecimento dos vinhos. "Depois começamos a subir o prédio e fazer o restaurante em cima. A nossa cozinha tem como principal característica a harmonização com os vinhos", declara Geremia.
Com mais de 3 mil m² distribuídos em cinco andares, a vinícola foi projetada pela arquiteta Letícia Zanesco. Todos os processos produtivos são abertos à visitação, do recebimento das uvas por gravidade à cantina, tanques de fermentação, câmara fria, cave de barricas e estoque.
Primeiras safras
De acordo com o empreendedor, o negócio já conta com duas safras elaboradas em parceria com a Vinícola Valmarino, de Pinto Bandeira, responsável pelo vinho da casa da rede Di Paolo. "Já temos vinhos da marca Paulo Geremia envelhecendo na Valmarino, com toda a expertise que eles têm", comenta. Além de comercializar os rótulos no novo estabelecimento, eles estarão disponíveis nas casas Di Paolo e no e-commerce da marca.
Sobre estar localizado em uma região onde a produção de vinhos é tão pujante, Geremia entende que há ainda muito espaço no segmento. "O Brasil produz muito pouco vinho pela capacidade que tem." Geremia ainda destaca que a nova marca será favorecida pela imagem já consolidada da Di Paolo. "Acredito que teremos uma facilidade na comercialização a médio prazo, já que não vamos depender unicamente desse negócio", explica, afirmando que o contexto é positivo, pois não há necessidade de acelerar o processo de envelhecimento, já que existem recursos para respeitar o tempo do vinho.
Pizzaria da Zona Sul de Porto Alegre lança cursos e empório com massas frescas
A Villa Positano, inspirada no sul da Itália, também agregou a venda de pizzas congeladas, sistema à la carte e formato take away
Prestes a completar dois anos de operação, a Villa Positano Pizzaria Spritz (@villapositanopizzeriaespritz), pizzaria clássica italiana localizada na Zona Sul de Porto Alegre, anunciou mudanças no negócio. Em um evento realizado na última quarta-feira (4), Luciano Begni, empreendedor à frente da casa, inaugurou o empório da Villa Positano, além de apresentar outras novidades na operação.
O restaurante, que funciona na garagem da casa da família Begni, viralizou nas redes sociais há dois anos pelo ambiente com referências do sul da Itália, pelas pizzas de massa de fermentação natural feitas no forno à lenha e pela vista para o pôr do sol do Guaíba.
A novidade, batizada de Empório della Villa, é um autêntico empório italiano e reúne os produtos utilizados na produção das pizzas da casa, como farinhas importadas, azeites e outros insumos. Além disso, agora os clientes da Villa Positano poderão levar para casa massas frescas prontas produzidas pelo chef, além de sete sabores de pizzas congeladas e sobremesas clássicas, também feitas no local.
“A gente entende que a Villa não é uma coisa estática. A Villa não é, a Villa está”, comenta o empreendedor, sobre as transformações do estabelecimento. “Sempre vamos aperfeiçoando os nossos processos, sempre evoluindo”, reflete Luciano, afirmando que, desde o início da operação, eles aprendem muito com quem frequenta o espaço e que a consequência disso é o crescimento do negócio.
O restaurante, que funciona na garagem da casa da família Begni, viralizou nas redes sociais há dois anos pelo ambiente com referências do sul da Itália, pelas pizzas de massa de fermentação natural feitas no forno à lenha e pela vista para o pôr do sol do Guaíba.
A novidade, batizada de Empório della Villa, é um autêntico empório italiano e reúne os produtos utilizados na produção das pizzas da casa, como farinhas importadas, azeites e outros insumos. Além disso, agora os clientes da Villa Positano poderão levar para casa massas frescas prontas produzidas pelo chef, além de sete sabores de pizzas congeladas e sobremesas clássicas, também feitas no local.
“A gente entende que a Villa não é uma coisa estática. A Villa não é, a Villa está”, comenta o empreendedor, sobre as transformações do estabelecimento. “Sempre vamos aperfeiçoando os nossos processos, sempre evoluindo”, reflete Luciano, afirmando que, desde o início da operação, eles aprendem muito com quem frequenta o espaço e que a consequência disso é o crescimento do negócio.
Além do empório, a Villa Positano passa a funcionar também como escola, oferecendo cursos para amadores e para aqueles que buscam uma formação técnica e profissional. Segundo Luciano, aprender é um gesto de continuidade. “A ideia vem ao encontro do que nós sempre quisemos fazer, que é a escola de gastronomia, de pizza e de outras comidas italianas”, explica o empreendedor.
A Academia della Pizza oferece seis cursos, com frequências e durações variadas de acordo com o objetivo final de cada aluno.
A Academia della Pizza oferece seis cursos, com frequências e durações variadas de acordo com o objetivo final de cada aluno.
Outra novidade divulgada é o take away. Agora, os clientes podem fazer um pedido online e realizar a retirada no restaurante. Segundo o empreendedor, a inclusão do novo formato surgiu a partir de uma necessidade dos clientes, que pediam essa opção. Na mesma linha de compreender a demanda da clientela da Villa Positano, o empreendedor decidiu incluir também a opção à la carte, que irá operar de quarta a domingo. Nesse modelo, os clientes poderão escolher entre 28 opções de pizzas disponíveis no cardápio.

