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Cinco reflexões práticas para mulheres sobre liderança

Susana Azevedo é especialista em desenvolvimento de lideranças e sócia da Quantum Development
Susana Azevedo, especialista em desenvolvimento de lideranças e sócia da Quantum Development

Apesar dos avanços dos últimos anos, a presença feminina nos cargos de liderança ainda é limitada no Brasil. Segundo dados recentes do IBGE, as mulheres ocupam apenas 39% das posições de liderança no País.  
Susana Azevedo, especialista em desenvolvimento de lideranças e sócia da Quantum Development
Apesar dos avanços dos últimos anos, a presença feminina nos cargos de liderança ainda é limitada no Brasil. Segundo dados recentes do IBGE, as mulheres ocupam apenas 39% das posições de liderança no País.  
Costumamos falar muito das barreiras externas, culturais, estruturais e organizacionais, que dificultam o avanço feminino. Mas, ao longo do meu trabalho com desenvolvimento de lideranças, também observo outro fator menos visível: padrões internos que podem limitar essa trajetória.
A boa notícia é que padrões aprendidos podem ser desaprendidos. A seguir, compartilho cinco reflexões práticas para quem quer avançar com mais consciência no caminho até a liderança.

1. Reavaliar a relação com a ambição

A pesquisadora Sally Helgesen, referência internacional em liderança feminina, identificou padrões recorrentes de autossabotagem que seguem presentes nas empresas. Entre eles estão a dificuldade de reconhecer e comunicar ambições. 
Muitas mulheres ainda associam ambição a algo negativo, como se desejar crescer fosse sinal de egoísmo ou arrogância. Na prática, ambição saudável é uma bússola. Ela ajuda a orientar escolhas, prioridades e investimentos de desenvolvimento. Ter clareza sobre onde se quer chegar é o primeiro passo para sair do piloto automático.

2. Parar de esperar reconhecimento silencioso

Outro padrão comum é acreditar que o trabalho falará por si. Claro que consistência e competência são essenciais, mas a visibilidade também é parte do jogo profissional. Aprender a comunicar resultados, assumir autoria das próprias contribuições e reivindicar espaço nas conversas estratégicas faz diferença real na trajetória.

3. Abandonar a armadilha da perfeição

O perfeccionismo pode parecer virtude, mas muitas vezes se transforma em barreira. Quando esperamos estar 100% prontas para assumir um novo desafio, perdemos oportunidades importantes. Liderança envolve aprendizado contínuo e disposição para lidar com incertezas.

4. Construir redes de apoio

Outro comportamento recorrente é tentar fazer tudo sozinha. Muitas mulheres chegam à liderança por serem extremamente responsáveis e autossuficientes, mas crescimento profissional também depende de colaboração, mentoria e redes de apoio. Ninguém constrói uma trajetória relevante isoladamente.

5. Assumir a autoria da própria história

Em muitos momentos da carreira, seguimos expectativas externas, da família, da organização ou da sociedade, sem parar para refletir sobre o que realmente queremos. O Mês da Mulher pode ser um bom convite para essa pausa: observar-se, pedir feedback honesto e revisitar suas aspirações profissionais e pessoais.
Quando temos clareza sobre onde queremos chegar, fica mais fácil identificar pontos fortes, áreas de desenvolvimento e caminhos possíveis para avançar. Mentoria, coaching e redes de apoio podem acelerar esse processo.
No fim, a mudança começa com autoconsciência. E a autoconsciência gera confiança. Confiança gera protagonismo. E é esse protagonismo que transforma não apenas a trajetória de uma mulher, mas também o ambiente ao seu redor.