Júlia Fernandes

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Repórter

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Negócios

Reconhecida no Brasil, escola de pagode de Porto Alegre soma 16 mil alunos em 18 anos de mercado

O propósito central da Confraria do Samba, que começou em 2008, segundo Paulinho, é promover felicidade e bem-estar aos alunos por meio da dança
Em 18 anos de atuação, mais de 16 mil alunos já passaram pela Confraria do Samba (@confrariadosambars), escola de dança que oferece aulas de samba e pagode em Porto Alegre. “Esse número é de alunos presenciais, dentro das nossas salas. Também temos os online”, comenta Paulo Roberto Pereira, conhecido como Mestre Paulinho, empreendedor à frente da Confraria do Samba. O negócio se prepara para abrir no Rio de Janeiro em parceria com grandes nomes da dança.
Em 18 anos de atuação, mais de 16 mil alunos já passaram pela Confraria do Samba (@confrariadosambars), escola de dança que oferece aulas de samba e pagode em Porto Alegre. “Esse número é de alunos presenciais, dentro das nossas salas. Também temos os online”, comenta Paulo Roberto Pereira, conhecido como Mestre Paulinho, empreendedor à frente da Confraria do Samba. O negócio se prepara para abrir no Rio de Janeiro em parceria com grandes nomes da dança.
O propósito central do negócio, que começou em 2008, segundo Paulinho, é promover felicidade e bem-estar aos alunos por meio da dança. “Todo mundo que entra na escola sai daqui mais leve. Realmente agregamos à vida dessas pessoas”, destaca o empreendedor, que iniciou dando aulas dentro de uma casa noturna na Zona Sul da Capital, o antigo Chalaça Bar.
De forma orgânica e por necessidade, a partir da paixão do fundador pela dança, ele começou a ensinar os frequentadores da casa noturna. “Eu tinha uns 15, 16 anos, e começou a fase de ir para o pagode. Mas como ir para o pagode sem dinheiro?”, lembra Paulinho, que, na época, trabalhava como jardineiro, pedreiro, entre outras ocupações. “Quando ia às festas e dançava, as pessoas pediam para eu dar aula, e eu dizia que não. Até perceber que, se juntasse uma turma e cada aluno me pagasse R$ 50,00 por aula, já valeria muito, porque eu ganhava R$ 50,00 por semana fazendo outros serviços pesados.”
Entre 2008 e 2012, as aulas ocorreram no local onde o negócio nasceu. Nos anos seguintes, o modelo passou a se basear em aulas dentro de academias parceiras nas zonas Sul e Norte da Capital, chegando a ter entre 200 e 300 alunos por academia. “Existe uma Confraria antes da pandemia de Covid-19 e outra no pós-pandemia. Antes, eu só dava aulas em academias”, conta o empreendedor, que viu o negócio ser altamente impactado no período.

De professor a empreendedor

Após dificuldades financeiras durante a pandemia, Paulinho lançou aulas online para capitalizar recursos e, com esse investimento, abriu a primeira unidade própria da escola, o que gerou crescimento exponencial. Hoje, o modelo conta com cinco unidades, sendo duas em Porto Alegre e outras em Canoas, Novo Hamburgo e Cachoeirinha. Atualmente, a rede possui cerca de 2 mil alunos ativos.
A transição de um modelo informal para uma gestão profissional permitiu a expansão do negócio. O fundador deixou de atuar apenas como professor para focar na área administrativa. Hoje, a escola conta com um escritório central, onde oito colaboradoras gerenciam vendas, administração e a gestão da rede.
A base do negócio tem o meu amor, mas não é isso que faz ele andar para frente. São pessoas que se identificam com a escola e apostam nela. Temos um time formado majoritariamente por mulheres que fazem essa engrenagem girar”, destaca.
Confraria do Samba | NATHAN LEMOS/JC
Confraria do Samba NATHAN LEMOS/JC

Reconhecimento nacional

Marcelo Grangeiro, diretor coreógrafo do quadro Dança dos Famosos, do Domingão com Huck, reconheceu a Confraria do Samba como a maior escola do País em número de alunos, durante o evento Além dos Passos, em São Paulo.
“Tinha professores do Brasil inteiro, e ele reconheceu a Confraria como a maior escola em número de alunos. Eu não conseguia acreditar, porque o Brasil é muito grande, e a maior escola ser do Sul do País, ser gaúcha, nos dá muito orgulho”, comenta.
O histórico do fundador inclui amizades e parcerias com ícones como Carlinhos de Jesus e Marcelo Chocolate, o que conferiu autoridade e respeito à marca no cenário nacional. Essas conexões já começam a gerar resultados, como o convite para abrir uma unidade no Rio de Janeiro, em parceria com profissionais reconhecidos.
“Não esperava chegar tão longe. Como falei, sempre coloquei o amor pela dança em primeiro lugar. O negócio foi consequência”, afirma.
Ao longo dos 18 anos, o maior desafio, segundo o empreendedor, é mostrar que a dança vai além da diversão. “Ainda existe a ideia de que a dança é só festa ou brincadeira. Mas ela é algo sério, que agrega à vida das pessoas. Recebemos relatos de alunos que superaram depressão, encontraram um amor, se redescobriram e se tornaram mais felizes.”