Júlia Fernandes

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Repórter

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"O sentido do trabalho mudou. Ele é meio, não mais o fim", afirma especialista

COO da Perestroika comenta sobre práticas que equilibram as relações intergeracionais
Entre tantos fatores que impactaram a formação profissional e social daqueles que compõem a Geração Z, a pandemia de Covid-19 está no centro das discussões. Na época, muitos jovens concluíram ciclos importantes, como o fim da vida escolar no Ensino Médio, ingresso na graduação ou encerramento da trajetória universitária de forma remota, primeira experiência no mercado de trabalho. E tudo isso dentro de casa, conectados de forma online.
Entre tantos fatores que impactaram a formação profissional e social daqueles que compõem a Geração Z, a pandemia de Covid-19 está no centro das discussões. Na época, muitos jovens concluíram ciclos importantes, como o fim da vida escolar no Ensino Médio, ingresso na graduação ou encerramento da trajetória universitária de forma remota, primeira experiência no mercado de trabalho. E tudo isso dentro de casa, conectados de forma online.
“Isso tem um impacto em termos das relações sociais e interpessoais muito significativo nos desenvolvimentos das habilidades comportamentais, as chamadas soft skills que falamos”, comenta Helena Kich, COO da Perestroika.
Outra característica latente na geração é um pensamento crítico mais presente em relação ao trabalho, colocando em prioridade aspectos diferentes de outras gerações. “Eles são muito mais realistas, pé no chão. Há uma valorização do retorno financeiro, mas há o olhar para a autonomia, valores, como diversidade e inclusão, compromisso com o impacto ambiental, social, e preferem, obviamente, jornadas de trabalho mais flexíveis”, observa.
A executiva entende que esse comportamento se dá por uma mudança de sentido do trabalho. “Acredito que esse seja o principal insight que eu gosto de trazer. Não é que essa geração seja descomprometida, ela só pensa o trabalho de forma diferente, se relaciona diferente. O trabalho não é mais fim, ele é meio”, enfatiza a executiva.
De acordo com Helena, as gerações X e Baby Boomer costumavam ter os empregos como sobrenomes, fazendo com que suas ocupações fossem o centro da sua vida social também. Com essa mudança de comportamento, as organizações passam a ter um grande desafio de captar e reter profissionais.
“Com essa redefinição de sentido, os profissionais mais jovens buscam ainda mais por valor e propósito das suas funções”, aponta Helena, afirmando que as organizações precisam se atentar com discursos que diferem muito da prática.
A COO da Perestroika afirma que identificar propósitos e seguir com coerência são pontos importantes para manter esses profissionais. “É muito mais difícil você conseguir o engajamento de um jovem se ele está simplesmente fazendo atividades repetitivas ou atividades que muitas vezes não produzem algum sentido no final das contas”, observa.
Apesar de contextos históricos, há a necessidade de sempre olhar para as individualidades, já que as pessoas se relacionam de forma diferente com a conjunção social partilhada. “Vivemos experiências distintas, influências individuais, cada qual com sua personalidade e atravessamentos”, destaca.
Helena ainda salienta a importância do investimento em treinamentos que promovem a interação intergeracional de forma ativa. “Acredito que as empresas também tenham uma responsabilidade com a questão de envelhecimento populacional, até por uma questão social. Percebo, no geral, ainda um atraso em relação a isso”, conclui.