Para o empresário, escritor e sócio-presidente da Unimark, Walter Longo, a Inteligência Artificial inaugura uma nova lógica competitiva, em que empresas menores passam a poder competir, pela primeira vez na história, em pé de igualdade com gigantes do mercado. "Empresas grandes já têm quem edite vídeo, têm verba para marketing suficiente para produzir suas coisas, têm área de inteligência de mercado. Quem não tem é a empresa pequena, ou melhor, não tinha, porque agora, com a IA, qualquer marca pequena consegue ter tudo isso. É isso que irá fazer, e já está fazendo, a grande mudança no mundo dos negócios e no cenário competitivo", descreve.
Durante painel no RD Summit, ele reforçou que o futuro será construído pela simbiose entre a inteligência humana e a artificial — e que a IA deve ser vista como uma ferramenta de ampliação, não de substituição. "Nenhum ser humano é melhor que uma máquina, e nenhuma máquina é melhor que um ser humano com uma máquina", destacou. Ao contrário do que se pode pensar, que a Inteligência Artificial irá, cada vez mais, afastar o "humano", Longo defende que ela faz exatamente o oposto. "A IA não veio para tirar empregos, veio para devolver nossa humanidade", aponta. Para ele, elementos como intuição, emoção, compaixão, empatia e generosidade serão os mais valiosos nas empresas daqui para frente. "São os fatores humanos que vão fazer a grande diferença. Em terra de robô, quem tem coração é rei. Nunca foi tão importante ser humano", reforçou.
Ao longo do painel, Longo sintetizou os quatro principais impactos da IA nos negócios — transformações que, segundo ele, já estão redefinindo a economia global e o modo de trabalhar.
1. Aumento da produtividade
Segundo Longo, a IA é "o maior gerador de eficiência que já existiu", capaz de automatizar processos, eliminar duplicidades e reduzir retrabalho e ruídos de comunicação. Para ele, essa competência contrasta com a condição humana atual, que enfrenta uma escassez de atenção diante da avalanche de informação que vivemos. "A IA não se distrai. Nós, ao contrário, estamos 'infoxicados', tentando prestar atenção em tudo e, no fim, não nos concentrando em nada."
2. Redução de erros
Outro impacto da IA é a criação do que Longo chama de "copilotos profissionais": ferramentas capazes de acompanhar o trabalho humano e corrigir falhas antes que aconteçam. "A IA não tira o lugar do humano, ela o protege de si mesmo, da perda gradativa de atenção", afirmou.
3. Eliminação de custos
A IA também está revolucionando a estrutura de custos das empresas. Ele defendeu que os negócios do futuro serão mais leves e flexíveis, com equipes enxutas e competências baseadas muito mais na tecnologia. "O segredo não está em ter mais funcionários, mas em ser mais inteligente com menos posse. O leve é o novo forte", disse.
4. Relações individualizadas
Outro grande destaque é o fato de a IA permitir compreender o comportamento de consumo em tempo real e falar com cada indivíduo de forma única. "Pessoas não são, pessoas estão. Agora podemos entender cada uma em suas circunstâncias momentâneas e agir de acordo com elas", explicou.

