De acordo com o presidente do conselho administrativo da Abrasel, nos meses subsequentes da enchente os estabelecimentos tiveram um aumento considerável no movimento, que intensificou consideravelmente após a abertura do Aeroporto Salgado Filho

Tendências para tirar o sonho de empreender do papel em 2025


De acordo com o presidente do conselho administrativo da Abrasel, nos meses subsequentes da enchente os estabelecimentos tiveram um aumento considerável no movimento, que intensificou consideravelmente após a abertura do Aeroporto Salgado Filho

O ano que passou foi marcado por muitos desafios para empreendedores no Rio Grande do Sul. Desde o pequeno empreendedor aos grandes empresários, não teve quem não foi afetado direto ou indiretamente pelas enchentes de maio de 2024. Virando a página, em 2025, os empreendedores seguem tentando se reerguer. Há aqueles também adiaram para este novo ano, o sonho de abrir seu primeiro negócio. 
O ano que passou foi marcado por muitos desafios para empreendedores no Rio Grande do Sul. Desde o pequeno empreendedor aos grandes empresários, não teve quem não foi afetado direto ou indiretamente pelas enchentes de maio de 2024. Virando a página, em 2025, os empreendedores seguem tentando se reerguer. Há aqueles também adiaram para este novo ano, o sonho de abrir seu primeiro negócio. 
Entre muitos negócios impactados pelas enchentes de maio, o segmento de bares e restaurantes foi um dos que mais sofreu. Além de danos na estrutura dos locais, o descarte total de insumos causou prejuízos exorbitantes para milhares de empreendedores e empreendedoras. De acordo com João Melo, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio Grande do Sul (Abrasel RS), 2025 deve ser o ano de acerto de contas, já que em 2024 o setor ficou estagnado no Rio Grande do Sul.
"Além do fechamento de restaurantes, alguns empreendedores tiveram problemas na cadeia de fornecimento de mercadorias, alimentos e insumos no geral", explica João, afirmando que o setor ainda estava se recuperando da pandemia de Covid-19, quando o Estado foi atingido pelo evento climático.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Abrasel RS em novembro, 57% das empresas operaram sem lucro durante o mês de outubro de 2024 — destas, 29% apresentaram prejuízo, enquanto 28% conseguiram se manter no ponto de equilíbrio. Em contrapartida, 40% dos estabelecimentos registraram lucro. Os 3% restantes correspondem a negócios que ainda não existiam.
Entre os desafios, João cita a mudança no comportamento do consumidor que vem desde a pandemia. Almoços mais rápidos, lanches, box de comida no sistema delivery. Além disso, ele aponta que a falta de crédito, a escassez de mão de obra e os juros mais altos para obtenção de crédito dificultam o restabelecimento do segmento. A pesquisa de novembro do ano passado também mostrou que nos últimos 12 meses, 41% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar os preços, enquanto 55% realizaram reajustes conforme ou abaixo da inflação, e apenas 4% conseguiram reajustar acima da inflação.
Apesar das adversidades, João reconhece que nos meses subsequentes da enchente os estabelecimentos tiveram um aumento considerável no movimento, que intensificou consideravelmente após a abertura do Aeroporto Salgado Filho. Se comparado ao mês de setembro, o levantamento realizado em novembro revelou que o faturamento das empresas aumentou para 52% dos associados, enquanto para 27% foi equivalente, e 21% registraram queda. "A abertura do aeroporto movimentou a cidade novamente, trouxe o turismo de volta para cá, que era uma coisa que a gente estava sentindo falta", destaca.
João enxerga 2025 como um ano de desafios e ainda incerto para o setor. "A tendência é que a gente continue pagando as contas de 2024. Não dá para cravar o que vai acontecer ainda, mas temos um cenário de juros altos, uma inflação mais alta, então quer dizer que os produtos vão subir, os insumos vão subir mais um pouco", prevê. Ele aconselha os empreendedores a observar atentamente as contas, avaliar a viabilidade do negócio e "botar tudo no papel".
Sobre as tendências para o próximo ano, João destaca o uso da Inteligência Artificial nos negócios. "Hoje, os restaurantes já usam o básico, como o Chat GPT para realizar a descrição dos pratos de um menu, por exemplo. Além disso, tem os atendimentos realizados nas redes sociais, entre outras tarefas que podem ser automatizadas", reflete.
Para a gastronomia, João aposta que a praticidade ganhe cada vez mais destaque. "Penso em pratos mais otimizados, voltado mais para o delivery, mais rápido de comer. Não é bem o fast food, uma comidinha na embalagem, uma forma diferente para sair comendo, mais uma otimização no atendimento, no serviço", explica.

Nas franquias, RS deve acompanhar crescimento nacional em 2025

Em 2024, para as franquias, apesar das dificuldades, muitos negócios conseguiram se recuperar dos eventos de maio rapidamente graças ao apoio dado pelas franqueadoras. É o que aponta André Belz, diretor da regional Sul da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Segundo ele, a força e a resiliência do setor de franquias têm sido cruciais para a recuperação, sendo um dos pilares para a retomada da economia local.
De acordo com a pesquisa realizada pela ABF, no terceiro trimestre de 2024, o segmento de entretenimento e lazer teve um crescimento de 32%, sendo o setor com maior aumento. André destaca que o retorno de negócios voltados para hotelaria e eventos foi expressivo pós-enchentes. Ele também aponta que o setor de eventos e turismo se beneficiou diretamente da recuperação, já que, normalmente, esse segmento é mais volátil, mas sempre se destaca após crises, como aconteceu no pós-pandemia. "Esses setores acabam sofrendo muito em momentos de crise, mas, quando a situação se normaliza, há uma demanda represada que provoca um crescimento acelerado", observa. No caso das enchentes, a recuperação foi ainda mais rápida que o esperado. "Ficamos impressionados com a velocidade da retomada. O impacto inicial foi grande, mas o setor se reconstruiu rapidamente e, agora, vemos um crescimento substancial, acima da inflação e de outros indicadores econômicos."
Outros segmentos também apresentaram números positivos. O food service teve um crescimento de 21,9%. O setor de serviços educacionais, por sua vez, manteve sua estabilidade, com um crescimento de 15,3%. No geral, o setor de franquias no Estado cresceu 12,5% no terceiro trimestre de 2024, um desempenho superior à média nacional, que foi de 12,1%. "O Rio Grande do Sul está seguindo uma tendência nacional, mas com um desempenho ligeiramente superior", comenta André.
A previsão para 2025 é otimista, com André destacando que o franchising no Estado deve continuar com um crescimento consistente, acompanhando o crescimento nacional. "Se o mercado nacional continuar crescendo na casa dos dois dígitos, o Rio Grande do Sul, provavelmente, seguirá essa mesma tendência", afirma.
Sobre as lições aprendidas com o impacto das enchentes, o diretor observa que, embora o setor tenha enfrentado dificuldades, a resiliência das franquias foi um dos maiores trunfos. "O modelo de franquia tem uma estrutura que apoia o franqueado, e isso foi fundamental para a reconstrução", afirma.
Sobre as especificidades do franchising no Rio Grande do Sul em comparação com o restante do Brasil, André destaca que o Estado segue de perto as tendências nacionais, embora com algumas particularidades, como a vocação para o turismo, especialmente na Serra Gaúcha. O segmento de entretenimento e lazer teve um desempenho particularmente forte no RS, com um crescimento de 32,7%, enquanto no Brasil esse aumento foi de 15,3%.
Para quem deseja empreender por meio de franquia em 2025, André destaca que a escolha da marca é fundamental. "O primeiro passo é definir o segmento no qual deseja atuar, com base em afinidade e disponibilidade de tempo. É fundamental entender a dedicação necessária para o negócio e escolher uma marca que corresponda às suas expectativas e estilo de vida", recomenda. Além disso, destaca a importância de conhecer bem a estrutura do franqueador e conversar com outros franqueados. "O franchising não é um caminho fácil, mas é um modelo de negócios com maior chance de sucesso, desde que o empreendedor esteja disposto a trabalhar muito", completa.
 

Conexão com o consumidor pode ser o diferencial em um mercado saturado

Em um mundo saturado de opções e informações, os empreendedores enfrentam o desafio de se destacarem e tornarem suas marcas relevantes entre tantas outras. Lucas Dalfranci, CEO da Notório Reputação, agência de marketing especializada em estratégia e reputação, destaca que o ponto de partida para qualquer negócio é um posicionamento claro e estratégico.

Em um cenário onde tudo comunica, desde o layout da loja até a forma como os clientes são atendidos, segundo Lucas, o sucesso de uma marca é definido pela sua capacidade de traduzir valores em ações e experiências. “Antes de pensar em preço ou táticas publicitárias, é essencial responder: qual é o verdadeiro valor da minha marca e quem é o meu público? Com estratégia e com posicionamento”, destaca Lucas.

Para além do posicionamento, Lucas destaca que a construção de uma reputação sólida é indispensável. De acordo com ele, em um mercado saturado, confiança é o ativo mais valioso e intransferível que uma marca pode conquistar. O empresário cita uma uma tríade reputacional que deve ser avaliada: quem você diz que é, quem você realmente é e o que as pessoas dizem sobre você. “Esses três elementos precisam ser alinhados. A confiança nasce da coerência entre discurso e prática, e crises de imagem geralmente surgem quando há uma desconexão entre o que se promete e o que se entrega”, recomenda.

Lucas cita um exemplo recente, em que uma marca de garrafas térmicas que promove segurança, enfrentou críticas após acidentes com seus produtos. “A quebra de confiança pode ser devastadora para uma marca, especialmente em tempos de hiperconexão”, afirma.

Para medir a reputação de uma marca, as ferramentas tradicionais, como pesquisas de opinião pública, continuam relevantes. No entanto, métricas digitais ganharam protagonismo. Comentários, avaliações online, engajamento nas redes sociais e análises de sentimento são indicadores poderosos de como o público percebe a marca. De acordo com o CEO, em 2025, entender essas métricas será essencial para ajustar estratégias e atender às expectativas dos consumidores.

A imagem dos líderes empresariais também é um ponto crucial. Para pequenos e médios negócios, os fundadores frequentemente se tornam a personificação da marca. Lucas ressalta que a falta de conexão entre a essência do empreendedor e a proposta da empresa é percebida pelo público e pode prejudicar a reputação.

Lucas assegura que o que realmente conecta as marcas ao público é a emoção. “Negócios não vendem apenas produtos ou serviços. Vende sentimentos, valores e histórias. Em 2025, o sucesso no mercado não será medido apenas por vendas, mas pela capacidade de criar conexões significativas, de inspirar confiança e de construir comunidades engajadas. O futuro pertence às marcas que conseguem aliar estratégia, verdade e emoção em tudo o que fazem”, declara.