Luciane Medeiros

Evento realizado pela Associação Brasileira de Franchising destaca o avanço positivo que o modelo de franquias teve neste ano em comparação com o mesmo período do ano passado

Setor de franquias comemora bom desempenho no mercado

Luciane Medeiros

Evento realizado pela Associação Brasileira de Franchising destaca o avanço positivo que o modelo de franquias teve neste ano em comparação com o mesmo período do ano passado

Se tem um setor econômico que é só sorrisos atualmente no Brasil é o de franquias. Não só pelo clima descontraído durante a 20ª Convenção ABF do Franchising, realizada em outubro na Ilha de Comandatuba (Bahia), mas pelo bom desempenho dos negócios no primeiro semestre, e, sobretudo, pelas estimativas positivas para o encerramento de 2022.
Se tem um setor econômico que é só sorrisos atualmente no Brasil é o de franquias. Não só pelo clima descontraído durante a 20ª Convenção ABF do Franchising, realizada em outubro na Ilha de Comandatuba (Bahia), mas pelo bom desempenho dos negócios no primeiro semestre, e, sobretudo, pelas estimativas positivas para o encerramento de 2022.
Segundo os dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), no primeiro semestre, o faturamento do setor cresceu 12,9% na comparação com o mesmo período de 2021, saltando de R$ 81,01 bilhões para R$ 91,432 bilhões. A projeção é passar de R$ 200 bilhões em faturamento neste ano, atingindo uma receita de R$ 207,276 bilhões.
As unidades de franquias e novas redes no País seguem avançando. Ao final do ano, devem ser 181.900 operações, o que representa alta de 7% em relação a 2021. A expansão das redes deve atingir 3.026 marcas (5% acima do ano passado).
André Friedheim, presidente da ABF, destacou três movimentos que favorecem o surgimento de novas franquias. O primeiro parte de setores como indústria e varejo, por exemplo, que criam conceitos de negócios em franquias, entrando no mercado e trazendo estruturas fortes de franqueadora. O segundo surge a partir de oportunidades de mercado que são identificadas com potencial para ser uma franquia. E, por último, é a ação de franqueadoras já estabelecidas que criam novas marcas a partir das estruturas e "back office" que possuem.
"Muitas vezes isso ocorre no mesmo segmento onde atuam, dando origem a novas bandeiras e operações. Saio franqueando porque é o meu DNA", explicou.
Os novos negócios impulsionaram também a geração de vagas de trabalho. De acordo com o estudo da ABF, o setor de franquias registrou alta na geração de empregos diretos acima da média nacional, de 12,5%, de janeiro a junho de 2021 na comparação com o mesmo período deste ano, passando de 1,2 milhão de pessoas empregadas para 1,4 milhão.
"O sentimento é de retomada do franchising na pujança e na velocidade que a gente vem conseguindo obter. A expectativa é de crescimento do PIB de 2,5% a 3%, e o franchising está crescendo a 12%", disse o vice-presidente da ABF, Tom Leite, destacando que os números demonstram a capacidade cíclica de recuperação do segmento em um momento de crise.
Retornando ao formato 100% presencial após dois anos de pandemia, a Convenção deste ano reuniu 157 marcas franqueadoras, 28 delas entre as 100 maiores redes do Brasil. Alguns dos CEOs e fundadores puderam compartilhar seu know-how com os franqueados e demais stakeholders do setor.
Além dos painéis que debateram temas relevantes para o franchising, foram realizadas mesas redondas sobre diversos assuntos, proporcionando a integração entre franqueadores, franqueados e consultores. Os participantes puderam assistir também a palestras com nomes como o economista e professor Eduardo Giannetti, o Dr. Dráuzio Varella e o especialista em Inovação, Walter Longo.
 

Food service se reinventou para sobreviver na pandemia

A Convenção ABF do Franchising é uma oportunidade de troca de experiências e expertise entre franqueadores e franqueados. Em um dos tantos painéis realizados, o destaque foi o setor mais representativo do franchising brasileiro, o foodservice. O ramo de alimentação tem atualmente 757 redes de franquias que representam 19% do faturamento de todo o franchising brasileiro. São quase 31 mil unidades de franquias, responsáveis por gerar 433 mil empregos diretos e um faturamento de R$ 35 bilhões nos últimos 12 meses.
A conversa reuniu três importantes nomes do segmento, colocando dois "rivais" lado a lado: Ricardo Bomeny, presidente do Conselho da ABF e CEO do Grupo BFFC (Bob's, Yoggi, Pizza Hut e KFC) e Rogério Barreira, presidente da Divisão Brasil da Arcos Dorados (Mc Donald's), além de Renata Vichi, CEO do Grupo CRM (Kopenhagen, Chocolates Brasil Cacau e Kop Koffee). O pertencimento a uma rede foi um dos fatores citados pelos empreendedores para ajudar a atravessar o período da pandemia.
Na avaliação de Renata, principalmente as marcas mais consolidadas saíram do período mais fortes do que estavam em 2019, o que não aconteceu com empresas menos estruturadas. Com 950 lojas em todo o Brasil, o Grupo CRM abriu 250 novas operações desde 2020. "Muito disso foi impulsionado pela possibilidade de quanto o digital aliado ao físico, numa experiência realmente omni, é capaz de propiciar para a expansão", afirmou.
No caso do fast food, lembrou Ricardo, a maioria dos pontos se concentra em shoppings centers e deixou de operar por um longo período entre 2020 e 2021. "As redes, através de suporte aos seus franqueados, conseguiram apoiar, o que ajudou a ter um crescimento muito acima no mercado e a expandir ao longo desse tempo", disse o CEO do BFFC.
Renata defendeu a relação estreita entre franqueador e franqueado, contribuindo para o crescimento sustentável da cadeia do negócio. Para o Natal, próxima data de representatividade em termos de vendas, a projeção é aumentar em 30% o faturamento das três marcas do grupo. Entre os franqueados, a expectativa é vender 35% acima de 2021.
Outra questão levantada foi o cliente. A pandemia impôs mudanças no comportamento dos consumidores, o que impulsionou a ampliação dos canais de atendimento. "Há dez anos, a pessoa ligava só para pedir pizza. Hoje você pede por delivery e retira no drive; vai no restaurante, pede no totem e pega no balcão; faz o pedido pelo celular no restaurante e senta para ser atendido", exemplificou Rogério, adiantando que outras formas de atendimento e também de pagamento vão surgir e os empreendedores precisam "estar antenados".
Também na linha de maior enfoque no consumidor, Ricardo citou os investimentos da marca em pessoas e na transformação digital em diferentes setores, como jurídico e ponto de vendas, por exemplo. Uma das iniciativas já adotadas é o Bob's Conecta, que trouxe conceito inovador a 40 lojas onde há o uso correto de água e energia e arquitetura diferenciada. "O consumidor pode fazer o pedido pelo celular, drive thru ou app e retirar no locker na loja. Os jovens podem ficar em arquibancadas e tem locais para fazer fotos instagramáveis', explicou.
O presidente da Arcos Dorados observou o movimento de saída da massificação para personalização. O consumidor não quer mais o mesmo cupom de desconto que os demais recebem, ele quer algo exclusivo. "Se o cliente está passando na frente do Mc Donald's e gosta de café, vamos oferecer um cupom de desconto para ele. O cliente tem que saber que a gente conhece ele, são mudanças que a pandemia acelerou e vamos levar para a frente", afirmou Rogério.
 

Os sete hábitos para ser um franqueado de alta performance

O que faz um franqueado de uma mesma rede ter mais sucesso que outro, sendo que o produto é o mesmo? Ao se fazer essa pergunta, Denis Santini, publicitário, franqueado e CEO do Grupo MD - Make a Difference, se debruçou sobre o tema para auxiliar os empreendedores a terem êxito no mundo do franchising. Surgiu daí o livro 'Os 7 Franquehábitos do franqueado de alta performance'.
Denis reuniu depoimentos de várias "feras" do franchising. O livro traz as dicas de nomes como Caito Maia, fundador da Chilli Beans, José Carlos Semenzato, fundador da SMZTO, que congrega 13 marcas - entre elas Embelleze, Oral Sin, Instituto Gourmet e Oakberry - e outros franqueados e franqueadores.
"Abrir uma empresa está cada dia mais fácil. O desafio é você se manter produtivo e manter o resultado", diz o autor, que é sócio de seis operações de franquia. A primeira dica que ele dá aos que desejam abrir uma franquia é que não é preciso aderir a todos os sete hábitos, mas compreender que eles são importantes. "Entendendo isso você vai buscar pessoas dentro da própria equipe ou fornecedores, por exemplo, que te ajudem a ter esses hábitos", ressalta.
Com quase 30 anos de experiência no franchising, Denis lembra que o dia a dia de quem empreende é cheio de surpresas e mudanças. "A vida do empreendedor todo dia tem uma surpresa, cada dia um 'flash'. Você precisa saber que vão acontecer coisas que o franqueador não previu, que você não previu e o mercado não previu. Então esse é o grande desafio de estar pronto. É como aquela fala de Darwin, 'vão sobreviver os mais fortes', afirma.
O autor lembra que, assim como outras atividades cotidianas, as dicas da obra podem tornar-se um hábito dos empreendedores a partir do momento em que forem colocadas em prática no dia a dia. O livro funciona como um manual, podendo ser consultado a qualquer momento, e é possível ouvir trechos das dicas. Para isso, basta apontar a câmera e ler o QR Code ao longo das páginas da obra.
Hábito 1 - Engajar-se com a marca - Escolher redes com os mesmos valores que você acredita
Hábito 2 - Trabalhar com e para o franqueador - O franqueado de alta performance estabelece pontes com a marca.
Hábito 3 - Motivar e valorizar a equipe - Incentivar a realização dos sonhos individuais e coletivos de seus colaboradores e parceiros.
Hábito 4 - Procurar soluções, não culpados - Procurar resolver os erros, buscando saídas diferenciadas nas adversidades.
Hábito 5 - Desenvolver e investir em ações locais - Incentivar as equipes e parceiras próximas às suas operações.
Hábito 6 - Investir e reinvestir em capacitação - É preciso aprender sempre e investir continuamente em capacitação.
Hábito 7 - Pensar grande - Ter consciência de que pode ir além, buscando sempre o novo.
Luciane Medeiros

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