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Empreendedoras e empreendedores compartilham suas percepções sobre como se consolidar no mercado

Empreendedores celebram negócios que duram mais de uma década

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Empreendedoras e empreendedores compartilham suas percepções sobre como se consolidar no mercado

Duda Guerra e Giovanna Sommariva 
Duda Guerra e Giovanna Sommariva 
Novos negócios surgem todos os dias na capital gaúcha, mas o que faz com que eles criem raízes e permaneçam ativos por décadas? Conhecer a história desses empreendimentos pode responder essa pergunta. Com a proposta de ser um estabelecimento pequeno e de bairro, o mercado Brasco surgiu da vontade de dois estudantes em empreender. Arthur Bolacell e Gabriel Drumond são os responsáveis pelo negócio, desenvolvido quando os sócios estavam cursando Administração na ESPM, em Porto Alegre. Os empreendedores contam que não estavam satisfeitos com os estágios que tinham na época e queriam criar um negócio próprio, diferente e inovador.
No meio da faculdade, os amigos foram fazer um semestre fora do País, e moraram em Londres e Portugal. Durante a passagem pela Inglaterra, eles perceberam que um novo tipo de empreendimento estava surgindo. "Estudamos bastante o mercado de lá, vimos que as grandes redes tinham lojas pequenas, a Tesco, por exemplo, uma rede de supermercado gigante, tinha várias lojas de conveniência. Então, fomos olhar para o mercado do Brasil e de Porto Alegre e não tinha ninguém fazendo isso", explica Arthur.
A dupla voltou do exterior em julho de 2012 e abriu a primeira unidade do Brasco em dezembro do mesmo ano, na rua Florêncio Ygartua, em Porto Alegre. No início, eram três sócios e um estagiário, e os empreendedores lembram que, pela falta de conhecimento em administrar um mercado e por ainda estarem na faculdade, era um desafio manter o negócio de pé. Arthur e Gabriel contam que se reuniam todas as manhãs para discutir a estrutura do negócio, e que o processo para encontrar o ponto para abrir a primeira loja foi algo bem manual. "Saíamos de carro procurando pontos, perguntávamos para os porteiros dos prédios sobre quantas pessoas passavam por ali, o que faltava na região", comenta Arthur.
O negócio está completando uma década de funcionamento na capital gaúcha e, hoje, possui quatro lojas físicas e uma digital, a Tele Brasco, aplicativo próprio da empresa lançado durante a pandemia. Os sócios comentam que sentiram a necessidade de chegar até o cliente de uma maneira diferente, por conta das limitações que o isolamento trouxe. No início do projeto, tudo funcionava via WhatsApp, e os próprios donos do negócio que selecionavam os produtos e entregavam na casa dos clientes. Hoje em dia, o e-commerce conta com um sistema operacionalizado.
Além de ter o mercado, a marca possui sua própria cafeteria, com um cardápio de bebidas variadas. O Brasco está presente em uma loja no Instituto Caldeira, outra no Viva Open Mall e uma operação no bairro Bom Fim, em um casarão que compartilham com outros negócios.
Os sócios comentam que, mesmo com cinco operações em Porto Alegre, o Brasco não perdeu a essência de ser um ambiente para unir as pessoas do bairro. "Abrimos com essa pegada de ser um ponto de encontro da vizinhança, para trazer esse espírito para a Capital, e acredito que, ao longo do tempo, fomos evoluindo o modelo, além de ter só o mercado, temos o espaço aqui com o café, tudo isso segue ainda no mesmo propósito", explica Gabriel.
 

Padaria do Moinhos comemora duas décadas

Resgatar memórias afetivas por meio do alimento. Esse é o propósito da Barbarella Bakery, padaria que celebra duas décadas de operação neste ano. O empreendimento está situado na rua Dinarte Ribeiro, nº 56, desde 2002, quando a engenheira de alimentos Ana Zita abriu o negócio.
A ideia de trabalhar com um produto natural, sem aditivos ou misturas prontas, surgiu na faculdade, com um estudo sobre as técnicas de fermentação natural. O trabalho evoluiu e rendeu à Ana o Prêmio Engenheiro do Ano 2002, uma conquista inédita, na época, para uma mulher. "Consegui unir o rigor técnico da panificação tradicional aos parâmetros científicos, contribuindo para um alto padrão de qualidade de produção. Isto foi fundamental para o meu negócio", acredita Ana.
Apesar de ser mais usual hoje em dia, a fermentação natural, diferencial da Barbarella, foi o que colocou a padaria no mapa há 20 anos. "Na época, não existia pão artesanal. Vivíamos o auge da pré-mistura, e sentia falta de encontrar os pães da minha infância, essa qualidade diferenciada", lembra Ana. "Depois de um tempo, em 2008, iniciou um boom de fermentação natural, mas por uns oito anos a Barbarella abraçava um mercado em que só havia a gente produzindo aquele pão", declara.
Em novembro do ano passado, a Barbarella abriu sua primeira filial, em Curitiba, e Ana comemora a aceitação do público. "Recebemos muitos elogios, nossa cultura e concepção estão sendo abraçadas", afirma, reforçando que os planos para expansão da marca não param por aí. "Estamos fazendo em Curitiba o que faremos nas próximas capitais: crescer", garante.
Para a empreendedora, comprometimento e consistência são os grandes segredos para manter um negócio ativo por tanto tempo. "Não adianta só o talento, conhecimento, sonho e coragem, que também são imprescindíveis, mas a grande questão é a consistência, comprometer-se em fazer o teu sonho crescer", expõe.
Já para empreendedores iniciantes, ou aqueles que almejam abrir um negócio, Ana afirma que o melhor a fazer é focar no planejamento. "O brasileiro tende a ter um tempo menor de planejamento, ir direto para a execução. Fiquei três anos planejando a Barbarella. Em compensação, trouxemos o novo. Acredito muito que, toda empresa que traga pioneirismo, que precisa educar o próprio mercado, precisa estudar e pesquisar muito para alcançar o sucesso", finaliza.
A operação na Capital abre de segunda a sábado, das 8h às 21h, e domingos e feriados, das 9h às 21h. Já em Curitiba, opera de segunda a sexta, das 7h às 22h, e sábados, domingos e feriados, das 8h às 22h.
 

Empresa de turismo de Bento Gonçalves completa 30 anos no mercado

Responsável pelo passeio de trem Maria Fumaça, em Bento Gonçalves, desde 1992, a Giordani Turismo comemora, neste ano, três décadas de atuação. O negócio foi criado por Leonel Giordani, patriarca da família, que trabalhava com transporte urbano e enxergou, durante os anos 1990, o potencial que o turismo poderia, e viria a ter. O fundador, que faleceu em fevereiro deste ano, deixou o legado que construiu nas mãos da família.
A nora de Leonel, e primeira funcionária da Giordani, Andréia Zucchi, lembra do olhar inovador e das habilidades técnicas de seu sogro. "Ele foi convidado pela prefeitura a operar o passeio de trem. Muitas das peças não existiam e eram feitas por ele mesmo, a própria linha férrea era fabricada por nós", diz a diretora administrativa.
Após tantos anos de operação, Andréia enxerga a empresa como um filho já adulto. "Nesses 30 anos, foi tudo do zero. Ajudamos a colocar o nome de Bento no mapa de turismo de todo o Brasil", garante, contando que a família já recebeu convites para atuar em outras regiões do País, mas sempre nega. "Aqui é o nosso lugar, onde está nosso DNA, é a nossa história", declara.
Buscando dar espaço para trabalhadores locais, a diretora recorda que, no início da companhia, eram contratados apenas moradores de Bento, mas que, com o crescimento da empresa, não foi possível manter o pré-requisito. "Eles precisavam falar sobre a cidade, então dávamos preferência para pessoas daqui, mas chegou um momento que não teve como. Antes da pandemia, estávamos com 130 funcionários", afirma, explicando que, devido à Covid-19, tiveram de demitir alguns colaboradores, mas agora estão em período de retomada, com 124 pessoas.
Depois de passarem seis meses parados, em 2020, Andréia ressalta que, apesar de ainda não estarem operando com 100% da sua capacidade, é muito bom poder estar trabalhando. "A pandemia foi um baque, o turismo foi o primeiro setor a sentir, e o que mais sofreu. Além dos nossos funcionários, tínhamos muito pessoal terceirizado, como músicos e artistas locais que dependiam do turismo, foi muito difícil, mas agora estamos retomando, já em 80% de atuação", relata.
Nos 30 anos que trabalha com turismo, a empresária enxerga a evolução não só da empresa, como da região em que está inserida. "Tornou-se um destino consolidado para os turistas. Bento Gonçalves é um polo de gastronomia e enoturismo. Evoluímos muito nesses anos e a cidade também, é uma felicidade ver tudo isso hoje", compartilha.
Atualmente, a Giordani Turismo administra o passeio de trem Maria Fumaça, o Parque Cultural Epopeia Italiana, e oferece mais de 30 opções de roteiros, que contemplam variados atrativos da região, e são vendidos na própria agência.
Vários são os planos para os próximos anos. Atualmente, dois novos projetos estão sendo desenvolvidos, um deles com previsão para inaugurar ainda este ano. "Por enquanto, não posso falar muito, só que não será em Bento, mas é aqui no Estado", revela Andréia.
 

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