RedaçãoE

Diferente do conhecido ditado 'família, família, negócios à parte', irmãs e irmãos têm, cada vez mais, apostado na relação familiar como base para o empreendedorismo

Empreendedores apostam na relação familiar para firmar sociedade

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Diferente do conhecido ditado 'família, família, negócios à parte', irmãs e irmãos têm, cada vez mais, apostado na relação familiar como base para o empreendedorismo

Escrito por Giovanna Sommariva e Victória Paz.

Escrito por Giovanna Sommariva e Victória Paz.

Há quem diga que trabalho e família não se misturam, e em uma rápida busca pelo Google, é possível notar a grande quantidade de textos e artigos que abordam como é difícil empreender com familiares. No entanto, essa não é a percepção das Irmãs do Axé. Renata, Alessandra e Vanessa Martins acreditam que é justamente por serem irmãs e, consequentemente, já conhecerem as forças e fraquezas de cada uma, que trabalham tão bem juntas. Desde 2021, o trio comanda o próprio ateliê em Viamão, que produz peças de roupas para religiões de origem africana.

As irmãs herdaram da mãe o amor pela costura. Vanessa, a caçula da família, foi a primeira a se interessar por esse universo, e, desde muito nova, já se aventurava na máquina de costura. Mas, mesmo com a proximidade com esse universo, seguiu um caminho profissional completamente diferente. "Me formei na área da Educação e fui para Portugal fazer meu doutorado, vivi muitos anos lá, trabalhando na própria universidade", conta Vanessa, que retornou para o Brasil em março de 2021, após descobrir que estava com câncer de mama.

"Vim para cá realizar meu tratamento, e fiquei morando com a Alessandra, que largou tudo para cuidar de mim. Com o tempo, comecei a costurar, mas fazia peças só para nós, uma coisinha ou outra, porque precisava de algo para me distrair e passar o tempo", lembra sobre o início do negócio, que surgiu sem muita pretensão. "A Alessandra me fez um desafio de criar uma roupa completa para ela ir em uma festa, teve a ideia e me disse como queria. Eu fiz e, quando ela chegou na festa, foi um sucesso, saiu de lá com uma encomenda", recorda.

Com muitos pedidos chegando, o trio teve de deixar o local improvisado em casa e alugar um espaço apropriado para o trabalho.

GIOVANNA SOMMARIVA/ESPECIAL/JC

"Em março deste ano, pegamos essa sala e logo tivemos de expandir, era muita demanda", compartilha Vanessa, explicando que nunca imaginaram crescer tanto. "Foi tudo muito rápido e difícil, porque nenhuma de nós tinha experiência empreendendo, mas a oportunidade surgiu e a gente agarrou. Fomos descobrindo na prática mesmo, sem investimento e planejamento nenhum, era como se estivéssemos trocando a roda com o carro andando", brinca.

Quando enfim realizaram o sonho de trabalhar juntas, descobriram que a conexão familiar era um dos pontos positivos, pois já conheciam muito bem umas às outras, sabiam e respeitavam o limite da cada uma. "Não existe pessoa que vai torcer e te apoiar mais do que a tua irmã, e isso também vale para entender até onde a outra pode ir, e respeitar os limites e forças de cada uma", acredita Alessandra, ressaltando que, apesar de cada irmã ter sua própria função, todas as peças são feitas a seis mãos, pois é um trabalho de ajuda e apoio entre todas.

Trabalhando apenas com peças sob encomenda, os itens personalizados podem ir de R$ 160,00 até mais de R$ 1 mil, dependendo da quantidade de tecidos, rendas e artigos utilizados. "Sempre perguntamos quanto o cliente pode e quer gastar, e partimos daí, até porque, se depender da gente, sempre vai ter muito enfeite e muita renda", diverte-se. O ateliê funciona de segunda à sexta, das 9h às 19h, mas o trio reforça que, como trabalham com agendamento, os horários podem variar. Pedidos são entregues para todo o Brasil, e contato e orçamentos podem ser feitos pelo Instagram (@irmasdoaxemodaafro) ou direto no WhatsApp (51) 997501860.

 

Irmãs apostam em loja online de decoração

 "O que uma não sabe muito, a outra ajuda. É um complemento", define Victória Forte da Silva, 23 anos, sobre trabalhar com a irmã gêmea Nathália. Com três anos de operação, a dupla comanda a Arte por Nós, loja online de decoração.

Sem pretensão nenhuma de abrir um negócio, Victória conta que a primeira peça foi feita para ela mesma. "Queria muito um suporte para plantas, e nós sempre tivemos, eu e a minha irmã, essa aptidão por fazer as coisas, então assistimos uns vídeos no YouTube e fomos fazendo", lembra, admitindo que a ideia não poderia ter surgido em um momento melhor, já que a dupla estava de mudança da casa dos pais para o seu primeiro apartamento. "Vários amigos e conhecidos gostaram e começaram a pedir também, e, como estávamos indo morar sozinhas, era uma opção de renda extra para ajudar", explica.

No final de 2019, poucos meses antes do início da pandemia, a dupla criou o Instagram da loja (@arte.por) e foi por lá que começou a divulgação dos primeiros produtos. "Tínhamos pouquíssimas opções, mas, quando começou a pandemia, teve um crescimento nesse universo de decoração. As pessoas passaram a ficar em casa e surgiram muitos pedidos, de ideias e peças personalizadas também, foi um salto nas vendas", relata, revelando que, por produzirem muitos itens personalizados, os preços podem variar muito. "Já fizemos painéis muito grandes, até uma cabana, então pode ir até R$ 10 mil, depende muito do tamanho do pedido", pondera.

Com pouco tempo de operação e mais de 10 mil seguidores no Instagram, Victória afirma que toda a experiência de gerenciar um negócio foi, e ainda é, muito desafiadora. "No início, não sabíamos direito como cuidar do estoque, foi difícil até pegarmos o jeito. Agora, fazemos tudo por encomenda, sem itens à pronta-entrega", expõe.

Mesmo fazendo tudo sozinhas, quando a dupla percebeu o potencial que o negócio tinha, focou no Instagram e em divulgação para influenciadores da região. Com o reconhecimento que ganharam, chegaram até a participar da decoração da unidade da Casa Cor, em Porto Alegre, e tiveram itens expostos pela conta oficial do Outback. "Todas essas oportunidades surgiram por causa dos nossos clientes, que nos indicaram. Temos essa troca de carinho muito grande com eles, isso é muito importante pro nosso trabalho", garante.

Os pedidos podem ser feitos pelo site www.artepor.com.br ou pelo Instagram da loja, com envios para todo o Brasil. 

 

Dupla cria projeto focado em tecnologia no Instagram

Não é só a aparência que as irmãs Bruna e Juliana Freitas compartilham. O interesse e a paixão por programação também é o mesmo. Assim, em março de 2022, criaram a Twins Code, projeto com objetivo de fomentar a área tech como uma possível carreira de sucesso, além de dar visibilidade para mulheres no ramo, que é majoritariamente masculino. 

Apesar de existirem movimentos que buscam equilibrar e trazer mais diversidade e equidade de gênero para esse universo, a dupla acredita que os esforços ainda não são suficientes, e resolveu contribuir de alguma forma. "Queremos ajudar nessa mudança para que mais mulheres e outras minorias possam conhecer a tecnologia e a possibilidade de trabalhar nessa área que está em constante crescimento", explica Juliana.

Estudantes de Engenharia da Computação na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), as irmãs compartilham, na sua página do Instagram (@twiinscode), seus estudos, insights e dicas de programação. Com mais de 2 mil seguidores, elas trabalham como Software Engineers na empresa Loggi, e mostram suas vivências e experiências profissionais na rede social. "Além dos conteúdos, queremos mostrar como lidar com as dificuldades, pois nós sentimos na pele o estereótipo de ser mulher na área de programação e o medo do desconhecido", conta Juliana.

O interesse pela computação surgiu através de um curso técnico no ensino médio. Bruna e Juliana tiveram acesso a projetos de pesquisa e tentaram ajudar a sociedade com suas ideias. "Pensei em desistir por causa desse estereótipo, mas resolvi deixar isso de lado e seguir. Consegui trazer minha irmã comigo nessa jornada e, agora, somos as duas estudando e tentando mudar o mundo", diz Bruna.

Com cinco meses gerando conteúdo no Instagram, a dupla percebeu a alta demanda no mercado por esse tipo de conteúdo.

O objetivo para as próximas publicações é apresentar os conteúdos de uma forma descontraída, objetiva e simples, podendo até migrar para o TikTok, em busca de vídeos animados sobre programação.

 

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