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A IA está economizando tempo ou criando uma nova camada de trabalho invisível?

 
A promessa é sedutora: menos tarefas repetitivas, mais produtividade e decisões mais rápidas. Enquanto as empresas aceleram a adoção da inteligência artificial, um fenômeno silencioso vem chamando a atenção: o tempo gasto para aprender a usar a tecnologia raramente entra na conta. O resultado é uma falsa sensação de produtividade, em que os ganhos esperados demoram a aparecer porque o esforço necessário para fazer a IA funcionar é subestimado.
Existe uma curva de aprendizado real no uso de inteligência artificial, mais complexa do que parece à primeira vista. Ela acontece em dois níveis: o do usuário e o da organização que quer automatizar os seus processos. Para os profissionais, o desafio começa ainda na escolha das ferramentas. São muitas opções, e o usuário testa um pouco de cada uma, sem gerar aprofundamento e qualidade em nenhuma.
Quando o assunto é produtividade, os ganhos existem, mas costumam vir acompanhados de um esforço invisível. É preciso formular boas instruções, testar abordagens, revisar o que foi gerado e ajustar quando o resultado não está certo. Muitas empresas deixam de considerar esse investimento de tempo ao avaliar os resultados da adoção da tecnologia. Esse esforço sempre existiu; o que falta é reconhecê-lo. Quando a empresa ignora esse tempo, deixa de alocar recursos para treinamento, não cria espaço para compartilhamento de conhecimento e para errar e aprender, e não desenvolve padrões internos de uso.
O papel da liderança na aprendizagem
Nesse contexto, o papel da liderança torna-se decisivo. O que determina o resultado não é a tecnologia em si, mas a forma como a liderança conduz sua adoção. Quando a IA chega sem direção clara, cada pessoa resolve o problema do seu jeito. Frente à esta oportunidade, os líderes precisam criar um ambiente seguro para experimentação e aprendizado, no qual a equipe tenha espaço para testar, errar e aprender juntos.
As organizações que conseguem extrair valor real da inteligência artificial são justamente aquelas que utilizam a tecnologia para revisar a forma como trabalham. Elas tratam a tecnologia como um pretexto para repensar seus próprios processos e percebem que a IA expõe o que sempre existiu: processos mal definidos, decisões sem dono, regras que vivem na cabeça das pessoas. Mais do que escolher a ferramenta certa, o diferencial está na capacidade de transformar aprendizado individual em conhecimento coletivo. A diferença está no que a organização faz com o que aprende ao usar a tecnologia, muito mais do que na tecnologia em si.


Bianca Aichinger, especialista em desenvolvimento de lideranças e transformação cultural e sócia da Quantum Development

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