O título deste artigo vem de uma importante obra, escrita pela professora Amy Edmondson: A Organização sem Medo.
A sua leitura é muito proveitosa. Compartilhando experiências, a autora oferece um valioso guia para todas as empresas que desejam transformar o seu ambiente, a fim de melhor acolher as pessoas, ampliar o seu valor e obter ótimos resultados.
Segundo a autora, para que o trabalho floresça, o local onde se trabalha deve fazer as pessoas se sentirem capazes de dividir o seu conhecimento. Isso significa compartilhar dúvidas, preocupações, erros e ideias, para se viabilizar o constante aprendizado e o desenvolvimento.
No mundo em que vivemos, a colaboração é essencial. Existe uma interdependência entre as pessoas e os distintos conhecimentos necessários para avançar cotidianamente. A boa comunicação é uma soft skill essencial.
Portanto, todas as empresas deveriam se preocupar quando os seus colaboradores relutam em dizer ou perguntar algo, com receio dos “riscos decorrentes da franqueza”. O silêncio em uma reunião corriqueira equivale à perda de uma valiosa oportunidade de aprimoramento.
Logo no início de seu livro, Amy Edmondson apresenta o exemplo da enfermeira Cristina, acostumada a cuidar de recém-nascidos com problemas pulmonares. Diante de uma orientação insuficiente do médico neonatal, ela – com medo - preferiu silenciar, com receio de que a sua dúvida quanto ao proveito da utilização de um remédio comumente oferecido em situações semelhantes gerasse para si consequências negativas.
Contudo, se ela tivesse simplesmente compartilhado a sua dúvida, o neonatologista poderia concordar e ligar para a farmácia para fazer o pedido, ou teria explicado o porquê de ele não ser necessário nesse caso.
De qualquer forma, a unidade teria melhor resultado. Os pacientes teriam recebido o medicamento que salvaria suas vidas ou a equipe teria aprendido algo novo.
De qualquer forma, a unidade teria melhor resultado. Os pacientes teriam recebido o medicamento que salvaria suas vidas ou a equipe teria aprendido algo novo.
Nesse sentido, Amy defende que as empresas devem se preocupar em desenvolver competências individuais e coletivas. Elas precisam promover um clima psicologicamente seguro, no qual os empregados se sintam respeitados e livres para contribuir com ideias, compartilhando percepções. Funcionários que sentem as suas opiniões levadas a sério tendem a se engajar, gerando uma série de efeitos positivos: produtividade, absenteísmo, etc.
Já se observa a valiosa ideia de “segurança psicológica”, definida pela autora como um “clima em que as pessoas estão à vontade para se expressar e serem elas mesmas”. Psicologicamente seguras, as pessoas compartilham suas preocupações e erros sem medo de constrangimento, represálias e punições.
Ambientes positivos entusiasmam as pessoas a agir, sem receio de serem ignoradas, humilhadas ou culpadas. O medo inibe o aprendizado!
Ambientes positivos entusiasmam as pessoas a agir, sem receio de serem ignoradas, humilhadas ou culpadas. O medo inibe o aprendizado!
As consequências desse ambiente psicologicamente seguro são altamente positivas: erros são reportados rapidamente para que a ação corretiva ocorra de forma mais rápida, ideias potencialmente inovadoras circulam e são desenvolvidas, a empresa se adapta às mudanças de mercado, amplia-se a produtividade, a equipe se sente motivada, com a participação de todos, etc.
Encerro com uma advertência: não se pode confundir um ambiente entusiasmante com um ambiente permissivo. O objetivo é ampliar a satisfação dos colaboradores e, por decorrência, o valor da própria empresa. Isso não significa, de forma alguma, tolerância com a irresponsabilidade ou indisciplina.
Em 2026, no Brasil ou em qualquer outro lugar do globo, é hora de superar a cultura do medo.

