Muitos empreendedores ainda iniciam suas jornadas encarando o digital como uma tarefa a ser riscada da lista: criar um site, abrir um perfil no Instagram e, talvez, disparar alguns e-mails. No entanto, em um mercado cada vez mais pautado pela maturidade dos dados e pela complexidade das decisões de compra, essa visão pode ser o teto que impede o crescimento do negócio.
O que o empreendedor precisa entender, antes de qualquer investimento em plataformas, é que o digital não é um departamento, mas o ecossistema onde o seu cliente habita. Seja no varejo ou na indústria de base, a jornada de compra começa, e muitas vezes termina, em uma tela.
Especialmente no Rio Grande do Sul, onde temos uma base industrial e tecnológica fortíssima, existe um mito de que o marketing digital é coisa de varejo. Grande erro. No setor B2B, as vendas são complexas e envolvem diversos decisores. Mas é preciso lembrar do conceito de B2P (Business to People). Afinal, empresas não tomam decisões, pessoas tomam.
O digital serve para construir a autoridade necessária para que, quando o seu vendedor bater à porta (ou abrir uma sala virtual), a confiança já esteja estabelecida. O empreendedor deve usar o conteúdo não apenas para vender, mas para educar o mercado e resolver as dores reais do seu público.
Outro ponto fundamental é a transição da intuição para a análise. Antigamente, o marketing era uma aposta. Hoje, é ciência aplicada. O empreendedor moderno precisa dominar, ao menos conceitualmente, métricas que realmente importam, como custo de aquisição de cliente (CAC), valor do tempo de vida do cliente (LTV) e taxa de conversão.
Conteúdos caça-curtidas, mas que não geram oportunidades de negócio, campanhas sem diferenciais ou proposta de valor são métricas de vaidade que drenam o caixa. O foco deve ser a performance aliada à construção de marca. Um negócio sólido se constrói com consistência, e não com "hacks" ou tendências passageiras.
Por fim, o digital exige o envolvimento direto da liderança. O CEO deve ser o primeiro embaixador da marca, utilizando canais como o LinkedIn para fortalecer o social selling e a reputação institucional. O digital é uma maratona de longo prazo. Quem entende que a tecnologia é o meio, mas a estratégia e as pessoas são o fim, já começa o jogo vários passos à frente da concorrência. O sucesso no digital não vem de quem grita mais alto, mas de quem entrega o valor certo, para a pessoa certa, no momento exato da jornada.

