Rosane Terragno Rosane Terragno Foto: /ROSANE TERRAGNO/ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC

Linha de bases é lançada pelo respeito aos tons de pele

Nova marca de bases promete atender público de pele negra

No início do mês, a loja de maquiagens Território da Beleza completou quatro anos. O estabelecimento, administrado pela empresária Rosane de Castro Terragno, 44 anos, mudou o destino de sua vida profissional. Mal sabia ela que o empreendedorismo a faria cumprir um papel social tão importante.
Rosane tinha uma rotina bastante agitada. Era gerente de contas de uma empresa e viajava de Norte a Sul do Brasil. Até que, por vontade própria e desejo de estar mais perto da família, decidiu abrir o negócio. Ela, que já era conhecida entre as amigas por gostar de maquiar todo mundo, decidiu empreender no ramo.
Rosane não se limitou a administrar a loja: desenvolveu uma linha de maquiagem própria, a Divas Bllack. A novidade são as bases, pensadas exclusivamente para peles negras. Por muito tempo, esse tipo de produto deixava os rostos embranquecidos, laranjas ou acinzentados. Ou seja, marcas de cosméticos tradicionais não enxergavam o público afro. Um dos grandes diferenciais das Divas Bllack é entender que não existe somente um tipo de pele negra. A população preta é composta por pessoas de pele mais clara até as bem escuras. Essas últimas são as que mais sofrem para encontrar produtos, pois as marcas tradicionais se atém às bases tom de mel.
A Divas Bllack tem seis tons: Rafaella, Rosane, Tais, Duda, Maria e Dandara. Cada nome com um significado na vida de Rosane. Por exemplo, Rafaella é a filha; Duda (da matéria acima) é amiga e uma das pessoas que acompanhou todo o processo de criação; e Tais faz homenagem à atriz Tais Araújo. Quando Rosane começou a pensar na marca, inclusive, teve como uma de suas mentoras a própria atriz, que se interessou pela proposta.
A empreendedora comenta que vem recebendo muito retorno do público. "Estou muito emocionada com as respostas. A questão não é só o valor, mas o movimento que cria em torno disso", orgulha-se. Ela, ainda, ressalta a importância da coletividade nesse momento. A questão da união de forças, aliás, é colocada em prática na vida de Rosane. Embora a ideia das bases tenha sido sua, ela contou com uma rede de mulheres negras, que contribuíram para que tudo desse certo. "Sozinha tu vais bem rapidinho, mas junto tu vais mais longe", reflete.
Apesar de a maior parte das respostas serem positivas em relação à linha, Rosane conta que algumas pessoas não curtiram o fato de haver um produto voltado somente para a população negra. "A gente não quer segregar nada, mas tivemos que nascer, criar, para que a sociedade nos enxergasse", expõe. Como empreendedora negra, ela preenche uma lacuna deixada em aberto pelas grandes empresas.
 
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