Estudos de fungos de animais domésticos e silvestres ganham destaque

A trajetória profissional de Ferreiro teve início em 1974, na Embrapa, desenvolvendo atividades em Recife, Pernambuco

A trajetória profissional de Ferreiro teve início em 1974, na Embrapa, desenvolvendo atividades em Recife, Pernambuco


/TÂNIA MEINERZ/JC
As pesquisas desenvolvidas ao longo de cinco décadas na profissão e o trabalho como editor-chefe na revista Acta Scientiae Veterinariae (ASV), periódico científico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), levaram o médico veterinário e professor Laerte Ferreiro a ser um dos agraciados no Prêmio Futuro da Terra na categoria Inovação e Tecnologia Rural.
As pesquisas desenvolvidas ao longo de cinco décadas na profissão e o trabalho como editor-chefe na revista Acta Scientiae Veterinariae (ASV), periódico científico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), levaram o médico veterinário e professor Laerte Ferreiro a ser um dos agraciados no Prêmio Futuro da Terra na categoria Inovação e Tecnologia Rural.
Graduado em 1973 pela universidade gaúcha, Ferreiro foi um dos precursores no estudo de temas como micoses dos animais domésticos e silvestres, com importantes contribuições para o meio acadêmico e científico e também para a disseminação da revista.
A trajetória profissional de Ferreiro teve início em 1974, na Embrapa, desenvolvendo atividades no Centro de Pesquisas Zoopatológicas (CPZ) em Recife (PE). "Na época, era início da Embrapa e não tinha concurso, meu nome foi indicado. Fui para Brasília e fiz uns testes e a política era trocar o pessoal de região, e eu fui mandado para Recife", lembra. O primeiro campo de pesquisa foi com aves, fazendo diagnóstico e bacteriologia.
A partir de um estágio no Instituto de Micologia em Recife, Ferreiro começou a se aprofundar no estudo de fungos. Na sequência, por intermédio da Embrapa, foi enviado para os Estados Unidos onde fez pós-graduação em Davis, na Universidade da Califórnia. Embora fosse apenas recém-formado, trabalhou no laboratório do Hospital Veterinário de Davis, sendo o responsável pela parte de diagnóstico micológico.
Após o Mestrado e de volta ao Brasil, entre 1978 e 1979, desenvolveu pesquisas no Centro Nacional de Gado de Leite (CNPGL) da Embrapa, localizado na época em Coronel Pacheco (MG). As pesquisas se concentraram na etiologia bacteriana da mastite bovina na região da Zona da Mata, além de aspectos da produção, composição e qualidade do leite em cooperação com a Emater e o Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) - EPAMIG, situado em Juiz de Fora.
A atuação junto à Ufrgs começou em 1980, quando foi cedido para a FaVet, Faculdade de Veterinária, trabalhando no Setor de Patologia e Terapêutica das Doenças Infecciosas. "Comecei a dar aula de Micologia e diagnóstico, até então não havia nada disso. O clínico de pequenos animais e o de grandes animais não pensava porque não tinha na sua base essa suspeita de micose", explica.
Professor concursado na Faculdade da Ufrgs desde 1985, Ferreiro foi o precursor e é até hoje o responsável pelo Setor de Micologia na Favet. Entre 1990-1995 cursou Doutorado na França, na Escola de Veterinária (ENVA) Maisons-Alfort e Universidade Paris XII. Com os colegas veterinários e professores Janio Morais Santurio (UFSM) e Mário Carlos de Araújo Meireles (UFPel), é um dos primeiros a se dedicar aos estudos de micoses de animais domésticos e silvestres.
Em 1997, começou a atuar no PPGCV na comissão organizadora do Doutorado e de diversas Comissões do PPG. Orientou pesquisas sobre micoses dos animais domésticos e silvestres (aspectos clínicos e experimentais - com ênfase em dermatofitose, esporotricose, pitiose, pneumocistose, aspergilose, malasseziose, candidose, criptococose e mastites micóticas em ovelhas e vacas), além de testes de susceptibilidade antifúngica.
Ferreiro coordenou a área de Micologia Veterinária em diversos workshops, simpósios e congressos, inclusive em eventos de abrangência nacional. Até 2020, quando encerrou as atividades de orientador, conduziu 27 Mestrados, 14 Doutorados, 3 Pós-Doutorados e dezenas de bolsistas de Iniciação Científica (IC), Extensão e de Trabalho.
Desde 2002, trabalha na revista Acta Scientiae Veterinariae, contribuindo para que a publicação, iniciada em 1973, alcançasse abrangência internacional, ao implementar mudanças. Inicialmente chamado de Arquivos da Faculdade de Veterinária Ufrgs, a publicação passou a se chamar Acta Scientiae Veterinariae, em latim, para se desvincular de ser apenas um periódico local da Ufrgs.
"Dei o suporte para que a revista, antes muito local, só em português, hoje receba trabalhos em inglês e de várias partes do mundo. Começamos aos poucos a receber artigos de vários países. Agora são artigos de 51 países, de todos os continentes", conta. Com a criação de um Suplemento especial anual só para cases ou relatos de casos, já ultrapassa a marca de 900 textos, com produções do Brasil mas também do exterior. Na equipe da revista, além de Ferreiro, há um editor-adjunto e uma Comissão local e Internacional, esta última para avaliar os artigos submetidos em inglês.
"A revista passou a ser publicada online de forma contínua, deixou de ter fascículos, o que facilita a agilidade das publicações", complementa o pesquisador.
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