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Publicada em 27 de Agosto de 2024 às 14:51

Criadores de Wagyu veem aumento do interesse pela raça, que é a carne mais cara do mundo

A Agropecuária Zanella está com três animais na feira, um deles o touro Loucura

A Agropecuária Zanella está com três animais na feira, um deles o touro Loucura

ALINA SOUZA/JC
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Luciane Medeiros
Luciane Medeiros Editora Assistente
A carne mais cara do mundo vem despertando o interesse dos gaúchos — inclusive por suas participações na Expointer. Com preço do quilo cotado a cerca de R$ 1 mil por alguns cortes, o Wagyu tem origem no Japão. O diferencial está na propensão para a disposição da gordura entre as fibras musculares, o chamado marmoreio, que faz o Wagyu rico em ácidos graxos monoinsaturados, ômega 3 e ômega 6, a gordura considerada saudável.
A carne mais cara do mundo vem despertando o interesse dos gaúchos — inclusive por suas participações na Expointer. Com preço do quilo cotado a cerca de R$ 1 mil por alguns cortes, o Wagyu tem origem no Japão. O diferencial está na propensão para a disposição da gordura entre as fibras musculares, o chamado marmoreio, que faz o Wagyu rico em ácidos graxos monoinsaturados, ômega 3 e ômega 6, a gordura considerada saudável.
A raça foi introduzida no Rio Grande do Sul há 22 anos pela Agropecuária Zanella pelos irmãos Ricardo e Eraldo Zanella, de Paim Filho, e já são sete criadores no Estado. “A raça Wagyu tem um potencial gigantesco na sua criação, principalmente em relação à qualidade da carne e aos benefícios que ela vai trazer, podendo aumentar a lucratividade do produtor rural”, destaca Ricardo, que é médico veterinário e professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo (UPF).
Já são 12 anos de participação da Agropecuária Zanella na Expointer. Nesta edição, o empreendimento está com três animais no Parque de Exposições Assis Brasil em Esteio. Um deles é o touro Loucura, de 36 meses, usado para reprodução. No parque, o gado da empresa ficou aos cuidados do Matheus Dias, que tem um centro de preparo de animais para exposição.
Ao todo, o rebanho da Zanella soma 150 cabeças de Wagyu. “Trouxemos dois reprodutores e uma matriz. As matrizes para reprodução deixamos em casa”, conta Juliano Oliveira da Cruz, médico veterinário da Agropecuária. Desde sábado, quando começou a feira, o movimento de produtores e demais visitantes interessados em conhecer melhor a raça tem sido grande em busca de informações sobre a comercialização de sêmen, de embriões e matrizes.
O Wagyu atinge o alto grau de marmoreio, que tem uma escala de zero a 12, aos 36 meses de vida. Segundo Cruz, alguns criadores no Brasil já chegaram ao pico, e a Agropecuária Zanella está entre o grau 8 e 9.
Outro empreendimento que está na feira é a Invernada Santa Fé, de Júlio de Castilhos. Inicialmente, a Santa Fé tinha animais Angus, fazendo posteriormente reprodução cruzada com Wagyu. Hoje, a empresa cria apenas a raça japonesa, totalizando 150 animais puros. “Comecei como um hobby, gostava de cozinhar e introduzi o Wagyu. Com a experiência dei continuidade à criação, ficando só com ela”, conta Marcos Andras, proprietário da Invernada Santa Fé.
A Invernada Santa Fé trouxe nove animais para essa edição da Expointer | ALINA SOUZA/JC
A Invernada Santa Fé trouxe nove animais para essa edição da Expointer ALINA SOUZA/JC
O criador considera que há um interesse maior das pessoas em geral, não só de produtores, sobre a raça, que atrai visitantes ao Pavilhão do gado de corte na feira. A Santa Fé trouxe nove animais neste ano, um pouco abaixo dos 12 que estiveram na Expointer passada. “Viemos para dar uma força pela questão da enchente e não deixar a peteca cair”, afirma Andras.
Os animais da raça Wagyu são abatidos em frigoríficos parceiros. No caso da Zanella, é o Coqueiro, e na Invernada Santa Fé, o frigorífico Guidara. A partir daí a carne é distribuída para comercialização, sobretudo em “açougues boutiques”.
Ricardo acredita que o aumento da criação de Wagyu no Brasil pode contribuir para uma redução do preço ao consumidor final. “Hoje grande parte do que chega na mesa do brasileiro vem de São Paulo e até mesmo do Uruguai, e quando a gente traz produtos de outros estados, nós temos um valor bastante alto de taxas e impostos que nós precisamos pagar”, avalia.
A raça Wagyu é o foco de diversas pesquisas na UPF. Um dos projetos relaciona os diferentes tipos de pastagem de inverno e a qualidade da carne, principalmente na deposição do marmoreio. Outro estudo foca em eficiência reprodutiva tanto de machos quanto de fêmeas, onde os pesquisadores tentam identificar alguns marcadores moleculares sanguíneos na raça que possam auxiliar a selecionar os melhores animais para índices reprodutivos. “Também estamos focados em verificar qual é a preferência da população gaúcha em relação à qualidade da carne da raça Wagyu”, complementa Ricardo.

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