O comércio de Erechim enfrenta um cenário de cautela diante do comprometimento da renda das famílias e das incertezas do ambiente econômico, mas mantém a capacidade de resiliência, segundo avaliação da presidente da CDL Erechim, Débora Lunardi, e do presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, Ivonei Pioner. As lideranças estiveram nesta sexta-feira (4) na Casa do Jornal do Comércio, durante a Expointer, para discutir o desempenho do setor e os principais gargalos enfrentados pelos empresários.
Com 107 mil habitantes e cerca de 22 mil CNPJs ativos, dos quais aproximadamente 16 mil estão ligados a comércio e serviços, Erechim funciona como polo regional para 39 municípios. Segundo Débora, apesar da economia local também contar com uma forte base industrial e do agronegócio, o varejo tem demonstrado resiliência diante da conjuntura. Para ela, o consumidor está mais contido e os empresários precisam adotar maior prudência na gestão, evitando investimentos incompatíveis com a realidade financeira dos negócios.“Erechim tem um comércio muito consolidado e uma economia diversificada. Nosso papel é fortalecer esse ecossistema e estimular que o consumo permaneça na região.” Comenta Débora.
O endividamento é um dos principais fatores de pressão sobre as vendas, Débora estima que cerca de 83% das famílias estejam com o orçamento comprometido, o que reduz a capacidade de consumo. Pioner amplia o diagnóstico para o cenário nacional e afirma que 85% das famílias brasileiras estão endividadas, enquanto mais de 12 milhões de CNPJs enfrentam inadimplência. Para o dirigente, a redução do poder de compra também é agravada pela expansão das plataformas de apostas, que, segundo ele, desviam recursos que poderiam ser destinados ao consumo de bens e serviços.
Outro ponto de preocupação para as entidades é a concorrência com produtos importados. Débora defende medidas de proteção ao empreendedor nacional e critica a diferença entre a carga tributária suportada pelo comércio brasileiro e a concorrência de produtos adquiridos no exterior. Pioner também considera a política de tributação das compras internacionais um fator de perda de competitividade para a indústria e o varejo nacionais, especialmente nos segmentos de vestuário e calçados.
O presidente da Federação Varejista também citou a escassez de crédito e o endividamento do produtor rural como entraves à recuperação econômica. Após visitas recentes a Goiás e Mato Grosso, afirmou ter identificado uma preocupação comum entre produtores de diferentes regiões com as condições de financiamento e a falta de incentivos. “O setor clama por uma política renovada”, afirmou.
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