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Publicada em 07 de Setembro de 2026 às 16:48

Busca por rentabilidade muda o perfil dos rebanhos leiteiros

Kunz diz que a criação das raças ajuda a reduzir gastos e incrementar rentabilidade das propriedades

Kunz diz que a criação das raças ajuda a reduzir gastos e incrementar rentabilidade das propriedades

Dani Villar/Especial/JC
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especial para o JC
Em um cenário de custos de produção elevados, eventos climáticos extremos e dificuldade para encontrar mão de obra no campo, a busca por animais mais eficientes e adaptados às condições brasileiras vem ganhando espaço na pecuária leiteira, seja para a produção de leite ou pela demanda por genética.
Nesse movimento, as raças Gir Leiteiro e Girolando, resultado do cruzamento entre o Gir e o gado Holandês, ampliam sua participação entre produtores que procuram equilibrar produtividade, rusticidade e rentabilidade. “Quem trabalha na atividade leiteira nunca sabe quanto vai receber pelo que entrega e muitas vezes o que se paga não cobre nem os custos de produção. Essa realidade obriga o produtor a reduzir esses gastos com a atividade para ter rentabilidade. Essas raças permitem isso”, afirma o criador das duas raças e presidente da Associação de Criadores de Gir Leiteiro e Girolando do Sul, Roger Kunz.
Uma das principais vantagens das raças é a relação entre o volume de leite produzido e os recursos necessários para chegar a esse resultado, pois enquanto animais de raças europeias podem alcançar níveis superiores de produção, também demandam maior investimento em alimentação, conforto térmico e manejo. “Não adianta produzir 70 ou 80 litros por dia e gastar R$ 60 para produzir. Aqui tenho um animal que produz de 35 a 40 litros ao dia, mas gasta R$ 8 ou R$ 10”, afirma o gerente operacional da Fazenda das Nogueiras, de Caxias do Sul, Carlos Porto.
Além das vantagens em relação à margem do produtor, os animais se adaptam bem a uma faixa ampla de temperaturas, característica que ganha importância diante das mudanças no padrão climático do Estado. “Na Serra gaúcha, podemos ter temperaturas negativas no inverno e alcançar 38°C a 40°C no verão. Mesmo submetidos a essa amplitude térmica, os animais apresentam boa adaptação”, diz Porto.
A característica também é relevante para sistemas de produção que enfrentam períodos de calor mais intenso, quando o gado europeu exige maior investimento em conforto térmico, incluindo ventilação e outras estruturas. A adaptação também se reflete no sistema de produção, pois são animais que podem ser mantidos a pasto com pastagens de inverno e verão e têm melhores condições de aproveitamento de fibras e de alimentos de menor qualidade. Isso contribui para reduzir a dependência de sistemas mais intensivos.
Isso não significa ausência de investimento em alimentação ou manejo. “A diferença está na capacidade de conversão do animal. Em períodos de menor oferta ou qualidade das pastagens, o Girolando consegue aproveitar melhor os recursos disponíveis, embora seja necessário compensar eventuais déficits nutricionais”, diz Kunz.
O crescimento da raça se verifica também pela ampliação da abrangência da associação dos criadores, que até 2025 se restringia a núcleo apenas gaúcho e agora conta com a presença de Santa Catarina e Paraná, com 14 criadores. A participação na Expointer também aumentou, de oito para 11 criadores, além do número de animais da raça Gir Leiteiro, de 77 em 2025 para 85 nesta edição, movimento acompanhado pela ampliação do espaço destinado aos expositores. “O Gir Leiteiro foi apontado como a raça que mais cresceu no pavilhão de gado leiteiro”, afirma Kunz. No Estado, a expansão também pode ser percebida na própria Expointer.
Genética ganha protagonismo e vira estratégia de negócio para criador gaúcho
 A discussão sobre genética leiteira está mudando de eixo, pois além de buscar animais capazes de produzir mais, produtores precisam encontrar aqueles que o façam de forma economicamente sustentável, dentro do ambiente disponível. É nesse cenário que entram as cruzas entre raças europeias e zebuínas.
Em Gravataí, o produtor Daniel Rocha Viegas, da Cabanha DRV, é um exemplo dessa mudança: criado em uma família ligada à produção leiteira, ele começou a ajudar o pai ainda criança, tirando leite. A propriedade tinha tradição com o gado Holandês, mas Viegas decidiu mudar de estratégia depois de receber do pai uma novilha Girolando.
A partir daí, começou a investir na raça e, em 2021, comprou um touro Gir Leiteiro. O resultado foi rápido também nas pistas. Poucos meses depois, o animal conquistou o título de reservado de grande campeão da Expointer e, nos anos seguintes, consolidou-se como destaque nas exposições. A trajetória transformou a criação em uma atividade voltada à genética.
Hoje, o produtor comercializa sêmen do reprodutor e relata uma procura crescente, inclusive por criadores de Holandês interessados em utilizar a genética Gir para produzir Girolando. A escolha pela raça, segundo o produtor, está diretamente relacionada à economia da atividade. “O Gir é mais fácil de manuseio, mais rústico, come menos, não pega tanto carrapato e mosca. É um bicho bem mais rústico, mais fácil de tratar”, afirma.
Além disso, a questão do trabalho é um dos principais fatores por trás da mudança de perfil dos rebanhos. A dificuldade de encontrar trabalhadores especializados tornou-se um gargalo para propriedades leiteiras, especialmente aquelas que dependem de sistemas mais intensivos. Na avaliação de Viegas, a rusticidade do Girolando facilita o manejo cotidiano. A experiência também evidencia outro desafio estrutural do setor: a sucessão rural.
O produtor conta que a falta de mão de obra é uma realidade enfrentada desde a geração do pai. Encontrar alguém para permanecer na propriedade é cada vez mais difícil. Por isso, a sucessão familiar ganha importância. Viegas já prepara o filho, de nove anos, para continuar próximo da atividade. O menino acompanha a criação e já participa de eventos ligados aos animais.
 Cabanha aposta em tecnologias de ponta com foco em novos mercados
Na Fazenda das Nogueiras, de Caxias do Sul, o foco em tecnologia de ponta para os trabalhos com genética foi decisivo para o crescimento dos negócios, visando mercados além das fronteiras do Rio Grande do Sul. “Realizamos dois leilões por ano e comercializamos animais para diferentes estados brasileiros, com foco inclusive no mercado externo, em função da certificação sanitária do rebanho”, informa o gerente operacional da fazenda, Carlos Porto.
Todo o rebanho passou por um mapeamento de DNA e, a partir dos resultados, são selecionadas as melhores matrizes Gir Leiteiro. Sobre elas são utilizados touros melhoradores da raça Holandesa para produzir animais Girolando. A propriedade trabalha com fertilização in vitro e transferência de embriões, permitindo ampliar a velocidade do melhoramento genético.
Embora Minas Gerais e São Paulo concentrem grandes rebanhos, a genética produzida no Sul também vem encontrando compradores. A propriedade comercializa animais para diferentes estados e já ampliou sua presença em exposições e eventos fora do Rio Grande do Sul, incluindo Santa Catarina, São Paulo e Bahia. A fazenda também trabalha com produção leiteira, com o fornecimento de 20 mil litros de leite ao mês à Cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa, proveniente dos rebanhos Gir Leiteiro e Girolando.
Em um cenário de custos de produção elevados, eventos climáticos extremos e dificuldade para encontrar mão de obra no campo, a busca por animais mais eficientes e adaptados às condições brasileiras vem ganhando espaço na pecuária leiteira, seja para a produção de leite ou pela demanda por genética.
Nesse movimento, as raças Gir Leiteiro e Girolando, resultado do cruzamento entre o Gir e o gado Holandês, ampliam sua participação entre produtores que procuram equilibrar produtividade, rusticidade e rentabilidade. “Quem trabalha na atividade leiteira nunca sabe quanto vai receber pelo que entrega e muitas vezes o que se paga não cobre nem os custos de produção. Essa realidade obriga o produtor a reduzir esses gastos com a atividade para ter rentabilidade. Essas raças permitem isso”, afirma o criador das duas raças e presidente da Associação de Criadores de Gir Leiteiro e Girolando do Sul, Roger Kunz.
Uma das principais vantagens das raças é a relação entre o volume de leite produzido e os recursos necessários para chegar a esse resultado, pois enquanto animais de raças europeias podem alcançar níveis superiores de produção, também demandam maior investimento em alimentação, conforto térmico e manejo. “Não adianta produzir 70 ou 80 litros por dia e gastar R$ 60 para produzir. Aqui tenho um animal que produz de 35 a 40 litros ao dia, mas gasta R$ 8 ou R$ 10”, afirma o gerente operacional da Fazenda das Nogueiras, de Caxias do Sul, Carlos Porto.
Além das vantagens em relação à margem do produtor, os animais se adaptam bem a uma faixa ampla de temperaturas, característica que ganha importância diante das mudanças no padrão climático do Estado. “Na Serra gaúcha, podemos ter temperaturas negativas no inverno e alcançar 38°C a 40°C no verão. Mesmo submetidos a essa amplitude térmica, os animais apresentam boa adaptação”, diz Porto.
A característica também é relevante para sistemas de produção que enfrentam períodos de calor mais intenso, quando o gado europeu exige maior investimento em conforto térmico, incluindo ventilação e outras estruturas. A adaptação também se reflete no sistema de produção, pois são animais que podem ser mantidos a pasto com pastagens de inverno e verão e têm melhores condições de aproveitamento de fibras e de alimentos de menor qualidade. Isso contribui para reduzir a dependência de sistemas mais intensivos.
Isso não significa ausência de investimento em alimentação ou manejo. “A diferença está na capacidade de conversão do animal. Em períodos de menor oferta ou qualidade das pastagens, o Girolando consegue aproveitar melhor os recursos disponíveis, embora seja necessário compensar eventuais déficits nutricionais”, diz Kunz.
O crescimento da raça se verifica também pela ampliação da abrangência da associação dos criadores, que até 2025 se restringia a núcleo apenas gaúcho e agora conta com a presença de Santa Catarina e Paraná, com 14 criadores. A participação na Expointer também aumentou, de oito para 11 criadores, além do número de animais da raça Gir Leiteiro, de 77 em 2025 para 85 nesta edição, movimento acompanhado pela ampliação do espaço destinado aos expositores. “O Gir Leiteiro foi apontado como a raça que mais cresceu no pavilhão de gado leiteiro”, afirma Kunz. No Estado, a expansão também pode ser percebida na própria Expointer.
Genética ganha protagonismo e vira estratégia de negócio para criador gaúcho
 A discussão sobre genética leiteira está mudando de eixo, pois além de buscar animais capazes de produzir mais, produtores precisam encontrar aqueles que o façam de forma economicamente sustentável, dentro do ambiente disponível. É nesse cenário que entram as cruzas entre raças europeias e zebuínas.
Em Gravataí, o produtor Daniel Rocha Viegas, da Cabanha DRV, é um exemplo dessa mudança: criado em uma família ligada à produção leiteira, ele começou a ajudar o pai ainda criança, tirando leite. A propriedade tinha tradição com o gado Holandês, mas Viegas decidiu mudar de estratégia depois de receber do pai uma novilha Girolando.
A partir daí, começou a investir na raça e, em 2021, comprou um touro Gir Leiteiro. O resultado foi rápido também nas pistas. Poucos meses depois, o animal conquistou o título de reservado de grande campeão da Expointer e, nos anos seguintes, consolidou-se como destaque nas exposições. A trajetória transformou a criação em uma atividade voltada à genética.
Hoje, o produtor comercializa sêmen do reprodutor e relata uma procura crescente, inclusive por criadores de Holandês interessados em utilizar a genética Gir para produzir Girolando. A escolha pela raça, segundo o produtor, está diretamente relacionada à economia da atividade. “O Gir é mais fácil de manuseio, mais rústico, come menos, não pega tanto carrapato e mosca. É um bicho bem mais rústico, mais fácil de tratar”, afirma.
Além disso, a questão do trabalho é um dos principais fatores por trás da mudança de perfil dos rebanhos. A dificuldade de encontrar trabalhadores especializados tornou-se um gargalo para propriedades leiteiras, especialmente aquelas que dependem de sistemas mais intensivos. Na avaliação de Viegas, a rusticidade do Girolando facilita o manejo cotidiano. A experiência também evidencia outro desafio estrutural do setor: a sucessão rural.
O produtor conta que a falta de mão de obra é uma realidade enfrentada desde a geração do pai. Encontrar alguém para permanecer na propriedade é cada vez mais difícil. Por isso, a sucessão familiar ganha importância. Viegas já prepara o filho, de nove anos, para continuar próximo da atividade. O menino acompanha a criação e já participa de eventos ligados aos animais.
 Cabanha aposta em tecnologias de ponta com foco em novos mercados
Na Fazenda das Nogueiras, de Caxias do Sul, o foco em tecnologia de ponta para os trabalhos com genética foi decisivo para o crescimento dos negócios, visando mercados além das fronteiras do Rio Grande do Sul. “Realizamos dois leilões por ano e comercializamos animais para diferentes estados brasileiros, com foco inclusive no mercado externo, em função da certificação sanitária do rebanho”, informa o gerente operacional da fazenda, Carlos Porto.
Todo o rebanho passou por um mapeamento de DNA e, a partir dos resultados, são selecionadas as melhores matrizes Gir Leiteiro. Sobre elas são utilizados touros melhoradores da raça Holandesa para produzir animais Girolando. A propriedade trabalha com fertilização in vitro e transferência de embriões, permitindo ampliar a velocidade do melhoramento genético.
Embora Minas Gerais e São Paulo concentrem grandes rebanhos, a genética produzida no Sul também vem encontrando compradores. A propriedade comercializa animais para diferentes estados e já ampliou sua presença em exposições e eventos fora do Rio Grande do Sul, incluindo Santa Catarina, São Paulo e Bahia. A fazenda também trabalha com produção leiteira, com o fornecimento de 20 mil litros de leite ao mês à Cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa, proveniente dos rebanhos Gir Leiteiro e Girolando.

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