Em uma Expointer de vendas fracas, os negócios que conseguem avançar ajudam a mostrar como mudou a decisão de investimento dentro das propriedades. A irrigação aparece como uma exceção, sustentada menos por uma melhora da situação financeira do produtor do que pela necessidade de reduzir o risco de novas perdas climáticas.
Depois de sucessivas estiagens no Rio Grande do Sul, investir em água ganhou caráter estratégico. Uma fabricante do segmento ouvida pelo Jornal do Comércio relata procura por pivôs centrais e também por sistemas com carretel, alternativa que amplia o acesso à irrigação em áreas acidentadas, propriedades com limitações de infraestrutura ou onde um projeto convencional se torna caro demais.
Conforme a empresa, o sistema com carretel pode representar investimento cerca de 30% inferior e, dependendo das características do projeto, chegar a uma diferença de 50%. A alternativa também permite alcançar propriedades familiares e locais onde relevo ou disponibilidade de energia dificultam a instalação de pivôs.
A existência desses negócios, entretanto, não deve ser confundida com expansão do mercado. A própria fabricante projeta terminar 2026 com faturamento aproximadamente 20% inferior ao registrado em 2025 e relata pressão sobre as margens. A irrigação consegue vender dentro de um mercado retraído, mas não escapa das dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola.
O manejo do solo é outra finalidade que ainda desperta interesse. A lógica é semelhante: investimentos diretamente associados à capacidade produtiva e à redução de riscos ganham prioridade sobre aquisições que podem ser adiadas.
Esse filtro deixa em situação mais difícil projetos de maior valor ou retorno mais longo. Antes da Expointer, a armazenagem aparecia entre os segmentos apontados pelas instituições financeiras como candidatos a receber recursos. Durante a feira, porém, esse desempenho não se confirmou.