A retração percebida nos estandes de máquinas também chegou aos balcões dos bancos. No Sicredi, a Expointer apresenta movimento inferior ao de 2025, com redução na quantidade de propostas, nos valores financiados e protocolados e também no tíquete médio.
A constatação representa uma mudança em relação ao cenário traçado pela instituição antes da abertura dos portões. Naquele momento, a expectativa era de desempenho próximo ao do ano passado, com possibilidade de crescimento moderado.
Para o presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, o comportamento reflete um produtor que continua interessado em conhecer as alternativas disponíveis, mas demora mais para transformar a consulta em decisão de compra. A cautela, segundo ele, afeta diretamente a demanda por crédito e investimentos.
A origem das propostas que conseguem avançar também chama atenção. “O maior número de protocolos veio de regiões que não têm a dependência do grão, como fruticultura, pecuária leiteira e tabaco — um sinal de que a diversificação produtiva segue como caminho estratégico para o setor”, afirma Port.
No Banco do Brasil, a redução do tamanho dos negócios é expressiva. O tíquete médio das propostas apresentadas nesta Expointer está em aproximadamente R$ 300 mil. Em feiras, segundo o superintendente do BB no Rio Grande do Sul, Ricardo Sehn, esse valor costuma variar entre R$ 700 mil e R$ 800 mil.
A diferença significa que alcançar um mesmo volume financeiro exige atender um número muito maior de produtores. O BB mantém a perspectiva de chegar a R$ 1 bilhão em financiamentos, embora Sehn reconheça que a Expointer está “bem devagar” e possa terminar com volume inferior ao registrado no ano passado.
Outro indicador ajuda a entender o aparente paradoxo. Em julho e agosto, o banco recebeu 40% mais propostas do que nos mesmos meses de 2025. O crescimento ocorreu no número de propostas, e não no volume de recursos solicitado. Há mais operações chegando ao banco quando considerado esse período mais amplo, portanto, mas elas são menores.
As melhores possibilidades permanecem nas linhas em que o custo do dinheiro é mais baixo. Sehn cita o Move Agrícola, com recursos da Finep e taxas de um dígito, e o Pronaf Mais Alimentos. Para médios e grandes produtores, reconhece, a situação é mais complexa.
O contraste também aparece entre custeio e investimento. Uma instituição financeira consultada pelo JC sob condição de anonimato relata procura pelos recursos necessários à implantação da nova safra, mas movimento muito pequeno para novos investimentos.
A diferença ajuda a explicar por que disponibilidade de crédito não significa necessariamente venda de máquinas. O produtor precisa financiar o plantio. Já a troca de um equipamento ou uma expansão pode esperar. Nesta Expointer, é essa escolha que aparece nos números dos bancos.