Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 02 de Setembro de 2026 às 17:34

Crédito caro direciona investimentos e agro busca agregar valor

Biodiesel é a nmova fase do agronegócio brasileiro, avalia Jerônimo Goergen, da Aprobio e Acebra

Biodiesel é a nmova fase do agronegócio brasileiro, avalia Jerônimo Goergen, da Aprobio e Acebra

TÂNIA MEINERZ/JC
Compartilhe:
Claudio Medaglia
Claudio Medaglia Repórter
A combinação de endividamento, juros elevados e margens apertadas mantém o produtor cauteloso na Expointer, mas os primeiros negócios indicam maior seletividade na aplicação dos recursos. Enquanto investimentos em irrigação avançam mesmo diante das restrições de crédito, a cadeia de grãos vê na expansão dos biocombustíveis uma alternativa para ampliar o processamento da produção agrícola e agregar valor dentro do País.
A combinação de endividamento, juros elevados e margens apertadas mantém o produtor cauteloso na Expointer, mas os primeiros negócios indicam maior seletividade na aplicação dos recursos. Enquanto investimentos em irrigação avançam mesmo diante das restrições de crédito, a cadeia de grãos vê na expansão dos biocombustíveis uma alternativa para ampliar o processamento da produção agrícola e agregar valor dentro do País.
O cenário esteve entre os temas discutidos nesta quarta-feira (2) no tradicional almoço promovido pela Casa do Jornal do Comércio na Expointer. Realizado tradicionalmente na feira, o encontro reúne empresários, autoridades e lideranças de diferentes segmentos do agronegócio e da economia gaúcha no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
Na ocasião, o JC ouviu o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas (Simers), Claudio Bier. E conversou também com o presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), Jerônimo Goergen. Eles falaram sobre os movimentos observados no setor.
Bier avalia que, apesar das dificuldades, o setor pode encerrar a Expointer com volume de negócios próximo ao registrado no ano passado. Em 2025, máquinas e implementos agrícolas movimentaram R$ 3,77 bilhões na feira, cerca de 49% abaixo dos R$ 7,39 bilhões de 2024.
Os primeiros dias da feira, porém, mostram diferenças entre segmentos. Além do melhor momento da pecuária, Bier destaca a procura por irrigação. Na avaliação do dirigente, produtores começam a priorizar investimentos capazes de elevar a produtividade e reduzir a exposição ao clima nas áreas que já exploram.
Já vi agricultores falando: é melhor hoje ter uma área irrigada do que comprar mais área”, relatou.
O movimento já aparece nos negócios. Uma empresa de irrigação consultada pelo JC durante a feira informou ter cerca de R$ 20 milhões em vendas encaminhadas e expectativa de alcançar R$ 35 milhões até o final da Expointer. Segundo a companhia, aproximadamente 70% das operações foram realizadas com recursos próprios dos clientes.
O dado ganha relevância diante das dificuldades de financiamento. Bier afirma que, além do custo elevado do dinheiro, as instituições financeiras estão mais seletivas na concessão dos recursos. “Os bancos estão muito seletivos, restritivos”, afirmou.
Fora da porteira, outra aposta está na criação de novos destinos para a produção agrícola. Goergen considera que os biocombustíveis podem ampliar a industrialização de grãos no País.
Os biocombustíveis, tanto o etanol de milho quanto o biodiesel da soja, são a nova fase do agronegócio brasileiro”, apontou.
O Rio Grande do Sul já ocupa posição relevante nesse mercado. Segundo Goergen, o Estado responde por cerca de 22% da produção nacional de biodiesel, com nove indústrias em operação e outras cinco em construção.
No caso do biodiesel, a discussão está concentrada no aumento gradual da mistura ao diesel fóssil, atualmente em B15, ou 15%. O governo realiza testes para avaliar a viabilidade técnica de percentuais superiores, chegando ao B25.
O dirigente projeta que a avaliação do B25 possa avançar até fevereiro de 2027, mas isso não significa adoção imediata desse percentual. Segundo ele, a intenção é atestar tecnicamente a mistura e permitir que o setor se organize para uma elevação gradual nos anos seguintes. A Aprobio também trabalha pela possibilidade de avanço ainda em 2026, chegando ao B17, embora não exista decisão do governo.
O dirigente defende principalmente previsibilidade para o setor. Na sua avaliação, um cronograma conhecido permite às indústrias planejar investimentos e compras de matéria-prima e cria demanda adicional para a produção agrícola.
Goergen estima que cada ponto percentual acrescentado à mistura represente demanda equivalente a cerca de 24 milhões de sacas de soja e substitua aproximadamente 281 milhões de litros de diesel fóssil importado. O maior esmagamento do grão também aumenta a oferta de farelo para as cadeias de proteína animal.
Para ele, ampliar o processamento doméstico reduz a dependência da exportação de commodities e cria novas alternativas de renda para o agro. 

Notícias relacionadas