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Publicada em 30 de Agosto de 2026 às 15:16

Agricultura familiar deve repetir recordes de comercialização

Volmir de Vargas e Marizete Ferrari Finatto de Vargas,  Agroindústria Todo Dia, durante a Expointer 2026

Volmir de Vargas e Marizete Ferrari Finatto de Vargas, Agroindústria Todo Dia, durante a Expointer 2026

Dani Villar / Especial / JC
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Ana Esteves
Especial para o JC

O pavilhão da agricultura familiar, um dos espaços mais cobiçados da Expointer, chega a mais uma edição batendo recorde de participantes e recheado de novidades. Neste ano, a área conta com 509 expositores de 216 municípios, um crescimento em relação ao ano passado, quando 456 agroindústrias participaram da mostra. São 53 expositores a mais mostrando sabores únicos oriundos das agroindústrias familiares de diferentes regiões do Estado. A expectativa de faturamento para este ano é positiva, podendo repetir as vendas de edições passadas. Foram R$ 8,6 milhões em 2023, R$ 10,8 milhões em 2024 e R$ 13,6 milhões em 2025, um crescimento de aproximadamente 57% em dois anos. “Para 2026, não queremos estabelecer uma meta de vendas, mas trabalhamos para que os agricultores familiares possam ampliar a comercialização e gerar ainda mais renda”, afirma o secretário de desenvolvimento rural, Gustavo Paim.
Ana Esteves
Especial para o JC
O pavilhão da agricultura familiar, um dos espaços mais cobiçados da Expointer, chega a mais uma edição batendo recorde de participantes e recheado de novidades. Neste ano, a área conta com 509 expositores de 216 municípios, um crescimento em relação ao ano passado, quando 456 agroindústrias participaram da mostra. São 53 expositores a mais mostrando sabores únicos oriundos das agroindústrias familiares de diferentes regiões do Estado. A expectativa de faturamento para este ano é positiva, podendo repetir as vendas de edições passadas. Foram R$ 8,6 milhões em 2023, R$ 10,8 milhões em 2024 e R$ 13,6 milhões em 2025, um crescimento de aproximadamente 57% em dois anos. “Para 2026, não queremos estabelecer uma meta de vendas, mas trabalhamos para que os agricultores familiares possam ampliar a comercialização e gerar ainda mais renda”, afirma o secretário de desenvolvimento rural, Gustavo Paim.
Entre as novidades do espaço está o queijo colonial produzido exclusivamente com leite A2, sem a beta-caseína A1, que resulta em um alimento com maior digestibilidade para quem tem intolerância a essa proteína. “Trabalhamos com vacas com genética específica para a produção desse leite cujo consumo tem aumentado muito, agregando valor à produção rural”, explica o proprietário da agroindústria Todo Dia, de Barros Cassal, Volmir de Vargas. Além do queijo, a família Vargas levou para a Expointer leite in natura e diversas opções de queijo gourmet. A propriedade planeja ampliar a linha de produtos no futuro, com queijos coloniais temperados com tomate seco, ervas finas e orégano, além de salames com orégano, chimichurri, curados no vinho e com alho. “A Expointer é a vitrine que oportuniza a divulgação da produção e novas oportunidades de negócios além da feira”, acrescenta.

Destilaria usa ervas daninhas como ingrediente para bebida com Fernet

Maróstica diz que as ervas têm propriedades digestivas e anti-inflamatórias  | Dani Villar/Especial/JC
Maróstica diz que as ervas têm propriedades digestivas e anti-inflamatórias Dani Villar/Especial/JC
Outro destaque é a cachaça Sete Pragas, da destilaria L’Onore de Nova Pádua, que conjuga as sete ervas daninhas mais comuns no Estado com a bebida da moda, o Fernet. A ideia é transformar um problema em ingrediente e, ao mesmo tempo, em símbolo da identidade gaúcha. A composição reúne espécies como o picão, guanxuma, roseta e outras ervas selecionadas pelo produtor. O conceito do produto parte justamente das características dessas plantas, consideradas resistentes e difíceis de eliminar. “Tu pode controlar, mas acabar nunca”, resume o proprietário da marca, Anderson Maróstica. Algumas das plantas utilizadas são tradicionalmente associadas a propriedades anti-inflamatórias, embora o produto seja apresentado principalmente como uma bebida digestiva. Maróstica conta que para garantir a segurança e a qualidade da matéria-prima, as ervas são adquiridas de um botânico que produz as plantas sob demanda. A iniciativa exigiu até uma inversão da lógica habitual da agricultura: em vez de combater as ervas daninhas, foi necessário cultivá-las especificamente para a produção da bebida.

Linguiça de copa com figo aposta no agridoce para conquistar consumidores

Elisete aposta na mistura exótica do figo com a copa para elaboração do embutido | DANI VILLAR/ESPECIAL/JC
Elisete aposta na mistura exótica do figo com a copa para elaboração do embutido DANI VILLAR/ESPECIAL/JC
Uma combinação entre a nobreza da carne suína e a doçura do figo é a aposta da agroindústria Embutidos Bés, de Veranópolis para conquistar espaço no mercado de produtos diferenciados. Lançada oficialmente na Expointer deste ano, a linguiça suína defumada de copa com figo foi criada a partir de uma receita que combina 60% de carne suína, 20% de copa e 20% de figo. A copa, considerada um corte nobre do suíno, é utilizada para conferir maior sofisticação ao produto, enquanto o figo acrescenta o toque adocicado que caracteriza a receita. “Queríamos inventar alguma coisa diferente. Surgiu a ideia de fazer uma linguiça suína defumada de copa com figo. A copa é uma nobreza e quisemos unir isso à doçura do figo”, explica a proprietária da agroindústria, Elisete Benatto Bés. A expectativa com a novidade vai além da venda direta ao consumidor, durante a Expointer, pois a empresa também pretende utilizar a feira como vitrine para apresentar o produto a outros compradores e ampliar a possibilidade de negócios. A combinação de ingredientes e o posicionamento mais gourmet são vistos como diferenciais para alcançar consumidores interessados em produtos de maior valor agregado. Além da novidade, a agroindústria levou para a feira produtos que já fazem parte do portfólio, como copa, linguiça suína defumada tradicional, torresmo e banha. Segundo a proprietária, o movimento no estande começou ainda durante a montagem da feira, com visitantes buscando conhecer os produtos.

Pedidos de clientes inspiram lançamentos de produtos de agroindústria de Paraí

Raquel traz molho de pesto com pinhão e rúcula para prospectar novos clientes  | Dani Villar/Especial/JC
Raquel traz molho de pesto com pinhão e rúcula para prospectar novos clientes Dani Villar/Especial/JC
O feedback dos consumidores é uma das principais fontes de inovação para a agroindústria Casa do Sabor, de Paraí, que chega à Expointer deste ano com três lançamentos. As novidades foram desenvolvidas a partir de pedidos e sugestões recebidos ao longo dos 16 anos de participação em feiras, mostrando como a relação direta com o público pode orientar a ampliação do portfólio e a criação de novos produtos. O principal lançamento é o molho pesto de pinhão e rúcula, que reúne dois ingredientes bastante associados aos hábitos alimentares do gaúcho: “o pinhão, considerado um ingrediente representativo da cultura local, ganha a companhia da rúcula, resultando em um molho de sabor marcante. A combinação pode ser utilizada para acompanhar carnes e outros pratos”, afirma a proprietária da Casa do Sabor, Raquel Pellegrini. A Expointer também funciona como uma plataforma comercial que ultrapassa os dias da feira. A empresa mantém vendas pelo comércio eletrônico e atende lojistas, restaurantes e outros clientes. Um exemplo é uma das principais clientes atuais, que iniciou o relacionamento comercial justamente após conhecer a marca na Expointer do ano passado.

Lavanda se une às nozes em novos produtos artesanais

Vera trabalha com novas misturas culinárias, como os camafeus com lavanda | Dani Villar/Especial/JC
Vera trabalha com novas misturas culinárias, como os camafeus com lavanda Dani Villar/Especial/JC
A combinação entre nozes e lavanda é a aposta de uma família de produtores rurais de Arroio do Tigre para a Expointer 2026. Tradicionalmente dedicada à produção de alimentos à base de noz-pecã, a Skyllo Nozes decidiu inovar e incorporar a flor aos produtos, criando uma linha que reúne sabor e aroma marcantes. A proprietária da agroindústria, Vera Lúcia Schubert Bilham, conta que a ideia surgiu quase por acaso, pois o cultivo da lavanda já fazia parte dos planos da família e, a partir disso, veio a proposta de testar a combinação com as nozes. Depois de diversos experimentos e da boa receptividade do público em uma feira realizada em Santa Maria, os produtos ganharam espaço no portfólio e chegam à Expointer como lançamentos deste ano. Entre as novidades estão o camafeu de nozes com lavanda, a versão em formato de rosa com recheio de nozes e lavanda, o pé de moça de nozes com lavanda e o puff de nozes com a flor. A linha também inclui a tradicional noz caramelizada e, neste ano, uma versão aromatizada com lavanda.

Caldas de frutas transformam bebidas e aproveitam produção da propriedade

Bescow produz as caldinhas para drinks e água saborizada | DANI VILLAR/ESPECIAL/JC
Bescow produz as caldinhas para drinks e água saborizada DANI VILLAR/ESPECIAL/JC
Transformar frutas produzidas na própria propriedade em ingredientes para drinks é a proposta da linha de caldas desenvolvida pela Produtos Coloniais Sobucki, de Sete de Setembro. Inspiradas nos xaropes utilizados na preparação de bebidas, as caldas são feitas a partir da extração das próprias frutas e podem ser utilizadas de diferentes formas, seja em água com gás, bebidas saborizadas ou na elaboração de drinks com gin, espumante, uísque e outras bebidas. A linha reúne cerca de 15 sabores e contempla desde frutas tradicionais, como laranja e maçã, até opções regionais e exóticas, como pitanga e butiá. Também há combinações especiais, como gengibre com mel, utilizada na preparação do Moscow Mule e morango. A matéria-prima vem da própria propriedade, onde a família também produz sucos e geleias, buscando aproveitar integralmente as frutas cultivadas. Segundo o proprietário da Sobucki, Guilherme Bescow, a novidade apresentada na Expointer é o brilho comestível desenvolvido especialmente para bebidas. A calda já havia sido lançada em 2024, mas agora ganhou uma versão que incorpora partículas de brilho à bebida. O efeito é obtido com gelatina sem sabor, pigmento para a coloração e partículas de algas marinhas, criando um ingrediente próprio para drinks.

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