Ana Esteves
Especial para o JC
São 53 expositores a mais mostrando sabores únicos oriundos das agroindústrias familiares de diferentes regiões do Estado. A expectativa de faturamento para este ano é positiva, podendo repetir as vendas de edições passadas. Foram R$ 8,6 milhões em 2023, R$ 10,8 milhões em 2024 e R$ 13,6 milhões em 2025, um crescimento de aproximadamente 57% em dois anos. “Para 2026, não queremos estabelecer uma meta de vendas, mas trabalhamos para que os agricultores familiares possam ampliar a comercialização e gerar ainda mais renda”, afirma o secretário de desenvolvimento rural, Gustavo Paim.
Entre as novidades do espaço está o queijo colonial produzido exclusivamente com leite A2, sem a beta-caseína A1, que resulta em um alimento com maior digestibilidade para quem tem intolerância a essa proteína. “Trabalhamos com vacas com genética específica para a produção desse leite cujo consumo tem aumentado muito, agregando valor à produção rural”, explica o proprietário da agroindústria Todo Dia, de Barros Cassal, Volmir de Vargas. Além do queijo, a família Vargas levou para a Expointer leite in natura e diversas opções de queijo gourmet.
Ervas daninhas como ingrediente para bebida com Fernet
Maróstica diz que as ervas têm propriedades digestivas e anti-inflamatórias
Dani Villar/Especial/JC
Outro destaque é a cachaça Sete Pragas, da destilaria L’Onore de Nova Pádua, que conjuga as sete ervas daninhas mais comuns no Estado com a bebida da moda, o Fernet. A ideia é transformar um problema em ingrediente e, ao mesmo tempo, em símbolo da identidade gaúcha. A composição reúne espécies como o picão, guanxuma, roseta e outras ervas selecionadas pelo produtor. O conceito do produto parte justamente das características dessas plantas, consideradas resistentes e difíceis de eliminar. “Tu pode controlar, mas acabar nunca”, resume o proprietário da marca, Anderson Maróstica.
Linguiça de copa com figo faz aposta no agridoce
Elisete aposta na mistura exótica do figo com a copa para elaboração do embutido
DANI VILLAR/ESPECIAL/JC
Uma combinação entre a nobreza da carne suína e a doçura do figo é a aposta da agroindústria Embutidos Bés, de Veranópolis para conquistar espaço no mercado de produtos diferenciados. Lançada oficialmente na Expointer deste ano, a linguiça suína defumada de copa com figo foi criada a partir de uma receita que combina 60% de carne suína, 20% de copa e 20% de figo. “Queríamos inventar alguma coisa diferente. Surgiu a ideia de fazer uma linguiça suína defumada de copa com figo. A copa é uma nobreza e quisemos unir isso à doçura do figo”, explica a proprietária da agroindústria, Elisete Benatto Bés. A combinação de ingredientes e o posicionamento mais gourmet são vistos como diferenciais para alcançar consumidores interessados em produtos de maior valor agregado.
Pedidos de clientes inspiram lançamentos de agroindústria de Paraí
Raquel traz molho de pesto com pinhão e rúcula para prospectar novos clientes
Dani Villar/Especial/JC
O feedback dos consumidores é uma das principais fontes de inovação para a agroindústria Casa do Sabor, de Paraí, que chega à Expointer deste ano com três lançamentos. As novidades foram desenvolvidas a partir de pedidos e sugestões recebidos ao longo dos 16 anos de participação em feiras. O principal lançamento é o molho pesto de pinhão e rúcula, que reúne dois ingredientes bastante associados aos hábitos alimentares do gaúcho: “o pinhão, considerado um ingrediente representativo da cultura local, ganha a companhia da rúcula, resultando em um molho de sabor marcante. A combinação pode ser utilizada para acompanhar carnes e outros pratos”, afirma a proprietária da Casa do Sabor, Raquel Pellegrini.
Lavanda se une às nozes em novos produtos artesanais
Vera trabalha com novas misturas culinárias, como os camafeus com lavanda
Dani Villar/Especial/JC
A combinação entre nozes e lavanda é a aposta de uma família de produtores rurais de Arroio do Tigre. Tradicionalmente dedicada à produção de alimentos à base de noz-pecã, a Skyllo Nozes decidiu inovar e incorporar a flor aos produtos, criando uma linha que reúne sabor e aroma marcantes. A proprietária da agroindústria, Vera Lúcia Schubert Bilham, conta que a ideia surgiu quase por acaso, pois o cultivo da lavanda já fazia parte dos planos da família e, a partir disso, veio a proposta de testar a combinação com as nozes. Entre as novidades estão o camafeu de nozes com lavanda, a versão em formato de rosa com recheio de nozes e lavanda, o pé de moça de nozes com lavanda e o puff de nozes com a flor. A linha também inclui a tradicional noz caramelizada e, neste ano, uma versão aromatizada com lavanda.
Caldas de frutas transformam bebidas
Bescow produz as caldinhas para drinks e água saborizada
DANI VILLAR/ESPECIAL/JC
Transformar frutas produzidas na própria propriedade em ingredientes para drinks é a proposta da linha de caldas desenvolvida pela Produtos Coloniais Sobucki, de Sete de Setembro. Inspiradas nos xaropes utilizados na preparação de bebidas, as caldas são feitas a partir da extração das próprias frutas e podem ser utilizadas de diferentes formas, seja em água com gás, bebidas saborizadas ou na elaboração de drinks com gin, espumante, uísque e outras bebidas. A linha reúne cerca de 15 sabores e contempla desde frutas tradicionais, como laranja e maçã, até opções regionais e exóticas, como pitanga e butiá. A matéria-prima vem da própria propriedade, onde a família também produz sucos e geleias, buscando aproveitar integralmente as frutas cultivadas. Segundo o proprietário da Sobucki, Guilherme Bescow, a novidade apresentada na Expointer é o brilho comestível desenvolvido especialmente para bebidas.