A Expointer 2026 encontrará sinais de reação do investimento rural depois da forte retração registrada no ano passado, mas ainda distantes de uma retomada generalizada. Bancos e cooperativas de crédito identificam maior procura em algumas linhas, especialmente as subsidiadas, além de operações de menor valor e maior participação de pequenos e médios produtores. O movimento convive, porém, com endividamento elevado, margens apertadas e cautela diante de um histórico recente de perdas climáticas.
No Banco do Brasil (BB), a expectativa é superar R$ 1 bilhão em intenções de negócios durante a feira. O superintendente da instituição no Rio Grande do Sul, Ricardo Sehn, afirma que eventos realizados antes da Expointer têm registrado forte procura pelo Pronaf Mais Alimentos e por financiamentos para máquinas e equipamentos de menor porte.
O banco também percebe uma desconcentração do crédito para investimento, com aumento do número de agricultores acessando as linhas e tíquetes individuais menores em relação a anos anteriores. Para produtores enquadrados no Pronamp e nas demais categorias, Sehn destaca a demanda pelo Move Agrícola, linha com recursos da Finep e taxa considerada atrativa pela instituição.
Movimento semelhante aparece no Sicredi. Na comparação entre julho de 2025 e julho deste ano, a instituição registrou pequeno crescimento, acompanhado de redução do tíquete médio das operações. Segundo o consultor de Negócios da Central Sicredi Sul/Sudeste, Gustavo Schuck, o comportamento indica maior participação de pequenos e médios produtores e mais seletividade na contratação.
“O produtor continua investindo, mas tem direcionado suas decisões para investimentos que contribuam para aumentar a eficiência, a segurança e a resiliência da atividade”, afirma Schuck.
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) também percebe maior disposição para investir nas linhas mais subsidiadas do Plano Safra 2026/2027. O presidente da entidade, Eugênio Zanetti, destaca condições do Pronaf com juros de 2% e 3% ao ano para aquisição de máquinas e implementos de pequeno porte, irrigação e armazenamento de água.
A reação encontra, no entanto, limites claros. Segundo Zanetti, sucessivas frustrações de safra levaram muitos agricultores a comprometer parcela significativa dos limites de crédito. O histórico recente de perdas também aumenta a percepção de risco das operações pelas instituições financeiras.
A cautela é igualmente percebida pelos bancos. O superintendente regional do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Maurício Mocelin, avalia que os impactos climáticos acumulados e a conjuntura de custos deixaram o produtor gaúcho mais prudente. Na Cresol, o presidente da Cresol Federação, Cledir Magri, considera adequadas as condições das linhas mais subsidiadas, mas vê taxas ainda elevadas para Pronamp e demais produtores diante de custos altos, preços recebidos mais baixos e margens estreitas.
O cenário será colocado à prova depois de uma Expointer marcada pela retração. Em 2025, máquinas e implementos movimentaram R$ 3,77 bilhões, 49% abaixo dos R$ 7,39 bilhões de 2024. Neste ano, o setor terá 135 empresas expositoras, ante 150 na edição anterior, embora a área ocupada seja semelhante devido à ampliação dos espaços de algumas participantes.
A disponibilidade de recursos, portanto, é apenas uma parte da equação. A Expointer deverá mostrar se o agricultor que começa a voltar às linhas de investimento já reúne confiança e capacidade financeira para transformar crédito disponível em novas compras.