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Publicada em 25 de Agosto de 2026 às 11:33

Secretário da Agricultura admite dificuldades pelo endividamento, mas exalta pecuária na Expointer

Márcio Madalena espera conseguir diálogo com o governo federal na feira

Márcio Madalena espera conseguir diálogo com o governo federal na feira

TÂNIA MEINERZ/JC
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Cássio Fonseca
Cássio Fonseca Repórter
A Expointer se aproxima e, na pauta do governo do Estado, está a renegociação das dívidas dos produtores rurais, o avanço da pecuária em contraponto às dificuldades da agricultura, a expectativa pela presença do governo federal e mais. O secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena, fala sobre o que esperar da 49ª edição da feira e os principais desafios para este ano.
A Expointer se aproxima e, na pauta do governo do Estado, está a renegociação das dívidas dos produtores rurais, o avanço da pecuária em contraponto às dificuldades da agricultura, a expectativa pela presença do governo federal e mais. O secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena, fala sobre o que esperar da 49ª edição da feira e os principais desafios para este ano.
Jornal do Comércio - Qual a expectativa para a Expointer 2026?
Márcio Madalena - É muito positiva, por se tratar de um evento consolidado. Há um entendimento de que a Expointer, além de ser uma grande vitrine, é também o ambiente de busca de soluções para aquilo que o agro necessita. É verdade que temos problemas relacionados ao endividamento e aos desafios climáticos, mas este é um ambiente de discussão de busca dessas soluções.
Também é importante frisar que, em relação à pecuária, estamos vivendo um momento muito interessante e temos um recorde de número de animais inscritos — quase 8 mil, sendo 5,7 mil animais de argola, que vão a julgamento —, que não tínhamos desde 2012. Então, se é verdade que a agricultura tem dificuldades do ponto de vista de crédito e renegociação de dívidas, temos um momento interessante da pecuária, em que a comercialização de genética pode ser um expoente da feira.
JC - Setor de máquinas é o que mais movimenta as vendas na feira e foi severamente impactado em 2025, com uma queda de 49% no faturamento. O que esperar para este ano?
Madalena - Estamos conversando muito com o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul, um dos copromotores do evento, e apesar daquela redução e do endividamento, existe a expectativa de comercialização sempre. Sabemos que muitos produtores deixam para comercializar na Expointer.
Mas também sabemos que é um grande desafio. Não temos a pretensão de quebrar recordes todos os anos. Estamos considerando sucessivas estiagens, a enchente de 2024 e o endividamento, é sabido que isso pode refletir na comercialização,
JC - O que o governo estadual está fazendo para ajudar o produtor rural a combater o endividamento?
Madalena - É importante dizer que já tivemos um aporte, ainda no ano passado, de R$ 150 milhões via Banrisul para renegociação de dívidas. E nós, trabalhando juntamente com as entidades do setor, não tivemos êxito na questão da aprovação do PL 5122 — que cria uma linha especial de refinanciamento e mecanismos extraordinários para a renegociação de dívidas de produtores rurais.
Entre as instituições financeiras, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul, por orientação do governo e da própria diretoria do banco, foi o primeiro a iniciar a renegociação de dívidas.
E teve uma medida provisória que nós entendemos, assim como as entidades têm colocado, que foi insuficiente. Poderia ter uma amplitude maior do ponto de vista de abarcar mais produtores e entendemos que isso deve evoluir ainda.
JC - Como está o diálogo com o governo federal, principalmente em um ano eleitoral?
Madalena - Ainda não temos confirmações de representação do governo na Expointer. Entendemos que é um momento muito importante de discussão, a feira sempre proporcionou essa aproximação de governo central, estadual e entidades para encaminhar soluções do agro. E neste momento nós estamos à disposição para fazer essa discussão relacionada ao endividamento.
Aguardamos, assim como as entidades, que possamos ter uma proximidade com o governo federal em relação às tentativas de renegociação. Sabemos que é um ano eleitoral, muito complexo do ponto de vista de encaminhamentos políticos, mas temos a convicção de que, apesar do processo eleitoral, aquilo que é de interesse do Estado brasileiro deve ser tratado de forma muito republicana.
E não é apenas para resolver problemas de CPF. Estamos falando em retomar capacidade produtiva de produtores num Estado que contribui muito para o PIB nacional.
JC - Como observam a questão do El Niño? Há apreensão para os dias de feira?
Madalena - Sabemos que há uma tendência de chuva, mas estamos acompanhando de perto e, em princípio, não haverá nada de excepcional para os dias de feira. É importante lembrar que dificilmente temos uma Expointer sem chuva. O que nós devemos ter esse ano é talvez alguns dias a mais.
JC - Além do endividamento e das questões climáticas, quais outros desafios do agronegócio devem ser debatidos na Expointer?
Madalena - Devemos ter muitas discussões relacionadas a aspectos sanitários das cadeias de proteína animal como um todo. Inclusive devemos ter discussões técnicas de alto nível com os serviços oficiais de outros estados e com o Ministério da Agricultura.
Também devemos sediar debates em relação às questões de agroenergia. Biodiesel e biocombustível, acompanhando essa tendência, não só do esmagamento de grãos para a questão de biodiesel, mas, por exemplo, produção de canola e carinata pensando no combustível de aviação.

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