A atividade de madeira plantada enfrenta um cenário de incertezas diante do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos. O país é um dos principais destinos das exportações da Região Sul de manufaturados de madeira, e as novas medidas tarifárias estão colocando em risco milhares de empregos e a sobrevivência de empresas.
A repercussão do tarifaço foi um dos temas discutidos durante reunião das frentes parlamentares do setor madeireiro do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, realizada na quarta-feira (3), na Casa da Assembleia, na Expointer.
O encontro teve as presenças dos deputados que presidem as frentes, representantes de associações florestais e sindicatos empresariais, prefeitos de municípios com forte vocação para a atividade, além de diretores de indústrias do setor. De acordo com o presidente do Sindimadeira RS, Leonardo De Zorzi, a atuação conjunta, que não existia, será fundamental para o setor ter voz única e forte na defesa dos seus interesses junto ao Congresso Nacional e governo federal. Nova reunião está programada para novembro.
O dirigente afirma que até o momento não houve nenhum avanço positivo nos reflexos das novas tarifas sobre o setor florestal. Reconhece como importante o Plano Soberano lançado pelo governo federal, mas que não atende a atividade. "Trabalhamos para sensibilizar o governo, porque o tempo está passando, e já temos informações de fechamento de unidades produtivas", frisou.
O dirigente acrescenta que a maioria das empresas está tentando ganhar tempo, usando diferentes estratégias para evitar o pior. Redução de turnos e férias coletivas são as medidas mais usuais, mas que não garantem a sobrevivência das operações por meses contínuos no prejuízo, situação que deve levar a demissões. "É triste ter de tomar esta decisão, mas não há alternativas", lamenta.
Atenta também para o problema dos municípios onde a madeira é a principal atividade econômica. "Compreendemos a visão macro do governo, mas quando se analisa a situação por segmento e por municípios, o problema se mostra muito grave", pondera.
A presidente da Famurs, prefeita de Nonoai, Adriane Perin, está à frente de um movimento para unir forças entre as federações de municípios dos três estados do Sul em busca de uma audiência com a Confederação Nacional dos Municípios e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que conduz as negociações com o governo norte-americano sobre comércio exterior.
De Zorzi frisa que algumas linhas de produtos florestais estão fora do tarifaço e há pequena movimentação de negócios em determinados itens. Mas garante que são quantidades mínimas e irrisórias diante do cenário anterior. Define a abertura de novos mercados como utópica, porque os canais existentes já estão abastecidos por outros países. "Para conquistar este espaço é preciso uma série de ações e tempo, além de preço", reforça.
Outro tema abordado foi o PL 364, de autoria do deputado Alceu Moreira, que trata da conversão de campos de altitude. "O assunto é importante para os três estados, pois existem legislações próprias e uma federal, que hoje são impeditivos para expansão do setor, por conta de interpretações diversas sobre biomas", frisou De Zorzi.
O objetivo do projeto é flexibilizar a legislação, mantendo a proteção dos Campos de Altitude, mas permitindo ao produtor rural desenvolver atividades sem que esteja sujeito a multas, embargos e processos. De acordo com o deputado, a alteração é fundamental para que a produção agrícola das regiões de Campos de Altitude não seja completamente anulada.