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Publicada em 01 de Setembro de 2025 às 17:37

Produção de azeite de oliva cai pelo segundo ano seguido no RS, aponta Ibraoliva

Dados foram divulgados pelo presidente da entidade, Flávio Obino Filho

Dados foram divulgados pelo presidente da entidade, Flávio Obino Filho

DANI BARCELLOS/ESPECIAL/JC
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
O Rio Grande do Sul voltou a ter uma safra baixa de azeite de oliva em 2025, acompanhando - e também puxando - a tendência nacional. Dados divulgados nesta segunda-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), na Expointer, apontam produção de 190,3 mil litros no Estado, praticamente igual à de 2024 (193,1 mil litros) e bem abaixo do recorde de 580 mil litros registrado em 2023, última colheita antes da enchente.
O Rio Grande do Sul voltou a ter uma safra baixa de azeite de oliva em 2025, acompanhando - e também puxando - a tendência nacional. Dados divulgados nesta segunda-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), na Expointer, apontam produção de 190,3 mil litros no Estado, praticamente igual à de 2024 (193,1 mil litros) e bem abaixo do recorde de 580 mil litros registrado em 2023, última colheita antes da enchente.
E a quebra tem relação direta com o clima. Embora o último inverno tenha sido um dos mais rigorosos em horas de frio nas últimas duas décadas, fator que favorece a cultura, a sequência de chuvas nos últimos dois anos comprometeu a floração e a polinização das oliveiras no Rio Grande do Sul, maior protudor do País. “Temos qualidade, fábricas e investimento. O que falta é fruta”, resumiu o presidente da Ibraoliva, Flávio Obino Filho.
No cenário nacional, o recuo também foi significativo. Depois do recorde de 640 mil litros em 2023, a produção caiu para cerca de 343 mil litros em 2024 e fecha 2025 em 240 mil litros. Os bons resultados de São Paulo e Minas Gerais em 2024 ajudaram a reduzir o tombo, mas não compensaram a quebra gaúcha.
A meta da entidade até o início do ano passado era alcançar 1 milhão de litros até 2026, o que representaria apenas 1% do consumo brasileiro. Agora, esse objetivo foi adiado. “Precisamos voltar para dentro da porteira, rever práticas de manejo e investir em pesquisa aplicada para adaptar o cultivo às mudanças climáticas”, destacou Obino.
O presidente da entidade ressaltou, apesar disso, confiança. Segundo ele, em uma safra climática favorável, com menos de 5 mil hectares em plena produção, já foi possível colher mais de 700 mil litros no passado. “Potencial nós temos. Com clima colaborando, manejo adequado e políticas públicas bem coordenadas, podemos recuperar volume e voltar à rota do milhão já no próximo ano”, afirmou.

Gargalos e estratégias

Apesar do cenário desfavorável, a avaliação é de que o Brasil consolidou uma produção de qualidade “super premium”, reconhecida internacionalmente. Os lagares (indústrias de extração) instalados no País são modernos e preparados para atender uma demanda maior, mas o gargalo segue na oferta de matéria-prima.
Entre as frentes apontadas pela Ibraoliva estão:
  • Pesquisa e inovação: testes de cultivares mais adaptados, técnicas como plantio em camalhões, cobertura de fileiras e polinização suplementar.
  • Formação de mão de obra: capacitação em regiões fora dos polos turísticos para ampliar o olivoturismo.
  • Diversificação de mercado: além do azeite super premium, oferta de linhas de maior volume, sem abrir mão da qualidade, para ocupar espaço em restaurantes, varejo e até exportação.
O setor aposta também no olivoturismo como alternativa de renda e valorização regional, seguindo o modelo do enoturismo. Já existe uma Rota das Oliveiras no Estado, e eventos têm se multiplicado em cidades como Caçapava do Sul e Guaíba. "Para avançar, no entanto, são necessários investimentos em infraestrutura viária, sinalização e parcerias com o poder público", conclui Obino.

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