O Rio Grande do Sul voltou a ter uma safra baixa de azeite de oliva em 2025, acompanhando - e também puxando - a tendência nacional. Dados divulgados nesta segunda-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), na Expointer, apontam produção de 190,3 mil litros no Estado, praticamente igual à de 2024 (193,1 mil litros) e bem abaixo do recorde de 580 mil litros registrado em 2023, última colheita antes da enchente.
E a quebra tem relação direta com o clima. Embora o último inverno tenha sido um dos mais rigorosos em horas de frio nas últimas duas décadas, fator que favorece a cultura, a sequência de chuvas nos últimos dois anos comprometeu a floração e a polinização das oliveiras no Rio Grande do Sul, maior protudor do País. “Temos qualidade, fábricas e investimento. O que falta é fruta”, resumiu o presidente da Ibraoliva, Flávio Obino Filho.
No cenário nacional, o recuo também foi significativo. Depois do recorde de 640 mil litros em 2023, a produção caiu para cerca de 343 mil litros em 2024 e fecha 2025 em 240 mil litros. Os bons resultados de São Paulo e Minas Gerais em 2024 ajudaram a reduzir o tombo, mas não compensaram a quebra gaúcha.
A meta da entidade até o início do ano passado era alcançar 1 milhão de litros até 2026, o que representaria apenas 1% do consumo brasileiro. Agora, esse objetivo foi adiado. “Precisamos voltar para dentro da porteira, rever práticas de manejo e investir em pesquisa aplicada para adaptar o cultivo às mudanças climáticas”, destacou Obino.
O presidente da entidade ressaltou, apesar disso, confiança. Segundo ele, em uma safra climática favorável, com menos de 5 mil hectares em plena produção, já foi possível colher mais de 700 mil litros no passado. “Potencial nós temos. Com clima colaborando, manejo adequado e políticas públicas bem coordenadas, podemos recuperar volume e voltar à rota do milhão já no próximo ano”, afirmou.
Gargalos e estratégias
Apesar do cenário desfavorável, a avaliação é de que o Brasil consolidou uma produção de qualidade “super premium”, reconhecida internacionalmente. Os lagares (indústrias de extração) instalados no País são modernos e preparados para atender uma demanda maior, mas o gargalo segue na oferta de matéria-prima.
Entre as frentes apontadas pela Ibraoliva estão:
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Pesquisa e inovação: testes de cultivares mais adaptados, técnicas como plantio em camalhões, cobertura de fileiras e polinização suplementar.
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Formação de mão de obra: capacitação em regiões fora dos polos turísticos para ampliar o olivoturismo.
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Diversificação de mercado: além do azeite super premium, oferta de linhas de maior volume, sem abrir mão da qualidade, para ocupar espaço em restaurantes, varejo e até exportação.
O setor aposta também no olivoturismo como alternativa de renda e valorização regional, seguindo o modelo do enoturismo. Já existe uma Rota das Oliveiras no Estado, e eventos têm se multiplicado em cidades como Caçapava do Sul e Guaíba. "Para avançar, no entanto, são necessários investimentos em infraestrutura viária, sinalização e parcerias com o poder público", conclui Obino.