Brasil deve ter recorde de geração de energia eólica

O RS tem 22 projetos offshore, essenciais para o hidrogênio verde, em processo de licenciamento no Ibama

Por JC

Boa notícia para a economia e o meio ambiente, o anúncio de que o Brasil deve bater recorde de geração de energia eólica em 2023 chega em bom momento. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), para cada megawatt instalado, são criados 10,7 empregos no País. No período de 2011 a 2020, foram gerados quase 190 mil empregos no setor.
Outro dado significativo é que a cada real investido em energia eólica são devolvidos R$ 2,9 para a economia. Também há a questão verde. Diante do cenário atual de mudanças climáticas e catástrofe ambiental, o Brasil tem condição de liderar o processo mundial de transição energética para uma base limpa, renovável e sustentável.
O Rio Grande do Sul tem vocação tanto para a geração do hidrogênio verde quanto para o desenvolvimento de indústria atrelada à produção desse combustível, como a produção de fertilizantes, bem como infraestrutura portuária - por meio do Porto de Rio Grande -, além de potencial para gerar energia limpa em grande escala, pré-requisito fundamental para a produção do hidrogênio verde.
Hoje, a maioria dos parques de energia eólica instalada no País é onshore e está localizada no Nordeste, que concentra 85% das plantas. O Rio Grande do Sul é o quinto estado nesse quesito.
Para que os planos de produção de hidrogênio verde se concretizem, o RS precisa tirar do papel os projetos offshore - hoje, tramitam 22 processos de licenciamento no Ibama -, que utilizariam o Porto do Rio Grande como base de apoio logístico.
Especialistas na área já apontam, inclusive, o hidrogênio verde como uma possível commodity, e o Brasil, como um potencial exportador dela. Para que o hidrogênio seja considerado verde - feito a partir da eletrólise -, a energia inicial precisa vir de fontes renováveis. Dessa maneira, sua produção se dá sem a emissão de carbono. É por isso que especialistas veem este tipo de combustível como chave para um mundo neutro em carbono.
Juntamente ao desenvolvimento das eólicas offshore, viriam investimentos em infraestrutura, ensino e pesquisa. Atualmente, um dos principais gargalos tecnológicos para a consolidação do combustível como uma fonte de energia limpa, com preço competitivo, está relacionado ao transporte por navios ou barcaças e à armazenagem nos portos. Com os investimentos necessários, o Estado pode se tornar um hub de energia e um hub agroindustrial, exportando o excedente de hidrogênio verde, mas também utilizando esse hidrogênio na indústria local, em petroquímica, na produção de fertilizantes e na amônia verde.