Turismo e inflação: saiba como driblar a alta dos preços para viajar

Contratar agências de viagens ou serviços diretos? Como se locomover pela cidade visitada? Estou com todos os documentos em mãos? Confira dicas para não se perder

Por Bolívar Cavalar

Dicas variam conforme a familiaridade dos consumidores com viagens
Viajar é um desejo de quase todos os brasileiros. No entanto, a prática do turismo pode ser dificultada pelos altos preços de hotéis, passagens e serviços, que subiram com a escalada da inflação que o País vem enfrentando. Para driblar a inflação, o Jornal do Comércio preparou um material com dicas para turistas – dos mais experientes aos de primeira viagem – conseguirem economizar e realizar as sonhadas viagens nas férias.
Os números da inflação no turismo são assustadores: os serviços ligados ao setor ficaram 41,39% mais caros em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, aponta levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base nos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); a passagem aérea foi o item que mais contribuiu para a alta, com variação de 122,40% em 12 meses. Para dicas de como fugir dessas altas no setor, conversamos com especialistas na área.
“Gastar apenas o que pode pagar”: parece óbvio, mas quando se trata de turismo com economia, este é o principal ponto destacado por Kátia dos Santos, professora de Contabilidade da Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Fadergs). Kátia ressalta que é justamente em momentos de lazer que, se não houver um planejamento do que será investido, as pessoas acabam se atrapalhando e gastando mais do que desejam – ou podem. Então, para organizar o que será gasto no passeio com certa tranquilidade, a viagem deve ter “no mínimo, seis meses de planejamento”, afirma a professora.
Turistas experientes X turistas de primeira viagem: diferenças e atenção especiais
Uma dúvida constante entre aqueles que desejam fazer turismo é: devo contratar uma agência de viagens ou passear por meio de serviços diretos – comprando passagens, hotéis e passeios com os próprios comerciantes? A professora Kátia responde: serviços diretos para experientes, e agências para turistas de primeira viagem. Isso porque os contratos com agências custam, segundo a professora, em média, de 10% a 20% a mais que a aquisição individual e direta de cada um dos serviços. Mas, então, por que contratar agências? Em uma viagem a passeio, de lazer, as pessoas podem perder a linha e gastar mais que o previsto. Mas isso pode ser parcialmente evitado se os planos da viagem já estiverem definidos, e é aí que entram as agências.
Para turistas sem muita experiência, que não conhecem o local a ser visitado ou até mesmo as “manhas” de viajar, os pacotes de agências de viagens, apesar de inicialmente mais caros, podem ter um custo benefício muito maior que os serviços diretos. Isso porque o planejamento do passeio já está preestabelecido antes do início da viagem, e isso evita gastos desnecessários. Assim, o viajante pode aproveitar os hotéis, pontos turísticos, praias, etc. sem maiores preocupações.
Quanto aos viajantes de longa data, que estão habituados tanto ao local visitado, quanto aos possíveis empecilhos de uma viagem, contratar os serviços diretamente pode ser mais benéfico. Porém, segundo a presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens no Rio Grande do Sul (Abav-RS), Lúcia Hoffmann Bentz, mesmo para os experientes, as agências podem evitar problemas que o viajante pode encontrar no caminho.
“Ter a assessoria de uma agência de viagem minimiza qualquer tipo de transtorno e traz soluções”, afirma Lúcia. Ela ainda cita um exemplo, ao dizer que “100% dos meus passageiros da minha agência que tiveram bagagens extraviadasreceberam a bagagem em sua casa por uma entrega Vip expressa”. A presidente da Abav-RS ainda completa: “o que o cliente paga para uma agência de viagem é a consultoria, então o que é ‘mais caro’, não é necessariamente mais caro”. Segundo Lúcia, os gastos com imprevistos podem ultrapassar 200% o valor que seria investido em turismo contratado com agências.
Outras opções de hospedagemsão os serviços online comunitários para acomodações, como o Airbnb. Estas opções também são viáveis e, muitas vezes, mais econômicas. Mas há de se ter cuidados com essas locações, pois os aplicativos não oferecem muitos auxílios para o consumidor - o contato é direto com o proprietário do imóvel. Assim, o mais recomendado é alugar espaços de pessoas de confiança, ou acomodações que já foram utilizadas e aprovadas por conhecidos, como amigos e familiares.
Cuidados com transporte local
Depois que você já embarcou e desembarcou do avião, já se acomodou no hotel em que vai se hospedar, chega a hora de ir aos pontos turísticos, praias, restaurantes, e locais de passeio desejados. Aí fica a dúvida: como me locomover pela cidade?
A contabilista Kátia recomenda, antes de tudo, pesquisar a cultura do local. Há cidades em que viajar com motoristas de aplicativo não é muito recomendado – seja por questões de segurança ou de economia -, e a melhor opção de locomoção são os taxis. Porém, a professora ainda avalia que os serviços de aplicativo são, na grande maioria das cidades, a melhor opção.
Quanto à locação de veículos particulares, a professora reforça: antes de tudo, conhecer a cultura. Kátia afirma que, apesar de poder ser mais prático e em conta o aluguel de um carro, as multas de trânsito e suas aplicações variam de região para região, e de país para país. O destaque fica justamente para viagens internacionais, em que o desconhecimento das leis de trânsito pode aumentar significativamente os gastos em uma viagem. Mas a professora pondera que se o turista é familiarizado com o local e conhece as leis de trânsito, a locação de carros pode ser uma boa opção.
Atenção aos documentos
A professora de Direito da Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Fadergs), Ivana Jacob, afirma que é comum que turistas averiguem os documentos necessários com as próprias agências de viagem e companhias aéreas. No entanto, a professora destaca que estas empresas podem não informar tudo que é necessário. Ela recomenda, então, que o consumidor confirme a documentação essencial no site oficial do país destino. Para confirmar os documentos necessários, "o lugar mais fácil e com maior credibilidade são os sites dos países", afirma a professora. Ela comenta ainda que, se o consumidor não tiver domínio do idiomado país a ser visitado, as opções de tradução disponíveis na internet podem auxiliar na checagem da documentação necessária.
Ivana também recomenda que o turista revise, uma semana antes de viajar, os documentos necessários. Isso porque as regras de ingressão em países têm sido constantemente alteradas em razão da pandemia de Covid-19. Assim, a professora afirma que é importante conferir se não houve mudanças na documentação essencial para entrar em um país.
Alternativa para turistas de muitas viagens
Existe uma alternativa econômica para aqueles turistas que pretendem arrumar as malas para viajar mais de uma vez ao ano. Se trata da plataforma de assinatura Coob+, em que o cliente paga mensalmente um valor para ter direito a um determinado número - a partir do pacote escolhido - de diárias nos hotéis que têm convênio com a empresa. Assim, o turista pode ter mais tranquilidade em casos de um passeio “de última hora”, ou até mesmo em viagens a trabalho, pois sempre tem as opções de hospedagem da plataforma.
O diretor de marktech da Coob+, João Biancardi, afirma que é possível economizar mais de 60% com a plataforma. Segundo ele, até mesmo o menor pacote disponível - de 3 diárias - pode alcançar este patamar de desconto.Após realizada a assinatura, o cliente tem direito de usar as opções de hospedagem pelo período de três anos. Com isso, João afirma que, mesmo que a alta da inflação aumente preçosdos hotéis,a assinatura fica estagnada no valor acertado anteriormente.
Quanto às passagens aéreas, a plataforma tem opções e convênios com companhias, mas o foco da empresa são as hospedagens. A Coob+ oferece algumas viagens internacionais, mas a maioria dos acertos com hotéis é nacional.