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Abiquim projeta déficit histórico na balança de produtos químicos para 2022
Perspectiva é que diferença entre exportações e importações feche o ano em cerca de US$ 60 bilhões
Um problema histórico da indústria química nacional, o desequilíbrio entre importações e exportações, deve chegar ao seu ápice neste ano. Conforme a diretora de Assuntos de Comércio Exterior e Administrativa da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Denise Naranjo, a perspectiva é fechar 2022 com um déficit na balança comercial do setor na ordem de US$ 60 bilhões, o que seria o maior registrado (até então o pior desempenho foi em 2021, com déficit de US$ 46,2 bilhões).
Já no primeiro semestre do ano houve o recorde para o período, um déficit de US$ 29,7 bilhões, o que representa um incremento de 60% se comparado com os seis primeiros meses de 2021. O resultado é decorrente do aumento de 53,9% das importações de produtos químicos, que totalizaram US$ 38,5 bilhões, enquanto as exportações somaram US$ 8,8 bilhões no semestre, elevação de 36,4%.
Denise recorda que a evolução das importações, em valores e quantidades, ocorreu em um cenário que não seria propício para acontecer dessa forma. “Temos guerra (Rússia e Ucrânia), problemas logísticos dos mais diversos, operação padrão da Receita Federal, a pandemia e mesmo assim teve esse crescimento gigantesco”, salienta. Entre os químicos que lideram o ranking das importações, a diretora da Abiquim cita os fertilizantes e os defensivos agrícolas. No entanto, ela acrescenta que praticamente todos os produtos da cadeia são atingidos, inclusive os gerados nos polos petroquímicos do País, entre os quais o de Triunfo.
Segundo Denise, esse salto das importações não é desastroso apenas para o setor químico, mas para o Brasil. Ela argumenta que a consequência, a curto prazo desse panorama, é a dependência da produção importada. “E sempre falamos na Abiquim, país forte é aquele que tem uma indústria química forte, porque ela é estratégica”, defende. Denise sustenta que é necessário voltar a produzir dentro do Brasil, caso contrário isso levará ao desemprego.
Atualmente, o setor químico brasileiro é responsável por cerca de 2 milhões de postos de trabalho diretos e indiretos. Para atingir um grau satisfatório de produção interna, a diretora da Abiquim diz que é preciso criar um ambiente que permita condições competitivas em relação a outras nações e isso passa por questões tributárias, defesa comercial, segurança jurídica, entre outras.
Já o presidente do Sindicato das Indústrias Químicas do Rio Grande do Sul (Sindiquim-RS), Newton Battastini, afirma que o cenário nacional das dificuldades enfrentadas pelo setor é semelhante ao que se verifica no Estado. Por um lado, o dirigente destaca que o aumento das importações demonstra um maior consumo dentro da economia brasileira, porém ele acrescenta que poderia ser uma produção nacional a suprir essa demanda.
“Com essa desindustrialização que o Brasil está enfrentando, nesses últimos anos, fica difícil”, aponta Battastini. Ele afirma que tecnologia as empresas do País possuem para concorrer com as estrangeiras, contudo precisam também contar com insumos competitivos, como gás natural e energia elétrica baratos. O presidente do Sindiquim-RS julga que o Brasil tem potencial para desenvolver uma indústria química forte, entretanto para isso é necessária a consolidação de uma política de Estado.
O diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado, João Luiz Zuñeda, reforça que o déficit no setor químico ocorre por falta de investimentos nessa área. No entanto, ele pondera que um caminho que pode ajudar as empresas brasileiras a alcançar um lugar de destaque no cenário mundial, futuramente, é a chamada química verde, feita com insumos renováveis. “É uma janela de oportunidades quanto à sustentabilidade”, adianta Zuñeda.
O integrante da MaxiQuim projeta que insumos usados pelo setor, como o gás natural, por exemplo, vão começar a ser substituídos por opções como o hidrogênio. “Não basta mais só fazer o tema de casa em relação aqueles produtos que são base carbono”, adverte Zuñeda. Ele acrescenta que outra ação que deverá ser focada pela indústria nos próximos anos é a captura de CO2 em seus processos de produção.