Bolsa de Xangai volta a despencar, mas outras asiáticas se recuperam
A Bolsa de Xangai voltou a apresentar fortes perdas nesta terça-feira (25), fechando abaixo da importante marca de 3 mil pontos pela primeira vez desde dezembro de 2014, com os investidores indispostos a tomar risco em meio à ausência de medidas de suporte mais contundentes do governo chinês. Outros mercados asiáticos, com exceção do de Tóquio, conseguiram se recuperar, diante do aumento da demanda por barganhas e apesar da nova rodada de liquidação das ações chinesas.
O Xangai Composto, principal índice acionário chinês, despencou 7,6%, encerrando o pregão 2.964,97 pontos, após chegar a cair 8,2% nos negócios da tarde (pelo horário local) e acumulando perdas superiores a 15% nos dois últimos dias. Apenas ontem, o Xangai sofreu um tombo de 8,5%, o maior em uma única sessão em mais de oito anos. O Shenzhen Composto, de menor abrangência, teve queda de 7,1% hoje, a 1.749,07 pontos, enquanto o ChiNext, formado principalmente por startups, recuou 7,5%, a 1.990,71 pontos.
A falta de apoio de Pequim continuou prejudicando os negócios nas bolsas.
"O mercado se sente como se estivesse implodindo porque está muito acostumado a contar com a mão (do governo)", comentou Steve Wang, diretor de pesquisa da corretora Reorient Group. "Em vez disso, os reguladores (da China) estão esperando para ver o que acontece...eles intervieram muito no passado e não deu certo", acrescentou.
Os investidores estão particularmente frustrados com a ausência de novas medidas do Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês), como um esperado corte nos compulsórios bancários, por exemplo.
Numa tentativa de reverter saídas de capital, no entanto, o PBoC voltou a agir no mercado aberto hoje, ao injetar 150 bilhões de yuans (US$ 23,4 bilhões) no sistema financeiro por meio de contratos de recompra reversa de sete dias, que funcionam como uma espécie de empréstimo de curto prazo ao setor bancário. Esse tipo de operação costuma ocorrer às terças e quintas. Na semana passada, o PBoC fez uma injeção líquida de 150 bilhões de yuans, a maior desde meados de fevereiro.
Para alguns analistas, mesmo um eventual corte nos compulsórios pelo PBoC seria insuficiente para resgatar os mercados chineses a essa altura.
"A intensidade da turbulência global nos mercados acionários exigem algo mais substancial, tanto do lado monetário quanto do fiscal", avaliou Bernard Aw, da corretora IG, com sede em Cingapura. Ontem, as bolsas europeias e de Nova York reagiram com quedas violentas em meio a temores com a desaceleração da China e seus efeitos na economia mundial.
Em outras partes da Ásia, o dia foi de recuperação, após as perdas do pregão anterior e com a demanda maior por ações baratas. Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,72%, a 21.404,96 pontos, enquanto no mercado taiwanês, o Taiex saltou 3,58%, a 7.675,64 pontos, e em Seul, o índice sul-coreano Kospi teve ganho de 0,92%, a 1.846,63 pontos. A exceção foi a Bolsa de Tóquio, que havia chegado a subir 1,6% mais cedo, mas terminou a sessão com queda de 3,96%, a 17.806,70 pontos.
Na Oceania, o mercado australiano também se recuperou, após atingir o nível mais baixo em dois anos no pregão anterior. O S&P/ASX 200, índice que reúne as empresas mais negociadas em Sydney, subiu 2,7%, a 5.137,30 pontos, após cair 4,1% ontem, na maior queda porcentual desde janeiro de 2009.