QGI espera acerto com a Petrobras em abril

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Cerca de dois meses depois do consórcio QGI Brasil (que administra o estaleiro da antiga Quip, localizado em Rio Grande) desistir de montar e integrar os módulos das plataformas de petróleo P-75 e P-77, encomendadas pela Petrobras, as duas empresas estão prestes a chegar a um novo acordo para que os empreendimentos sejam retomados. Uma fonte que acompanha a negociação entre as partes prevê que a definição ocorra ainda em abril. Se for confirmada a previsão, a fonte destaca que é projetada a contratação de até 4 mil funcionários para participarem das obras das plataformas. No momento, a QGI Brasil não chega a contar com 200 colaboradores em atividade.

O problema entre as companhias é que a estatal não estaria aceitando a realização de aditivos no contrato, o que limitaria tecnicamente os projetos ao orçamento originalmente previstos na licitação. O acordo global das duas plataformas, levando em conta não apenas os serviços da QGI, era da ordem de US$ 1,6 bilhão. Outro ponto que está sendo negociado é a readequação dos cronogramas dos empreendimentos.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande e São José do Norte, Benito Gonçalves, confirma que a informação é que a Petrobras e a QGI estão "na mesa de negociação", discutindo o acerto, que deve fechar neste mês. O sindicalista adianta que a perspectiva é de que, a partir de maio, comecem as contratações. Gonçalves diz que a abertura de vagas é providencial, pois, atualmente, há uma mão de obra ociosa de cerca de 7 mil pessoas que trabalham no segmento e poderão ser reabsorvidas. Além da QGI, o sindicalista comenta que estão sendo abertas mais mil vagas pelo estaleiro EBR, em São José do Norte, e outras mil pela Ecovix, em Rio Grande.

Apesar desses indicativos positivos, o dirigente ressalta que o diálogo com o governo federal sobre as dificuldades enfrentadas pelo setor de óleo e gás permanece. Nesse sentido, o sindicato, com a prefeitura de Rio Grande, marcarão em breve uma reunião com o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, para tratar do polo naval gaúcho, não somente a questão da QGI (que está mais tranquila, segundo Gonçalves), mas a do estaleiro EBR e da Ecovix. O presidente do sindicato acrescenta que essa última companhia, por exemplo, tem verificado atraso nos pagamentos aos funcionários. Já a Ecovix afirma que essa questão foi responsabilidade de uma subcontratada e já foi resolvida, sendo que as atividades seguem normalmente.

O coordenador do Comitê de Competitividade em Petróleo, Gás, Naval e Offshore da Fiergs, Marcus Coester, argumenta que a retomada da integração das plataformas pela QGI dará "um fôlego" ao processo de encomendas, que foi prejudicado (principalmente pelos efeitos da Operação Lava Jato). Mas uma preocupação de Coester é quanto uma ideia que já foi até mencionada pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, que é a revisão da política de conteúdo local dos equipamentos para exploração de óleo e gás.

O tema refere-se à proporção obrigatória dos investimentos nacionais aplicados em um determinado bem ou serviço. Assim, quando uma plataforma ou refinaria possui um alto índice de conteúdo local, significa que os bens e serviços utilizados em sua construção são, em grande parte, de origem nacional, e não importados. De acordo com Coester, a contratação de fornecedores locais estimula e reforça a indústria brasileira.