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Fórum on-line debate investimento financeiro
Cansado de buscar alternativas de investimentos bancários capazes de oferecer boas rentabilidades de capital, o médico Carlos Boiseaux, resolveu, em 2007, iniciar uma preparação para atuar de maneira efetiva no mercado de capitais. Atualmente, o radiologista divide o seu tempo entre a medicina e a bolsa de valores. Entusiasta da busca por oportunidades, Boiseaux, logo passou a ser procurado por muitos colegas de profissão que compartilhavam do mesmo incomodo.
Boiseaux irá encerrar o Fórum do Investidor Extraordinário, que reúne, de amanhã até o próximo dia 17, uma série de dicas e análises que serão compartilhadas on-line e de forma gratuita, por meio de inscrição prévia no site http://investidorextraordinario.com.br/.
Entre os confirmados nas mais de 30 apresentações programadas estão os especialistas norte-americanos Bo Williams e Sean Butler, além do brasileiro Mauro CalilI. Boiseaux, que também ministrará uma palestra sobre os 10 mandamentos para a sobrevivência no mercado acionário, antecipa algumas dicas ao Jornal do Comércio.
Jornal do Comércio - Como você decidiu investir na bolsa?
Carlos Boiseaux - Quando ingressei no mercado de trabalho, em 2007, comecei a ganhar dinheiro com a especialidade e ao mesmo tempo me deparei com uma dor. A dor de não saber o que fazer com o dinheiro. Gerentes do banco me ofereciam opções, mas não tinha segurança para tomar qualquer decisão. A ideia do investidor extraordinário surgiu para curar esta dor. Um ferimento da pessoa que ganha dinheiro e não sabe o que fazer com isso, ou não encontra no mercado bancário algo condizente com as expectativas de ganhos de capital. Quando comecei a estudar análise técnica percebi que, com o mínimo de organização, é possível obter resultados. Muitas vezes as pessoas acham que a bolsa de valores é algo de outro planeta e é preciso de muito dinheiro. Nada disso. Percebi que o meu incomodo era aplicado a muitos colegas de profissão. Muitos amigos, ao me verem nos corredores avaliando um gráfico, demonstravam interesse e me questionavam sobre as minhas estratégias. Já preparei alguns cursos internos para colegas médicos. Desde então, meu telefone toca várias vezes ao dia com amigos pedindo opiniões dobre investimentos. Resolvi tentar algo maior.
JC – Há uma tendência de que para potencializar os ganhos é preciso estar de olho no curto prazo e, muitas vezes, operar como day trader. Como você divide o seu tempo?
Boiseaux – No day trade, as pessoas podem entrar e sair no mesmo dia de uma ação. Ou seja, nunca se dorme posicionado. Também é possível fazer o chamado swing trading, que são estratégias de uma semana. Eu me incluo na corrente de position trade. Ou seja, compro um papel e às vezes fico um mês com ele. O tempo varia, mas é dado, sempre, pela necessidade de concluir uma estratégia de ganhos. Com uma hora por semana você já consegue operar. Se não tivesse outras atividades paralelas, continuaria operando da mesma forma. Com uma horinha você avalia os gráficos e define uma posição. Até porque a operação no Brasil é restrita a um pool que não supera muito a base de 150 ações. Não foge muito disso. Aprendendo a análise técnica você consegue acompanhar essas 150 empresas. É preciso elaborar a estratégia e deixar as ações trabalharem ao longo do tempo. Às vezes por meses. Desta forma, não é preciso passar pelas agonias do day trade. Para o emocional é muito melhor. Isso porque uma das regras de mercado é que, em algum momento, todo mundo vai perder. Faz parte do jogo. Qualquer perda que se adquira no position trade, você terá uma semana para se recuperar. No day trade, às vezes uma perda pela manhã, gera uma alteração de estratégia com o objetivo de recuperação a tarde que afeta o emocional já bastante alterado em razão da perda. É perigoso e exige muito mais conhecimento.
JC – Qual opção é mais indicada para o investidor que deseja fazer renda?
Boiseaux – O mais indicado seria o position trade. É o meu caso. Eu não tenho interesse em trabalhar com o mercado. Quem opera no day trade, necessita de um caixa diário. A fonte de renda depende do mercado acionário. São pessoas com conhecimento profundo, mas que dependem, às vezes, exclusivamente do mercado para arcar com suas despesas pessoais. Eu não vivo do mercado. Uso o mercado para gerar renda e patrimônio. Opero como position trade. Algumas pessoas utilizam análises fundamentalista, em que se compra e segura o papel por um prazo a se perder de vista. Eu não tenho coração para isso. Por exemplo, não conseguiria comprar Vale ou Petrobras com o objetivo de permanecer 10 anos com o papel esperando por um lucro que pode não vir. Nos Estados Unidos, no Dow Jones, alguns gráficos demostram investidores que passam 30 anos indexados para tirar a inflação e, às vezes, manter o mesmo poder de compra, sem um ganho significativo de capital. Eu não faço buy-and-hold (compra de ações para segurar em longo prazo). Não faço matrimônio com um papel. Ao contrário de alguns investidores, eu não tenho nenhum orgulho de passar em frente a uma companhia e pensar que sou um pouco dono da empresa, porque possuo muitos papeis. Não tenho o menor pudor em vender. Este tipo de perfil pode ser comum em investidores que criam amor por uma empresa.
JC – No Brasil, a concentração de investidores estrangeiros e institucionais atrapalha?
Boiseaux – Não posso dizer que não atrapalha. No entanto, às vezes é até positivo. Mas para isso é preciso acompanhar o movimento destes que são os chamados tubarões. Neste contexto, os investidores menores têm de fazer o papel de rêmoras (peixe que se agarra ao corpo do tubarão e é transportado por ele enquanto alimenta-se dos restos deixados pelo predador). É preciso grudar nos investidores maiores para abocanhar algumas sobras que já fazem toda a diferença. É impossível operar sem ter este aspecto em vista. É preciso acompanhar essas movimentações de mercado puxadas pelos investidores estrangeiros.
JC – Que aspectos devem ser observados por iniciantes?
Boiseaux – Minha palestra abordará, justamente, os 10 mandamentos para sobreviver no mercado de ações. O tema é importante, pois as pessoas que apreendem a análise técnica e começam a investir em ações tendem a encontrar uma nova ferramenta e acreditar que resolveram suas vidas. Quando se tem sorte de ganhar, a situação piora. Antes de velejar é preciso colocar o colete salva-vidas. Ganhar dinheiro é o segundo passo. Outro aspecto importante é definir o stop loss (ordem para cancelar perdas com um papel). Sem isso, é impossível operar em ações. É o mandamento número um. Também é preciso saber onde se está entrando e gerenciar o risco. É preciso definir quanto se pretende ganhar e gerenciar o risco associado a esse potencial. Um exemplo clássico é pesar que se está jogando um dado. Por exemplo, todo número ímpar significa um ganho de R$ 10,00 e todo número par uma perda de R$ 3,00. Jogando várias vezes, com 50% de chance para cada cenário, a tendência é de se ter muito mais ganho do que perda. Em toda perda o valor é menor ao do ganho. Identificando esse risco, é possível lançar estratégias para quando ganhar, ganhar muito, e, quando perder, perder pouco.