JBS terá R$ 300 milhões para reativar Doux
Com o novo modelo, a empresa, considerada a segunda maior operadora global no segmento de aves, passará a atuar no mercado nacional e administrará toda a estrutura formada por incubadoras e fábricas de rações. A JBS também assumirá a folha de pagamento que envolve mais de 6 mil funcionários, os encargos trabalhistas e os atrasos a fornecedores e integrados, avaliados em cerca de R$ 100 milhões. Por isso, serão aportados mais R$ 200 milhões, totalizando R$ 300 milhões até o final do ano para normalizar as atividades.
Para abrigar os ativos, a JBS criará uma divisão de negócios denominada JBS Aves Brasil e terá como presidente e CEO o irlandês James Cleary. O executivo considerou estratégicas as plataformas de produção de frango localizadas nas regiões mais competitivas do mundo, assim como já faz na carne bovina.
O objetivo, conforme explica o diretor-presidente do Grupo, Wesley Batista, é retomar os alojamentos até o dia 20 de junho com 840 mil abates diários e, em setembro, atingir o teto da capacidade, projetado em um milhão de aves por dia. Um novo encontro marcado para hoje com a comissão liderada pela Fetag definirá o cronograma de pagamentos aos criadores, que não recebem há cerca de seis meses. A JBS ainda presta outros esclarecimentos a partir das 9h por meio de uma teleconferência com analistas.
Segundo Batista, a perspectiva é de que em 60 dias o montante de R$ 50 milhões esteja liquidado e a primeira parcela depositada até o final da semana. “Não vai passar de 60 dias, pois precisamos do sistema integrado a pleno vapor para ganharmos em produtividade e não abrimos mão de agilidade neste processo”, garante Batista. Sobre o repasse da planta de suínos em Caxias do Sul, atualmente operada pela Brasil Foods, o executivo afirma que será preciso abrir processo de negociações para chegar a uma solução. “Não sabemos como isso será contornado, pois a BR Foods anunciou a compra, reativou a unidade, mas possui pendências com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Devemos iniciar as conversações ainda nesta semana”, explica.
Em um acordo informal, a Doux repassou a gestão, produtos e abastecimento, que inclui a planta frigorífica de Caxias do Sul e 700 integrados à BRF. Na planta em Ana Rech, distrito caxiense, funcionários da líder nacional em alimentos processados já monitoram a produção e o pagamento de lotes foi saldado em 30 de março. Atualmente, a unidade está em funcionamento, mas a fusão entre a Sadia e a Perdigão ficou impossibilitada pelo Cade de continuar à frente do negócio, em razão das exigências feitas pelo órgão para evitar a alta concentração de mercado com a união das duas empresas.
Grupo nega interesse em assumir passivos bancários que somam cerca de R$ 600 milhões
Durante o encontro realizado em Montenegro, que teve a participação do presidente da Câmara dos Deputados, o gaúcho Marco Maia, do secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, e do fundador do JBS Friboi, José Batista Sobrinho, o presidente do grupo, Wesley Batista, negou o interesse em assumir qualquer parcela dos passivos bancários da Doux Frangosul no Rio Grande do Sul, estimados em R$ 600 milhões. No entanto, ele não descarta a opção de compra prevista pelo acordo, caso a situação financeira seja regularizada.
Na opinião de Wesley Batista, o arrendamento resolve apenas o problema da retomada das atividades. “Se esperássemos até a próxima semana teríamos um colapso no sistema e isso inviabilizaria qualquer negócio futuro”, explica.
Por outro lado, o diretor-executivo do grupo francês no Brasil, Aristides Voigt, acredita que a compra seja confirmada no próximo ano, muito antes do prazo estipulado em 10 anos pelo contrato de arrendamento. “Como uma auditoria interna leva de três a seis meses, não havia tempo hábil para selar a aquisição total neste período”, afirma.